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Internacional Decisões
amargas Bush admite erros no Iraque,
mas, entre o ruim e o pior, decide enviar mais tropas  Diogo
Schelp
Jim
Bourg/Reuters
 | | Bush:
lágrimas em homenagem a soldado morto |
O que faz o presidente americano George W. Bush quando admite que errou? Certamente
não vai acatar os conselhos de quem o criticou ou o desejo da esmagadora
maioria de seus eleitores. Na semana passada, Bush anunciou que pretende aumentar
o contingente de soldados americanos no Iraque dos 130.000 atuais para 150.000.
Antes, reconheceu que sua administração cometeu erros na ocupação
do país do Oriente Médio. E que erros. O Iraque consumiu 300 bilhões
de dólares do dinheiro do Tesouro americano, e mais de 50.000 civis iraquianos
e 3.000 soldados americanos já morreram, enquanto a violência sectária
apenas aumenta. Mas, não obstante 70% dos americanos serem contra o envio
de mais tropas ao Iraque e um grupo de estudos bipartidário ter recomendado
a retirada gradual das forças de ocupação, Bush, contra tudo
e contra todos, decidiu que é preciso intensificar os esforços militares
antes de deixar tudo na mão dos iraquianos. A alternativa, preparar um
cronograma para a retirada, certamente levaria o Iraque a uma guerra civil de
proporções ainda maiores do que a já existente.
Na verdade, Bush não tem uma opção real. Seu erro, ele admite,
foi invadir o Iraque com poucos soldados, obedecendo à tese dominante então
no Pentágono de que valia mais o poder tecnológico que a quantidade
de tropas. Não houve jeito de controlar o Iraque com contingente tão
escasso. Há um cheiro ruim da estratégia que não deu certo
no Vietnã, nos anos 60. Dois presidentes, Lyndon Johnson e, depois, Richard
Nixon, implantaram a política de vietnamização, que consistia
em transferir gradualmente às forças sul-vietnamitas a responsabilidade
pelos combates. Para isso, era preciso aumentar o envolvimento americano na guerra
para preparar o terreno para que o exército sul-vietnamita pudesse se virar
sozinho contra os comunistas. Não deu certo. O plano de Bush segue o mesmo
princípio. Os 20.000 soldados americanos adicionais terão a missão
de limpar os bairros de Bagdá de insurgentes, dando condições
às forças iraquianas para que assumam o controle dessas áreas.
Só então se pensará em retirada. Bush, portanto, ainda acha
que pode ganhar a guerra. Ele tem a seu favor o fato de que, apesar da oposição
interna ao conflito, os soldados americanos que voltam são recebidos como
heróis, e não escorraçados como durante a Guerra do Vietnã.
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