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Edição 1991 . 17 de janeiro de 2007

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Carta ao leitor
Um inimigo do Brasil

 
Gregório Marrero/AP
Chávez: poderes ditatoriais

Uma reportagem da presente edição de VEJA mostra que o lema do venezuelano Hugo Chávez, que acaba de adquirir poderes ditatoriais em seu país, deveria ser não "socialismo ou morte", mas "socialismo é morte" – morte das liberdades individuais, da democracia representativa, morte do avanço tecnológico, da melhoria das condições de vida do povo e morte da inserção mundial da Venezuela. Por essa razão, Chávez pode até ter amigos na cúpula do PT, mas é inimigo de uma América Latina e de um Brasil modernos e justos.

Por outro nome também deveria ser chamado o "socialismo do século XXI" de Chávez, pomposo rótulo para um rosário de fracassos de uma autocracia cada dia mais inviável. Um bom nome para a experimentação chavista poderia ser "involução bolivariana". Esse regime se define pela volta da centralização da economia, pela estatização de empresas definidas como estratégicas – telecomunicações e energia –, pela censura à imprensa e pela supressão velada ou violenta da atividade política não-alinhada com o governo. É a vitória da cegueira sobre a experiência. O século XX serviu de laboratório em larga escala para o tipo de organização social imposto por Chávez. Ele não funciona. O socialismo real produziu apenas miséria, servidão e guerras. É um triste castigo para a Venezuela, que, antes de Chávez chegar ao poder, em 1999, foi uma defeituosa mas estável democracia que se destacava no cenário de governos militares da região.

Reeleito com 63% dos votos, Chávez anunciou, ao tomar posse na semana passada, que estava inaugurando uma "nova era" no país. Não há nada de novo em Chávez. Sua retórica caudilhesca é velha de dois séculos. Ela tem ressonância por ser movida com recursos advindos do desperdício da imensa riqueza petrolífera da Venezuela. A pregação chavista vem prosperando apenas em países de instituições frágeis como Bolívia, Equador, Nicarágua e, por razões bem especiais, Argentina. A reportagem de VEJA mostra que fora da órbita chavista a América Latina foi muito bem em 2006: teve crescimento econômico com inflação em queda, diminuiu o desemprego, melhorou os indicadores sociais e entronizou a responsabilidade fiscal como fundamento de governo. Isso, sim, é uma revolução de verdade.

 
 
 
 
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