|
|
Medicina O
sangue revela Marcadores sanguíneos
permitem avaliar a saúde do coração e criar tratamentos
individualizados  Paula
Neiva
A descoberta de
que o sangue poderia fornecer informações valiosas sobre a saúde
do coração, na década de 50, deflagrou uma revolução
sem precedentes na cardiologia. Com a ajuda de exames de sangue simples, hoje
é possível estabelecer com bastante segurança o risco de
uma pessoa vir a sofrer de problemas cardíacos um instrumento importantíssimo
para a prevenção, o diagnóstico e o controle desses males.
Nos últimos dez anos, cerca de uma dezena de novos marcadores veio se somar
a medições tradicionais, como as de colesterol e de triglicérides.
Com eles, a medicina se aproxima de um de seus objetivos mais cobiçados,
a individualização do tratamento. Há marcadores para problemas
coronarianos como o infarto e a aterosclerose. Até agora nenhum deles parecia
capaz de monitorar a evolução de um dos mais comuns e graves distúrbios
cardiovasculares a insuficiência cardíaca. O primeiro passo
nesse sentido foi dado por especialistas americanos. Eles investigam o uso da
medição da proteína proBNP para determinar a resposta do
paciente ao tratamento. Até agora os resultados são animadores.
"Ao que tudo indica, o exame da proBNP ajuda a identificar os doentes que necessitam
de um tratamento mais agressivo", disse a VEJA o cardiologista James Januzzi,
professor da Universidade Harvard e um dos coordenadores da pesquisa. A proteína
é liberada pelo organismo quando o coração funciona aquém
do desejável. Quanto mais altos os níveis de proBNP, pior o prognóstico
e mais grave a insuficiência cardíaca do paciente. Com 2 milhões
de vítimas no Brasil, a doença é a principal causa de internação
no país. Como esses marcadores
cardíacos são uma descoberta relativamente nova, há ainda
algumas questões em aberto. Segundo um artigo publicado recentemente na
revista científica The New England Journal of Medicine, os novos
marcadores não são indicados para qualquer pessoa. A análise
dos fatores de risco tradicionais, como obesidade, tabagismo e hipertensão,
entre outros, seria tão eficiente quanto os exames mais modernos para dimensionar
a ameaça cardiovascular na população em geral. Esses marcadores
funcionam como uma "ferramenta de precisão" para grupos específicos
de pessoas. "Eles são úteis para quem apresenta risco cardíaco
médio e para jovens com histórico familiar de doença cardiovascular",
diz o cardiologista Otávio Coelho, professor da Universidade Estadual de
Campinas. |