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Especial 100.000.000
de celulares Número de telefones
móveis atinge marca histórica no Brasil
e serviços de vídeo e música chegam aos consumidores
 Carlos
Rydlewski
O celular é, antes de
tudo, uma ferramenta para ganhar tempo. Agora, vai se transformar também
num instrumento para passar o tempo. Em 2007, o aparelho vai incorporar cada vez
mais serviços de vídeo e música. No Brasil, cujos telefones
móveis atingiram a marca de 100 milhões em uso no ano passado, as
principais operadoras já oferecem, por exemplo, filmes, clipes, acesso
em tempo real a canais abertos de televisão, além de download integral
de músicas. A investida das empresas brasileiras no campo do entretenimento
segue uma tendência global. Ela começou há pouco mais de três
anos, com a inclusão de recursos de fotografia nos telefones. Desde então,
produziu resultados espetaculares. Em 2005, por exemplo, a Nokia transformou-se
na maior fabricante mundial de câmeras digitais, após produzir 100
milhões de telefones com esse tipo de recurso. A marca finlandesa avança
atualmente sobre a música digital. Em 2005, embutiu tocadores de MP3 em
40 milhões de celulares. No ano passado, dobrou essa cota.
O que realça o papel do celular como um minicentro de lazer é o
fato de o aparelho ser a tela mais próxima do consumidor -- está
sempre à mão, precedendo a da TV ou a do computador. Isso coloca
a tecnologia móvel na ponta da cadeia da indústria de entretenimento.
Novelas, seriados, música, notícias têm sido produzidos com
exclusividade ou, no mínimo, com versões compatíveis com
as especificações técnicas dos telefones móveis. A
TV digital, que também pode começar a operar no Brasil neste ano,
já tem versão móvel no Japão, lançada em abril
do ano passado. Em três meses, a venda de aparelhos compatíveis com
esse sistema havia chegado à marca de 1 milhão de telefones naquele
país. A consultoria IMS Research estima que a audiência internacional
da TV digital no celular atingirá meio bilhão de espectadores em
cinco anos. Os aparelhos já são também a maior plataforma
de games do planeta. No Brasil, as novidades do
mundo do entretenimento chegam como uma possibilidade de receita adicional para
as operadoras locais. As empresas de telefonia móvel vivem um paradoxo
comum a mercados em rápida ascensão. Por um lado, o número
de brasileiros com celulares aumenta de forma significativa. Avançou 16%
em 2006. A projeção para 2007 é terminar o ano com um total
de 115 milhões de linhas em uso, num crescimento de mais 15%. Mas as operadoras
não conseguem sair do vermelho. Isso porque a necessidade de investimento
-- que inclui a infra-estrutura e, principalmente, o subsídio dos aparelhos
vendidos ao consumidor -- é maior do que a receita. Assim, o resultado
operacional da companhia é bom, mas o lucro, quando aparece, pífio.
Sendo pré-pagos oito em cada dez celulares, a renda que cada brasileiro
proporciona é pequena, em comparação com o que ocorre em
países desenvolvidos. Atinge 10 dólares, contra 40 dólares
na Europa. "O grande desafio das operadoras é manter o avanço da
telefonia móvel no Brasil, mas com rentabilidade", diz Eduardo Tude, da
consultoria Teleco. Para as companhias, o problema
é que, a médio prazo, a disputa por clientes deve ficar mais acirrada
-- algo que compromete a receita. Com 100 milhões de linhas, o Brasil é
o sexto maior mercado de telefones móveis do mundo, de acordo com dados
de 2005. Deve atingir o quinto posto, ultrapassando o Japão, quando os
números relativos a 2006 forem formalmente atualizados pela Anatel. Mas
existem no país 54 linhas para cada 100 habitantes. Numa comparação
internacional, essa relação coloca o país no 92º lugar
no ranking de penetração de mercado. É possível atingir
setenta celulares para cada 100 pessoas, o mesmo nível de países
como Chile e Argentina, em ritmo mais lento, mas, ainda assim, semelhante ao atual.
A partir daí, os analistas acreditam que os consumidores só serão
atraídos com subsídios à compra dos telefones a custos ainda
mais altos do que os atuais. Ou, então, por meio de serviços mais
atraentes. É nesse ponto que se encaixa a onda global de ofertas de música
e vídeo nos celulares. No Brasil, a difusão
desse serviço em larga escala exigirá avanços na infra-estrutura,
para que os dados possam circular de forma mais rápida. Numa rede convencional,
o download de um arquivo de música pode demorar dezoito minutos. Esse tempo
cai para apenas um minuto em redes mais avançadas em uso comercial, chamadas
de terceira geração (3G). No país, menos de 1% dos aparelhos
utiliza rede 3G. |