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Edição 1991 . 17 de janeiro de 2007

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DVDs

O Enigma de Andrômeda (The Andromeda Strain, Estados Unidos, 1971. Universal) – A virada dos anos 60 para os 70 foi uma das fases mais elegantes da ficção científica. Exemplo em questão: esse filme do versátil Robert Wise (de A Noviça Rebelde), sobre um microrganismo que despenca sobre a Terra e mata quem entra em contato com ele. Só duas pessoas sobrevivem à exposição: um bebê e um velho alcoólatra. O que eles têm em comum é o que um pequeno grupo de cientistas tenta descobrir, num ultra-secreto laboratório subterrâneo. Em vez de explosões e efeitos, o que Wise oferece aqui é a tensão dos silêncios, esperas e perguntas sem respostas. É ela que, combinada ao visual criterioso, faz de Andrômeda um programa que prende a atenção até das platéias inquietas de hoje.

Programa Ensaio: Cartola (Trama) – Poucas figuras foram tão importantes na história do samba como Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980). O cantor e compositor carioca foi um dos criadores da Mangueira e suas composições foram gravadas por artistas como Silvio Caldas e Francisco Alves. No entanto, ele só foi lançar disco em 1974 – ao ser "redescoberto", trabalhava como funcionário público. A participação do sambista no programa da extinta TV Tupi é antológica. Cartola dá detalhes saborosos da criação da Mangueira, canta suas músicas mais conhecidas (como Alvorada) e recebe dois convidados: a cantora Leci Brandão, então em início de carreira, e o compositor Geraldo Pereira, a quem presta homenagem.

Carlos Namba
Cartola: o sambista em programa antológico


Eu, Você e Todos Nós
(Me and You and Everyone We Know,
Estados Unidos/Inglaterra, 2005. Videofilmes) – A artista inglesa Miranda July estréia na direção com um filme que só se pode começar a descrever como singular – além de estranho, desconcertante e, às vezes, magnificamente poético. O enredo central trata de Christine (a própria diretora), motorista de idosos e aspirante a artista que, certo dia, entra numa loja de sapatos e se apaixona por um dos vendedores (John Hawkes), um pobre-diabo que está se divorciando e tentando manter os filhos perto de si. Não se trata de um filme para todos os gostos. Mas é difícil imaginar que alguém que resolva dar uma chance à criativa Miranda venha a se arrepender.

 

LIVROS

Algo Sinistro Vem por Aí, de Ray Bradbury (tradução de Jorge Luiz Calife; Bertrand Brasil; 294 páginas; 39 reais) – Um parque de diversões chega a uma pequena cidade do Meio-Oeste americano. Para a maioria dos freqüentadores, é um lugar de passatempo inocente. Mas alguns escolhidos são conduzidos a atrações aterradoras: carrosséis fúnebres e labirintos de espelhos onde a vaidade de cada um produz pesadelos e transformações fantásticas. Em Algo Sinistro Vem por Aí (o título é uma citação a Macbeth, de Shakespeare), o americano Ray Bradbury, autor de clássicos da ficção científica como Fahrenheit 451 e Crônicas Marcianas, mostra que também é um mestre do horror.

 
Pessoa: escritos sobre economia

A Economia em Pessoa (Reler; 184 páginas; 44 reais) – Fernando Pessoa (1888-1935) foi o maior poeta da língua portuguesa no século XX. Os textos desse volume, contudo, captam uma faceta diferente do célebre criador de heterônimos: a de pensador econômico. Paralelamente à atuação poética, ele trabalhou em escritórios comerciais – atividade que garantia seu sustento – e deixou um belo apanhado de ensaios sobre o tema. Como nota o economista Gustavo Franco, organizador da coletânea, suas idéias continuam atualíssimas, sobretudo para o Brasil. Pessoa demonstra uma lucidez impressionante ao tratar de questões como o papel do Estado. "A administração de Estado é o pior de todos os sistemas imagináveis", diz ele no ensaio Estatização, Monopólio, Liberdade.

 

DISCOS

Schumann & Schubert, Antonio Meneses (Clássicos) – Os fãs de música erudita podem ser divididos entre os que apreciam interpretações ortodoxas, fiéis a cada detalhe da partitura, e aqueles que preferem uma leitura mais livre e pessoal da obra. O violoncelista pernambucano Antonio Meneses consegue agradar a ambos os gostos. Nesse CD, gravado ao lado do pianista suíço Gèrard Wyss, ele executa obras do alemão Robert Schumann e do austríaco Franz Schubert com alguma dose de ousadia. Com exceção do Adagio e Allegro, Op 70 para Violoncelo e Piano, de Schumann, nenhuma foi composta originalmente para esses dois instrumentos. Já a Sonata Arpeggione, de Schubert, ficou mais rápida que suas versões consagradas.

Those the Brokes, The Magic Numbers (EMI) – Formado pelos irmãos Michele e Romeo Stodart e Angela e Sean Gannon, o grupo inglês The Magic Numbers tem uma proposta sonora revisionista. Lançado há dois anos, seu disco de estréia tinha harmonias vocais inspiradas no pop americano da década de 60, de Beach Boys a The Mamas and the Papas. Those the Brokes, o segundo álbum do quarteto, dá continuidade ao estilo. Dez das treze canções do CD destilam um pop "fofo", cheio de boas harmonias e letras românticas. As três restantes – incluindo Take a Chance, que se destaca pelo vocal feminino rascante – enveredam pelo rock de garagem e pelo blues.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Livrarias Curitiba; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Saraiva, Sodiler, Submarino, Nobel.
 
 
 
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