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Home  »  Revistas  »  Edição 2152 / 17 de fevereiro de 2010


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Memória

A "ovelha rosa" se foi

Alexander McQueen, o estilista de imaginação fantástica,
suicida-se em sua casa em Londres

Boisiere/Sipa Press
MISTURA FINA
Nos desfiles, o encontro
de brilho, cor e tecnologia


O mundo da moda entrou em choque na quinta-feira, quando se anunciou a morte, em trágicas circunstâncias, do inglês Alexander McQueen, 40 anos, um dos mais vitais, imaginativos e admirados estilistas da atualidade. McQueen foi encontrado morto em casa, enforcado, e a polícia "não considera a morte suspeita", apontando para suicídio. Com ele, vai-se um mestre do figurino fantástico, teatral, dramático, cujos desfiles sempre surpreenderam – quase sempre lhe rendendo elogios pelas cores e formas exuberantes, como as modelos meio humanas, meio anfíbias, suspensas em altíssimos sapatos-tatu, da coleção que apresentou em Paris em outubro, outras vezes simplesmente incomodando: em 1998, Aimee Mullins, ex-atleta que teve as duas pernas amputadas, cruzou a passarela usando próteses de madeira esculpida, no mais puro estilo McQueen.

Especula-se que Lee, como era chamado por todos (Alexander é seu nome do meio), nunca tenha se recuperado totalmente da morte de sua amiga e mentora, a jornalista Isabella Blow, que em 2007, diagnosticada com câncer de ovário, se matou ingerindo formicida. Também estaria deprimido pela morte da mãe, Joyce, uma semana antes. "Foi uma semana horrorosa. Meus amigos foram ótimos, mas agora tenho de achar um jeito de sair dessa", escreveu domingo no Twitter. Intenso e irreverente, McQueen nasceu em Londres, na classe média baixa inglesa, e fez tanto da Escócia de seus antepassados quanto da origem humilde temas recorrentes na carreira. Homossexual assumidíssimo, costumava dizer que saiu "direto do útero da minha mãe para a parada gay". Caçula de seis irmãos, era, na própria definição, "a ovelha rosa da família". Largou a escola aos 16 anos e foi aprender alfaiataria na célebre Saville Row, onde a aristocracia faz seus ternos há séculos (diz a lenda que a frase "McQueen esteve aqui", que escrevia sob o forro dos paletós, está inscrita em costumes do próprio príncipe Charles). Sua carreira decolou no começo dos anos 90 pela mão de Isabella, influente jornalista de moda que o apresentou aos poderosos. Trabalhou cinco anos na Givenchy, num relacionamento tumultuado em que chamou o fundador de "irrelevante", virou de cabeça para baixo o estilo básico-chique da marca e ficou famoso. Em 2001, pediu as contas e sua marca foi comprada pela Gucci. Lançou coleções de acessórios, de perfumes, uma linha masculina e enfim, há pouco mais de dois anos, a grife Alexander McQueen começou a dar lucro. Visionário, misturou o corte impecável (sempre cortou ele mesmo os moldes de seus modelos) aos tecidos mais modernos e à alta tecnologia, pela qual era quase tão fanático quanto pelo mergulho em alto-mar. Preparava-se para apresentar sua nova coleção em 9 de março, em Paris. Depois dela, a semana de moda parisiense nunca mais será a mesma.

Francois Guillot/AFP
FIM DA LINHA
McQueen: suicídio aos 40 anos

 

 
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