Lauro
Jardim
ECONOMIA
A
Shell encolhe
A Shell está fechando a venda de 260 postos de gasolina
localizados na Região Sul para a italiana Agip. No ano
passado, a mesma Agip comprou 285 postos da Shell no Centro-Oeste.
Como se vê, a empresa anglo-holandesa, que também
pensa em se desfazer de sua rede no Nordeste, está cada
vez menos interessada em vender gasolina no Brasil.
Piscando
o olho
As
conversas entre a Globo e Nizan Guanaes vão bem, obrigado.
Prejuízo
bem recompensado
Wady Jasmim, presidente da empresa que opera o privatizado terminal
de contêineres no Porto de Santos, é a prova viva
de que a vida não é feita só de notícias
amargas. Em 1999, ele assinou o balanço da companhia com
um prejuízo de 68 milhões de reais. O vermelho encorpou
e virou 90 milhões no ano passado. Adivinhe o que os patrões
de Jasmim resolveram fazer com ele? Premiá-lo. Deram-lhe
um bônus por desempenho .–
e que desempenho! –
de 930.000 reais. Esse é um
dos combustíveis da briga dos diabos que espocou entre
os sócios –
e velhos rivais –
Previ e Opportunity. Por incrível que pareça, a
Previ é contra o prêmio ao executivo e o banco, a
favor.
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A
Justiça de Nahas
Egberto Nogueira
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Nahas:
morosidade da Justiça pode fazer prescrever
o crime
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A Justiça é cega –
mas às vezes também tem problemas nas pernas.
Que o diga o especulador Naji Nahas, que quase levou a Bolsa
de Valores do Rio à bancarrota ao apostar em operações
sem lastro financeiro e acabou processado por crime contra
a economia popular. O processo, que se arrasta há
onze anos, repousa desde 1998 num gabinete do Tribunal Regional
Federal do Rio de Janeiro. O Ministério Público
tenta, desde maio do ano passado, fazer a ação
penal andar. Pode não dar tempo. Está perigosamente
próximo o prazo para a prescrição.
Graças à demora, Nahas tem grande chance de
passar pelo episódio incólume. Aí quem
vai correr é o acusado. Vai correr para o abraço.
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AVIAÇÃO
Linha direta
Não é para já, mas a companhia aérea
australiana Qantas está começando a se mexer para
conseguir do DAC permissão para inaugurar a rota aérea
entre Austrália e Brasil.
Varig
e TAM juntas
O megaportal de turismo que a Varig e a TAM anunciaram com estardalhaço
no ano passado passou meses patinando sem sair do papel. Parecia
que iria gorar. Agora, as empresas decidiram dar um gás
no portal, que, aliás, mudou até de nome. Foi rebatizado
de E-Turis. Em março, estará no ar.
MILITARES
Um tabu a menos
O brigadeiro Sérgio Ferolla deixa o cargo, em março,
e pela primeira vez um civil assumirá a presidência
do Superior Tribunal Militar.
JUSTIÇA
Teixeira às voltas com
o Leão
Está mesmo aberta a temporada de caça ao cartola.
Ricardo Teixeira abriu a lista, em novembro passado, mas o abate
permaneceu na surdina. Foi condenado a seis anos de prisão
por sonegação de impostos. Deixou de declarar 350.000
reais ao Leão. Da Receita Federal, claro. Teixeira recorreu.
FUTEBOL
A senhora Eurico
Que Eurico Miranda gosta de confusão, todos estão
cansados de saber. A novidade é que Sylvia, sua mulher,
também pode estar metida em coisas estranhas. Uma rápida
leitura da lista de bens registrados em cartório pelo cartola
e por sua mulher mostra que Eurico pode ter mais explicações
a dar à CPI do futebol. Sylvia usou dois CPFs diferentes
para comprar imóveis no Rio. Até a semana passada,
nenhum dos dois CPFs tinha sido cancelado pela Receita Federal.
GOVERNO
Mais mudanças
O governo vai modificar mais alguns termos da medida provisória
que criou as punições para procuradores e promotores
que apresentarem denúncias sem provas.
O
viajante
FHC passa dez dias fora neste mês, mas não se descuida
do futuro. Já agendou um novo périplo internacional.
Em março, vai à Suíça, para falar
num congresso da OIT, e à Inglaterra, onde receberá
uma homenagem na Universidade de Oxford.
Chacoalhada
no Planalto
A posição das nuvens no momento adequado poderá
atrapalhar os planos. Mas a intenção de FHC é
promover uma reforma ministerial mais radical do que se tem falado
até agora.
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Genéricos
pela goela abaixo
Manoel Marques
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Antak
e genérico: o lucro murchou
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Desde que entraram no mercado, os medicamentos genéricos
têm tido um gosto mais que amargo para os grandes
laboratórios multinacionais. Veja o exemplo da Glaxo
Wellcome Smith Klein. Seu carro-chefe, o Antak, indicado
para combater úlcera e gastrite, foi responsável
por 17 milhões de dólares no faturamento da
empresa em 1999. No ano passado, o Antak vendeu apenas 7
milhões. A diferença foi engolida pelos seis
laboratórios que passaram a comercializar, pela metade
do preço, a substância genérica ranitidina.
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GENTE
De volta
Eduardo Jorge passou três dias nos Estados Unidos. A amigos
jurou que está em negociações para ser o
representante de um grupo privado americano no Brasil. E que o
negócio não tem a menor relação com
o governo.
PETROQUÍMICA
A refinaria cearense desencalha
A Petrobras bateu o martelo e topou ser dona de 20% da refinaria
do Ceará, um projeto que há anos está encalhado.
A definição da estatal é o empurrão
que faltava para o negócio de 1,2 bilhão de dólares
empinar. Os outros investidores serão a espanhola Repsol
(35%), a alemã Thyssen (45%) e o empresário Eduardo
Prado (10%). Tasso Jereissati já foi avisado da decisão
da Petrobras.
TELEVISÃO
Efeito CPI
A Globo está penando para conseguir vender as cotas de
patrocínio para os campeonatos Paulista e Carioca de Futebol
deste ano. Até agora, apenas 50% das cotas foram compradas
pelos anunciantes. No ano passado, na mesma época, a emissora
já tinha feito barba, cabelo e bigode: comercializara as
cotas sem suar muito a camisa. O futebol brasileiro se meteu em
tantos escândalos nos últimos tempos que está
afugentando as empresas. Elas estão com medo de vincular
seus nomes ao lamaçal.
Colaboraram
Ronaldo França e Marcelo Carneiro