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Congresso "O
esquema está operante" Deputados do PP
e mensaleiros se assanham com a candidatura do petista Arlindo Chinaglia  Otávio
Cabral
Dida
Sampaio/AE
 | | Paulo
Maluf chega ao Planalto: o ex-prefeito de SP saiu da cadeia para a base de apoio
de Lula |
Não
é por acaso que a confraria que partilha cargos e verbas públicas
aparece no epicentro de todos os escândalos de corrupção.
Em uma eleição, seja para a Presidência da República,
seja para síndico de prédio, podem-se discutir idéias e projetos
ou interesses e conveniências. Na semana passada, o petista Arlindo Chinaglia
se transformou em franco favorito. Não se sabe precisamente as idéias
que ele tem para implementar reforma política ou a postura que pretende
assumir diante do Executivo. Mas a atuação de seus auxiliares e
da máquina do governo não deixa margem para dúvidas sobre
os interesses que ele representa. Além do apoio do PT, do PMDB e de uma
parte dos tucanos, na semana passada também o PP, um superabrigo de mensaleiros,
fechou com a candidatura petista. Antes de anunciar o apoio formal, porém,
era necessário resolver um pequeno problema. O deputado Ciro Nogueira,
do PP, é coordenador da campanha de Aldo Rebelo. Na tentativa de convencer
o colega a trair Aldo, o deputado João Pizzolatti, do PP de Santa Catarina,
usou um argumento poderoso e assustador: "O esquema está operante de novo",
anunciou empolgado o parlamentar. Estavam presentes à reunião, além
de Ciro e Pizzolatti, os deputados Mário Negromonte e Pedro Corrêa,
cassado no escândalo do mensalão.
Como ninguém perguntou a que esquema Pizzolatti estava se referindo, é
óbvia a conclusão de que todos sabiam do que se tratava. Procurado
por VEJA, Pizzolatti confirmou o encontro em sua casa, mas negou que a tentativa
de convencer Ciro Nogueira a mudar de lado tenha passado pela citação
de algum esquema. "Foi uma conversa com argumentos políticos", resume.
João Pizzolatti mora no apartamento funcional que antes era ocupado pelo
deputado José Janene, que escapou da cassação, mas foi apontado
como um dos líderes do esquema do mensalão. O apartamento era conhecido
como "pensão" e, segundo a CPI dos Correios, usado por Janene para repassar
o dinheiro recebido do esquema Marcos Valério para os deputados do partido.
Como se vê, o PP, que na próxima legislatura terá o ex-prefeito
Paulo Maluf como estrela de primeira grandeza, gosta de esquemas. E, seja lá
qual deles estiver operando de novo, coisa boa não deve ser. "Parece que
estamos assistindo a um filme repetido", diz a deputada Luiza Erundina, do PSB
de São Paulo. João
Souza /AE
 | | Dirceu:
apoio a Chinaglia para colocar em votação projeto que o anistia |
O
empenho do governo em eleger um petista na Câmara tem ressuscitado práticas
antigas que, mesmo podendo ser consideradas legítimas, se revelam grotescas
pela desfaçatez. Em busca de apoio, o governo sempre acena com a possibilidade
de liberação de dinheiro das emendas parlamentares. Na terça-feira
passada, dia em que o PMDB resolveu apoiar Chinaglia, ao menos cinco deputados
do partido estiveram no Palácio do Planalto e saíram de lá
satisfeitos com a celeridade na liberação do dinheiro para obras
em sua base eleitoral. Entre eles estavam André Zacharow, do Paraná
(1,1 milhão de reais), o gaúcho Darcísio Perondi (1,75 milhão
de reais) e o fluminense Eduardo Cunha (1,1 milhão de reais). Muitos dos
deputados que vão eleger o presidente da Câmara, porém, só
tomam posse no mês que vem. Portanto, não podem ser cooptados com
esse tipo de oferta. Problema? Não. O governo criou o "vale-emendas", uma
espécie de mercado futuro de liberações. O parlamentar que
votar em Arlindo Chinaglia vai poder apresentar emendas para o orçamento
de 2008, com a inédita garantia de que será atendido. As negociações
de emendas são todas feitas por Marcos de Castro Lima, subchefe de assuntos
parlamentares da Presidência da República, cargo ocupado no início
do governo por Waldomiro Diniz, aquele que pedia 1% de propina aos empresários.
Daniel
Ferreira/AE
 | | Dirceu:
apoio a Chinaglia para colocar em votação projeto que o anistia |
Há outras figuras sombrias torcendo e trabalhando pela eleição
de Arlindo Chinaglia. O ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, que teve o
mandato cassado e foi apontado como chefe da quadrilha dos mensaleiros, deixou
de lado suas atividades de consultor privado e mergulhou na campanha petista.
Duas semanas atrás, ele teve um encontro sigiloso com Tarso Genro, no qual
firmaram um pacto de convivência. Embora não se suportem, concordam
que o melhor para ambos é o fortalecimento do PT, e a presidência
da Câmara é fundamental para a concretização desse
objetivo. Dirceu tem dado entrevistas, posto diariamente textos em seu blog, mas
seus interesses são menos magnânimos. O ex-deputado está obstinado
com a possibilidade de ser perdoado. Ele quer conseguir 1 milhão de assinaturas
para entrar no Congresso com um projeto popular de anistia política. Conta
para isso com a máquina do PT para coletar adesões e com a boa vontade
do amigo Chinaglia, que já avisou que, se eleito, põe o projeto
em votação. Mesma pretensão ainda tem Roberto Jefferson,
que também terá o apoio de Chinaglia, desde que o PTB o ajude a
ser eleito, é claro. |