'
 


    

 
Edição 1991 . 17 de janeiro de 2007

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Veja essa
VEJA.com
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Especial
100.000.000 de celulares

Número de telefones móveis atinge
marca histórica no Brasil e serviços de
vídeo e música chegam aos consumidores


Carlos Rydlewski

NESTA REPORTAGEM
Quadro: O almanaque da mobilidade
Quadro: Parece brincadeira
NESTA EDIÇÃO
A mágica e o mágico
A era da alta definição
Inovar ou morrer é a lei nesse vale

O celular é, antes de tudo, uma ferramenta para ganhar tempo. Agora, vai se transformar também num instrumento para passar o tempo. Em 2007, o aparelho vai incorporar cada vez mais serviços de vídeo e música. No Brasil, cujos telefones móveis atingiram a marca de 100 milhões em uso no ano passado, as principais operadoras já oferecem, por exemplo, filmes, clipes, acesso em tempo real a canais abertos de televisão, além de download integral de músicas. A investida das empresas brasileiras no campo do entretenimento segue uma tendência global. Ela começou há pouco mais de três anos, com a inclusão de recursos de fotografia nos telefones. Desde então, produziu resultados espetaculares. Em 2005, por exemplo, a Nokia transformou-se na maior fabricante mundial de câmeras digitais, após produzir 100 milhões de telefones com esse tipo de recurso. A marca finlandesa avança atualmente sobre a música digital. Em 2005, embutiu tocadores de MP3 em 40 milhões de celulares. No ano passado, dobrou essa cota.

O que realça o papel do celular como um minicentro de lazer é o fato de o aparelho ser a tela mais próxima do consumidor -- está sempre à mão, precedendo a da TV ou a do computador. Isso coloca a tecnologia móvel na ponta da cadeia da indústria de entretenimento. Novelas, seriados, música, notícias têm sido produzidos com exclusividade ou, no mínimo, com versões compatíveis com as especificações técnicas dos telefones móveis. A TV digital, que também pode começar a operar no Brasil neste ano, já tem versão móvel no Japão, lançada em abril do ano passado. Em três meses, a venda de aparelhos compatíveis com esse sistema havia chegado à marca de 1 milhão de telefones naquele país. A consultoria IMS Research estima que a audiência internacional da TV digital no celular atingirá meio bilhão de espectadores em cinco anos. Os aparelhos já são também a maior plataforma de games do planeta.

No Brasil, as novidades do mundo do entretenimento chegam como uma possibilidade de receita adicional para as operadoras locais. As empresas de telefonia móvel vivem um paradoxo comum a mercados em rápida ascensão. Por um lado, o número de brasileiros com celulares aumenta de forma significativa. Avançou 16% em 2006. A projeção para 2007 é terminar o ano com um total de 115 milhões de linhas em uso, num crescimento de mais 15%. Mas as operadoras não conseguem sair do vermelho. Isso porque a necessidade de investimento -- que inclui a infra-estrutura e, principalmente, o subsídio dos aparelhos vendidos ao consumidor -- é maior do que a receita. Assim, o resultado operacional da companhia é bom, mas o lucro, quando aparece, pífio. Sendo pré-pagos oito em cada dez celulares, a renda que cada brasileiro proporciona é pequena, em comparação com o que ocorre em países desenvolvidos. Atinge 10 dólares, contra 40 dólares na Europa. "O grande desafio das operadoras é manter o avanço da telefonia móvel no Brasil, mas com rentabilidade", diz Eduardo Tude, da consultoria Teleco.

Para as companhias, o problema é que, a médio prazo, a disputa por clientes deve ficar mais acirrada -- algo que compromete a receita. Com 100 milhões de linhas, o Brasil é o sexto maior mercado de telefones móveis do mundo, de acordo com dados de 2005. Deve atingir o quinto posto, ultrapassando o Japão, quando os números relativos a 2006 forem formalmente atualizados pela Anatel. Mas existem no país 54 linhas para cada 100 habitantes. Numa comparação internacional, essa relação coloca o país no 92º lugar no ranking de penetração de mercado. É possível atingir setenta celulares para cada 100 pessoas, o mesmo nível de países como Chile e Argentina, em ritmo mais lento, mas, ainda assim, semelhante ao atual. A partir daí, os analistas acreditam que os consumidores só serão atraídos com subsídios à compra dos telefones a custos ainda mais altos do que os atuais. Ou, então, por meio de serviços mais atraentes. É nesse ponto que se encaixa a onda global de ofertas de música e vídeo nos celulares.

No Brasil, a difusão desse serviço em larga escala exigirá avanços na infra-estrutura, para que os dados possam circular de forma mais rápida. Numa rede convencional, o download de um arquivo de música pode demorar dezoito minutos. Esse tempo cai para apenas um minuto em redes mais avançadas em uso comercial, chamadas de terceira geração (3G). No país, menos de 1% dos aparelhos utiliza rede 3G.

 
 
 
 
topovoltar