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Edição 1991 . 17 de janeiro de 2007

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Especial
A era da alta definição

Acabou o tempo da musiquinha e da imagem
borrada nos PCs. Em sua 40ª edição, a feira
de Las Vegas mostra que o domínio agora
é da qualidade total de vídeo e som


Ethevaldo Siqueira, de Las Vegas

 

AFP
UM ASSOMBRO DE CASA
Bill Gates demonstra seu conceito de rede doméstica em que até as paredes podem mudar com um clique


NESTA EDIÇÃO
A mágica e o mágico
Inovar ou morrer é a lei nesse vale
100.000.000 de celulares

A chegada do DVD de alta definição aos Estados Unidos, à Europa e ao Japão – e, daqui a três ou quatro meses, ao Brasil – significará muito mais do que a entrada no mercado dos DVDs convencionais. Aliados à TV digital, os novos DVDs deflagrarão uma revolução em nosso jeito de ver TV, home theater, jogos eletrônicos e as próprias imagens de computador. Com a popularização da TV digital e desses discos, o mundo estará entrando, seguramente, na era da alta definição.

Esse avanço vai nos assegurar entretenimento e informação com imagens muito mais belas, coloridas e brilhantes do que tudo o que temos visto até aqui. Os filmes de ação ou documentários adquirem novo realismo e emoção, com as imagens e o som surround, envolvente, de nosso home theater. A diferença será brutal no impacto dos filmes, shows e concertos que poderemos ver em casa. Depois de assistir a algumas horas de programas em alta definição, fica difícil aceitar o retorno à definição convencional. "Tudo caminha para a alta definição" – repetiram os mais famosos especialistas que debateram as grandes tendências da eletrônica de consumo no maior evento mundial desse setor, o Consumer Electronics Show, realizado em Las Vegas na semana passada.

Reforçando a tendência de popularização da alta definição, a queda de preços dos monitores de tela plana de grandes dimensões deverá continuar ainda por muito tempo, acelerando a introdução dos novos DVDs e da própria TV digital. Graças à alta definição e ao som surround, os superjogos PlayStation 3 ou Xbox 360 ganharão novo padrão e despertarão novas emoções. As imagens no monitor de nosso laptop ou desktop ganharão nova beleza e detalhes até aqui imperceptíveis.

 
Fotos Ethan Miller/Getty Images, Justin Sullivan/Getty Images e Robyn Beck/AFP
FORTE E CLARO
Ao completar quarenta anos, a Consumer Electronics Show (CES), a famosa feira de Las Vegas, mostrou duas tendências claras: tecnologia tem de ser resistente (como o laptop e o celular no alto, ambos resistentes à água). A segunda: sons e imagens digitais devem ser de alta definição, como a maior tela de LCD, acima, e o Sling Catcher, que captura imagens do computador e as transmite para o televisor usando a rede doméstica sem fio (wireless)

A grande disputa agora está na conquista de nossa preferência por uma das duas opções tecnológicas existentes de DVD de alta definição. De um lado, o Blu-ray Disc, que tem o apoio da Philips, Sony, LG, Apple, Pioneer, Sharp, Hitachi, Panasonic, Dell, Mitsubishi e mais uma centena de entidades e corporações. Do outro lado está a Toshiba, uma das empresas criadoras do formato HD-DVD, apoiada pela Intel, Microsoft, General Electric, HP e outras. O problema inicial era a incompatibilidade entre os dois padrões. Mas já surgem aparelhos reprodutores que tocam ambos os formatos, Blu-ray e HD-DVD, embora esses players híbridos sejam mais caros.

Entre os 100 primeiros títulos de discos a ser lançados em Blu-ray estão títulos famosos, como 24 Horas, Missão Impossível, Matrix, Robocop, Batman Begins, Quarteto Fantástico, O Quinto Elemento, Herói, A Era do Gelo, Kill Bill, Doze Homens e Outro Segredo, Piratas do Caribe. A nova era da alta definição traz também a opção de produção de filmes e documentários com as câmeras digitais high definition de uso pessoal e doméstico. E, como meio de armazenamento, os DVDs Blu-ray já nascem com a capacidade de 25 gigabytes (GB), o que significa cinco vezes a capacidade dos DVDs convencionais. Até o fim deste ano, devem surgir os Blu-ray com capacidade de armazenamento de 50 GB.

O mundo da eletrônica caminha para a fusão total de aparelhos ou dispositivos, equipamentos e sistemas. Com as redes sem fio domésticas, tudo se interliga, se conecta e ganha mobilidade, tanto na casa digital como na eletrônica pessoal dos celulares, PDAs e laptops. Essa é também a visão de Bill Gates, uma das estrelas do Consumer Electronics Show de 2007. Para ele, a fusão de equipamentos criará, antes de tudo, a realidade da casa conectada, com a convergência de todas as formas de serviços, conteúdos e entretenimento – como internet, áudio, vídeo, dados, software de servidores domésticos, IPTV (televisão sobre protocolo da internet), jogos como o Xbox 360, o novo sistema operacional Windows Vista e diversos outros aplicativos.

A visão de Bill Gates da casa conectada parte do conceito de servidores domésticos, ou home servers, que integram todos os dispositivos e serviços. Exemplo desse servidor doméstico é o Windows Live, que pode até usar recursos semelhantes aos do Google Earth e sistema de localização GPS, com cenários em perspectiva das maiores cidades do mundo. Na demonstração feita em Las Vegas, Bill Gates usou a própria visão tridimensional dessa cidade americana, em movimento, como se estivesse num helicóptero, dando vôos rasantes sobre os prédios de hotéis e do centro de convenções.

Outro show da casa conectada do futuro deverá ser a IPTV, que permitirá o acesso a programas exclusivos de TV por assinatura, por preços ínfimos e com qualidade digital surpreendente. Uma idéia nova de Bill Gates é a do site exclusivo de cada residência. Assim como no passado ele sugeriu "um PC sobre cada mesa", agora a sugestão é "uma página na internet exclusiva para cada família ou cada lar". Com a universalização da banda larga, crescerá ainda mais a atratividade desses sites de famílias ou de pequenas comunidades na internet, pois eles poderão oferecer recursos de armazenamento digital remoto para uso de cada pessoa.

 
 
 
 
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