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Carta ao leitor
Um inimigo do Brasil
Gregório Marrero/AP
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| Chávez: poderes ditatoriais |
Uma reportagem da
presente edição de VEJA mostra que o lema do venezuelano
Hugo Chávez, que acaba de adquirir poderes ditatoriais em
seu país, deveria ser não "socialismo ou morte", mas
"socialismo é morte" morte das liberdades individuais,
da democracia representativa, morte do avanço tecnológico,
da melhoria das condições de vida do povo e morte
da inserção mundial da Venezuela. Por essa razão,
Chávez pode até ter amigos na cúpula do PT,
mas é inimigo de uma América Latina e de um Brasil
modernos e justos.
Por outro nome também
deveria ser chamado o "socialismo do século XXI" de Chávez,
pomposo rótulo para um rosário de fracassos de uma
autocracia cada dia mais inviável. Um bom nome para a experimentação
chavista poderia ser "involução bolivariana". Esse
regime se define pela volta da centralização da economia,
pela estatização de empresas definidas como estratégicas
telecomunicações e energia , pela censura
à imprensa e pela supressão velada ou violenta da
atividade política não-alinhada com o governo. É
a vitória da cegueira sobre a experiência. O século
XX serviu de laboratório em larga escala para o tipo de organização
social imposto por Chávez. Ele não funciona. O socialismo
real produziu apenas miséria, servidão e guerras.
É um triste castigo para a Venezuela, que, antes de Chávez
chegar ao poder, em 1999, foi uma defeituosa mas estável
democracia que se destacava no cenário de governos militares
da região.
Reeleito com 63% dos votos, Chávez
anunciou, ao tomar posse na semana passada, que estava inaugurando
uma "nova era" no país. Não há nada de novo
em Chávez. Sua retórica caudilhesca é velha
de dois séculos. Ela tem ressonância por ser movida
com recursos advindos do desperdício da imensa riqueza petrolífera
da Venezuela. A pregação chavista vem prosperando
apenas em países de instituições frágeis
como Bolívia, Equador, Nicarágua e, por razões
bem especiais, Argentina. A reportagem de VEJA mostra que fora da
órbita chavista a América Latina foi muito bem em
2006: teve crescimento econômico com inflação
em queda, diminuiu o desemprego, melhorou os indicadores sociais
e entronizou a responsabilidade fiscal como fundamento de governo.
Isso, sim, é uma revolução de verdade.
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