'
 


    

 
Edição 1991 . 17 de janeiro de 2007

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Veja essa
VEJA.com
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Medicina
O sangue revela

Marcadores sanguíneos permitem
avaliar a saúde do coração e criar
tratamentos individualizados


Paula Neiva

NESTA REPORTAGEM
Quadro: Está no sangue
EXCLUSIVO ON-LINE
Em Dia: Coração

A descoberta de que o sangue poderia fornecer informações valiosas sobre a saúde do coração, na década de 50, deflagrou uma revolução sem precedentes na cardiologia. Com a ajuda de exames de sangue simples, hoje é possível estabelecer com bastante segurança o risco de uma pessoa vir a sofrer de problemas cardíacos – um instrumento importantíssimo para a prevenção, o diagnóstico e o controle desses males. Nos últimos dez anos, cerca de uma dezena de novos marcadores veio se somar a medições tradicionais, como as de colesterol e de triglicérides. Com eles, a medicina se aproxima de um de seus objetivos mais cobiçados, a individualização do tratamento. Há marcadores para problemas coronarianos como o infarto e a aterosclerose. Até agora nenhum deles parecia capaz de monitorar a evolução de um dos mais comuns e graves distúrbios cardiovasculares – a insuficiência cardíaca. O primeiro passo nesse sentido foi dado por especialistas americanos. Eles investigam o uso da medição da proteína proBNP para determinar a resposta do paciente ao tratamento. Até agora os resultados são animadores. "Ao que tudo indica, o exame da proBNP ajuda a identificar os doentes que necessitam de um tratamento mais agressivo", disse a VEJA o cardiologista James Januzzi, professor da Universidade Harvard e um dos coordenadores da pesquisa. A proteína é liberada pelo organismo quando o coração funciona aquém do desejável. Quanto mais altos os níveis de proBNP, pior o prognóstico e mais grave a insuficiência cardíaca do paciente. Com 2 milhões de vítimas no Brasil, a doença é a principal causa de internação no país.

Como esses marcadores cardíacos são uma descoberta relativamente nova, há ainda algumas questões em aberto. Segundo um artigo publicado recentemente na revista científica The New England Journal of Medicine, os novos marcadores não são indicados para qualquer pessoa. A análise dos fatores de risco tradicionais, como obesidade, tabagismo e hipertensão, entre outros, seria tão eficiente quanto os exames mais modernos para dimensionar a ameaça cardiovascular na população em geral. Esses marcadores funcionam como uma "ferramenta de precisão" para grupos específicos de pessoas. "Eles são úteis para quem apresenta risco cardíaco médio e para jovens com histórico familiar de doença cardiovascular", diz o cardiologista Otávio Coelho, professor da Universidade Estadual de Campinas.

 
 
 
 
topovoltar