|
|
VEJA Recomenda
DVDs
O Enigma de Andrômeda (The Andromeda
Strain, Estados Unidos, 1971. Universal) A virada dos
anos 60 para os 70 foi uma das fases mais elegantes da ficção
científica. Exemplo em questão: esse filme do versátil
Robert Wise (de A Noviça Rebelde), sobre um microrganismo
que despenca sobre a Terra e mata quem entra em contato com ele.
Só duas pessoas sobrevivem à exposição:
um bebê e um velho alcoólatra. O que eles têm
em comum é o que um pequeno grupo de cientistas tenta descobrir,
num ultra-secreto laboratório subterrâneo. Em vez de
explosões e efeitos, o que Wise oferece aqui é a tensão
dos silêncios, esperas e perguntas sem respostas. É
ela que, combinada ao visual criterioso, faz de Andrômeda
um programa que prende a atenção até das platéias
inquietas de hoje.
Programa Ensaio: Cartola
(Trama) Poucas figuras foram tão importantes na história
do samba como Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980). O cantor
e compositor carioca foi um dos criadores da Mangueira e suas composições
foram gravadas por artistas como Silvio Caldas e Francisco Alves.
No entanto, ele só foi lançar disco em 1974
ao ser "redescoberto", trabalhava como funcionário público.
A participação do sambista no programa da extinta
TV Tupi é antológica. Cartola dá detalhes saborosos
da criação da Mangueira, canta suas músicas
mais conhecidas (como Alvorada) e recebe dois convidados:
a cantora Leci Brandão, então em início de
carreira, e o compositor Geraldo Pereira, a quem presta homenagem.
Carlos Namba
 |
| Cartola: o sambista em programa antológico
|
Eu, Você e Todos Nós (Me and You and Everyone We
Know, Estados Unidos/Inglaterra, 2005. Videofilmes) A
artista inglesa Miranda July estréia na direção
com um filme que só se pode começar a descrever como
singular além de estranho, desconcertante e, às
vezes, magnificamente poético. O enredo central trata de
Christine (a própria diretora), motorista de idosos e aspirante
a artista que, certo dia, entra numa loja de sapatos e se apaixona
por um dos vendedores (John Hawkes), um pobre-diabo que está
se divorciando e tentando manter os filhos perto de si. Não
se trata de um filme para todos os gostos. Mas é difícil
imaginar que alguém que resolva dar uma chance à criativa
Miranda venha a se arrepender.
LIVROS
Algo
Sinistro Vem por Aí, de
Ray Bradbury (tradução de Jorge Luiz Calife; Bertrand
Brasil; 294 páginas; 39 reais) Um parque de diversões
chega a uma pequena cidade do Meio-Oeste americano. Para a maioria
dos freqüentadores, é um lugar de passatempo inocente.
Mas alguns escolhidos são conduzidos a atrações
aterradoras: carrosséis fúnebres e labirintos de espelhos
onde a vaidade de cada um produz pesadelos e transformações
fantásticas. Em Algo Sinistro Vem por Aí (o
título é uma citação a Macbeth,
de Shakespeare), o americano Ray Bradbury, autor de clássicos
da ficção científica como Fahrenheit 451
e Crônicas Marcianas, mostra que também
é um mestre do horror.
 |
|
| Pessoa: escritos sobre
economia |
A Economia em Pessoa (Reler;
184 páginas; 44 reais) Fernando Pessoa (1888-1935)
foi o maior poeta da língua portuguesa no século XX.
Os textos desse volume, contudo, captam uma faceta diferente do
célebre criador de heterônimos: a de pensador econômico.
Paralelamente à atuação poética, ele
trabalhou em escritórios comerciais atividade que
garantia seu sustento e deixou um belo apanhado de ensaios
sobre o tema. Como nota o economista Gustavo Franco, organizador
da coletânea, suas idéias continuam atualíssimas,
sobretudo para o Brasil. Pessoa demonstra uma lucidez impressionante
ao tratar de questões como o papel do Estado. "A administração
de Estado é o pior de todos os sistemas imagináveis",
diz ele no ensaio Estatização, Monopólio,
Liberdade.
DISCOS
Schumann
& Schubert, Antonio Meneses (Clássicos)
Os fãs de música erudita podem ser divididos entre
os que apreciam interpretações ortodoxas, fiéis
a cada detalhe da partitura, e aqueles que preferem uma leitura
mais livre e pessoal da obra. O violoncelista pernambucano Antonio
Meneses consegue agradar a ambos os gostos. Nesse CD, gravado ao
lado do pianista suíço Gèrard Wyss, ele executa
obras do alemão Robert Schumann e do austríaco Franz
Schubert com alguma dose de ousadia. Com exceção do
Adagio e Allegro, Op 70 para Violoncelo e Piano, de Schumann,
nenhuma foi composta originalmente para esses dois instrumentos.
Já a Sonata Arpeggione, de Schubert, ficou mais rápida
que suas versões consagradas.
Those
the Brokes, The Magic Numbers
(EMI) Formado pelos irmãos Michele e Romeo Stodart
e Angela e Sean Gannon, o grupo inglês The Magic Numbers tem
uma proposta sonora revisionista. Lançado há dois
anos, seu disco de estréia tinha harmonias vocais inspiradas
no pop americano da década de 60, de Beach Boys a The Mamas
and the Papas. Those the Brokes, o segundo álbum do
quarteto, dá continuidade ao estilo. Dez das treze canções
do CD destilam um pop "fofo", cheio de boas harmonias e letras românticas.
As três restantes incluindo Take a Chance, que
se destaca pelo vocal feminino rascante enveredam pelo rock
de garagem e pelo blues.
|