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Home  »  Revistas  »  Edição 2152 / 17 de fevereiro de 2010


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Celebridade

O apagão do luxo

Com Beyoncé, Madonna e outras celebridades para o Carnaval,
o Rio de Janeiro não está dando conta de atender às demandas
de todas elas


Silvia Rogar e Ronaldo Soares

Wallace Barbosa/Agnews
No quarto da Madonna
A cantora Beyoncé aparece (de pijama) na varanda do Fasano:
ela chegou primeiro e ficou nas suítes que já foram de Madonna


Apinhado de celebridades internacionais que chegam para o Carnaval, o Rio de Janeiro sofreu um apagão diferente nesta temporada: o do mundo do luxo. Como a cidade não deu conta de atender à alta demanda, inflacionada por toda sorte de megalomania, deflagrou-se uma verdadeira guerra por quartos de hotel, carros blindados e até motoristas bilíngues – já que os únicos aptos a ocupar tal função são aqueles treinados para, entre outras coisas, demonstrar destreza ao volante em meio a multidões e jamais travar contato visual com a celebridade. O overbooking causou dissabores a Madonna, que chegou ao Rio com comitiva de quinze pessoas, na terça-feira passada, e não pôde se instalar, como queria, no último andar do hotel Fasano, o mesmo em que havia se hospedado três meses antes. Ali já montara portentoso acampamento a cantora Beyoncé, em turnê no Brasil, que se esparramou com dezoito dos 95 integrantes de seu séquito por dezessete suítes. A contragosto, Madonna ficou um andar abaixo (e três pisos acima da cantora Alicia Keys). Seus agentes já haviam feito uma tentativa de fechar a cobertura do Copacabana Palace, playground dos famosos, com suas sete penthouses, terraço e piscina particular. Mas ela estava reservada a gente como o ator escocês Gerard Butler, Paris Hilton e o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Mbasogo – todos na cidade para o Carnaval.

A briga por quartos e outros serviços de alto padrão se explica pela relativa escassez deles no Rio de Janeiro. "Em comparação com outras grandes cidades, como Paris, Nova York e até São Paulo, o Rio está despreparado para suprir às demandas de artistas do calibre de Madonna", avalia o consultor Carlos Ferreirinha, especialista em mercado de luxo. As infindáveis exigências das celebridades só fazem agravar a situação. Pegue-se o exemplo dos carros blindados. O Rio conta com uma frota de 180 deles para aluguel. "Mas a clientela do show biz não se contenta com menos que um SUV ou um Mercedes, e os motoristas ainda passam por uma sabatina antes de assumir o posto", diz Rodrigo Frota, dono de uma das três empresas na cidade com esses carros. Juntas, elas dispõem de trinta veículos que atendem aos pré-requisitos – sendo que, na semana passada, só a comitiva de Beyoncé passeava a bordo de onze, enquanto quatro estavam à disposição de Madonna. Com os outros pedidos, deu-se o overbooking, e foi preciso reforçar a frota e o staff de motoristas, às pressas, recorrendo a empresas de São Paulo. Não faltaram blindados para ninguém, mas, ainda assim, Beyoncé não se deu por satisfeita. Voltando de um show, teve súbito ataque de claustrofobia por trás dos vidros escuros. E um carro sem blindagem precisou ser prontamente providenciado.

Esse é um nicho repleto de peculiaridades. Para uma celebridade de primeiro escalão, não basta que um hotel seja estrelado – ele precisa também estar preparado para prover regalias e obedecer aos ritos de cada artista. Ficou combinado com o staff do Fasano, por exemplo, que o nome Beyoncé jamais seria proferido durante sua estada. Só se referiam a ela como "a artista". Na presença de Madonna, os funcionários foram instruídos a evaporar pela porta mais próxima, para evitar contato. Há ainda outro fator determinante nessas viagens. Diz Tonia Schubert, à frente da monumental logística na recepção de Beyoncé: "Uma celebridade como ela jamais aceita tratamento pior do que o que outra teve na cidade". Por essa lógica, em janeiro, quando um dos empresários da artista veio ao Rio para verificar se o hotel Fasano atendia ao rol de pré-requisitos, ele sabia exatamente o que buscava: o quarto de Madonna.

J.Humberto/Agnews
Um andar abaixo de Beyoncé
No hotel, os funcionários devem ficar
"invisíveis" quando ela aparece

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