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Antes & depois
Retoques finais

Depois do bisturi, famosos completam a
transformação investindo no acabamento
fino. Entram aí os dermatologistas da moda
e suas ampolas maravilhosas

Thaís Oyama

 
Ricardo Corrêa
João Passos
Carla Perez, o caso mais comentado de transformação: além do nariz, dos seios novos e de uma não confessada lipoaspiração na cintura, peeling para alisar a pele, clareadores para realçar os dentes e injeções de lipostabil para reduzir as coxas


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Quando a ex-rechonchuda Carla Perez emergiu de sua última metamorfose, a impressão que se teve foi de que, da loira original, só havia restado mesmo o número do RG. Rosto afilado, pele perfeita e cintura de sílfide, a apresentadora reagiu à perplexidade da platéia com ares de espanto: tirando o nariz repaginado e o implante de silicone assumido, jurou, nenhum bisturi passara por ali. Foi, digamos, uma meia verdade. É fato que às duas cirurgias declaradas a dançarina esqueceu-se de acrescentar uma lipoaspiração que a aliviou de quase 10 centímetros de cintura, mas é inegável também que sua mutação não se deveu unicamente à mágica das operações estéticas convencionais. A nova Carla Perez é resultado de uma combinação de tecnologias que alia o poder do bisturi aos efeitos dos tratamentos dermatológicos de última geração. Compostos de substâncias naturais e sintéticas injetadas sob a pele, ou em sua superfície, eles esticam, incham, afinam, clareiam, limam, preenchem e moldam as partes do corpo que sabidamente clamam por tais intervenções – e algumas cuja existência os leigos nem sequer imaginavam. Para quem já resolveu o grosso da reprogramação visual na mesa de cirurgia, eles funcionam como uma espécie de "acabamento fino", produzindo aquele tipo de mudança que as pessoas percebem, mas não sabem dizer exatamente onde foi que ocorreu.

Basta olhar, nas páginas seguintes desta reportagem, as fotos das igualmente transmutadas Hortência Marcari e Zilú Camargo. A ex-jogadora de basquete e a mulher do cantor sertanejo Zezé Di Camargo são, ao lado da musa-fundadora do Tchan, alguns dos mais impressionantes exemplos do poder da combinação do bisturi com agulhadas. Hortência, veterana das plásticas, diz que hoje não vive sem seu Botox. A substância, extraída da bactéria que causa o botulismo, tem a capacidade de paralisar os músculos faciais "alisando" regiões como o canto dos olhos e os vincos da testa. É a grande vedete dos consultórios e sustenta nove entre dez das frontes lisas como bumbum de nenê que enfeitam as telas da TV e as páginas das colunas sociais. Tanto o Botox quanto os chamados preenchedores – substâncias injetadas para disfarçar sulcos, levantar maxilares caídos, arrebitar pontas de nariz, intumescer lábios desinflados e até "engordar" lóbulos de orelhas – são usados como tratamento coadjuvante de rejuvenescimento ou reinam sozinhos nos rostos retocados, como uma espécie de terceira via entre a cirurgia e a resignação. Inicialmente aplicados em frontes já desgastadas pelo tempo, cada vez mais são utilizados por pessoas jovens, do tipo que os desavisados imaginam não precisar de tais recursos, mas que sempre encontram uma reentrância a ser corrigida ou uma saliência a ser ressaltada.


Marco Pinto
Luizinho Coruja/ Símbolo Press
O que tinha para fazer, ela fez. Com quatro plásticas no currículo, Zilú Camargo partiu para o acabamento fino: Botox na testa, preenchedores nos sulcos da face, peelings no rosto e recolocação das arcadas dentárias para reduzir o queixo

A corrida à solução instantânea é impressionante. De 1999 para cá, o consumo do Botox cresceu 75%. O de Artecoll, nome comercial de um preenchedor de sulcos e lábios, aumentou 70% – embora ainda seja visto com restrições por alguns médicos por ser do tipo permanente, ao contrário do Restylane, por exemplo, que é provisório. Produto mais tradicional, com base no ácido hialurônico, substância natural da pele, ele teve um crescimento mais modesto: 40%. As novidades se sobrepõem – e às vezes soam intimidadoras. O conhecido silicone, agora vendido com o nome comercial de Siloxane e destinado ao preenchimento de sulcos, está sendo usado por alguns médicos para aplicar microgotas que "levantam" a maçã do rosto e a ponta do nariz (veja quadro). Bolsas de gordura sob os olhos são atacadas com injeções de fosfatidil colina, ou lipostabil, medicamento que originalmente combatia a formação de coágulos. A mesma substância, de uso controvertido entre os médicos, pode ser empregada em áreas mais amplas – como as coxas de Carla Perez.


José Luis Fagiolo
Antonio Milena
Botox, ácidos, colágeno, silicone, tratamento dentário, peelings, reposição hormonal e bronzeamento artificial: para Hortência Marcari, o "importante é não deixar cair"

As vantagens das picadas rejuvenescedoras são tentadoras. "Hoje, as mulheres já programam uma sessão de injeções só para chegar gloriosas a uma festa ou fazer bonito numa reunião de negócios. É como ir ao dentista ou ao maquiador", diz a dermatologista Denise Steiner. Os preenchedores temporários ainda são os preferidos. Quatro entre cinco pacientes usam as substâncias reabsorvidas pelo organismo. A reposição, necessária num prazo médio de oito meses, é facílima, embora ainda cara. O preenchimento dos sulcos da boca com Restylane, por exemplo, custa em torno de 800 reais. Em compensação, a aplicação não dura mais que alguns minutos. A anestesia é feita com uma simples pomada, espalhada apenas sobre as linhas a serem preenchidas cerca de uma hora antes. No dia seguinte, as pequenas marcas vermelhas deixadas pelas picadas da injeção já são quase imperceptíveis. A inexistência de pistas, ao contrário do efeito temporariamente devastador das cirurgias, que exigem um bom período de retiro, é uma das vantagens adicionais do procedimento. Bem-feito, resulta em uma mudança tão sutil que dispensa confissões. Situação bastante conveniente quando se sabe que, entre fazer crer que são abençoadas por um frescor atemporal e admitir que contaram com ajuda profissional, a maior parte das mulheres ficará sempre com a primeira alternativa. Em último caso, as adeptas das ampolas já têm na ponta da língua a resposta para driblar indiscrições do tipo "querida-o-que-foi-que-você-fez-no-rosto?" Nessas situações, a resposta padrão é: limpeza de pele. Para a boa entendedora, funciona como uma espécie de senha para mudar de assunto.

Se para muitas mulheres o boom dos tratamentos não invasivos representa uma bênção, para os dermatologistas cosméticos é alegria em dobro. Estrelas dessa peculiar constelação, como a paulista Shirlei Borelli (250 reais a consulta), começam o ano com agenda lotada por seis meses, no mínimo. Junto com uma dezena de colegas, ela forma uma seleta casta de profissionais composta, em sua maioria, de mulheres que mimetizam sua clientela: idade insondável, pele de tamborim, lábios de Angelina Jolie e uma particular tendência a usar diminutivos. Ciosas do papel de propagandas ambulantes de seu métier, inauguraram um novo estilo de clinicar. Os tradicionais aventais brancos, por exemplo, inexistem. As tops da cosmiatria moderna preferem os modelos de grife. Shirlei costuma receber seus pacientes envolta em elegantíssimos longos esvoaçantes. "Faz parte de um conceito mais atual de atendimento", elabora.


Rogerio Voltan
A dermatologista Ligia Kogos, retrato vivo dos próprios métodos: rugas alisadas em escala industrial produziram o recorde de 100 injeções de Botox num só dia


O ambiente dos consultórios também mudou. Nada de paredes brancas e recepcionistas apenas eficientes. A megaclínica da dermatologista Ligia Kogos, uma das preferidas de famosos e aspirantes, fica num suntuoso casarão de 29 aposentos no bairro paulistano dos Jardins. Por seu interior, forrado de tapetes persas e colunas gregas, circula um exército de atendentes permanentemente sorridentes, fortemente maquiadas e invariavelmente retocadas. "Aqui, somos todas mergulhadas em Botox", diverte-se a proprietária.

A Kogos é um fenômeno de produtividade. Às quartas-feiras, "o dia do preenchimento", sua sala de espera lembra o salão de festas do Jockey Club. Espremida em sofás de veludo e couro branco, uma multidão de bem vestidas aguarda a vez de ser atendida, entre uma xícara de chá e um golinho de suco diet. Nesse dia, a equipe de oito médicas da clínica chega a fazer até 100 alisamentos de testa com Botox (780 reais a ampola) e semelhante número de preenchimentos diversos. Ao final do expediente, muitas vezes as próprias especialistas cuidam de auto-retocar o rosto exausto. "Ficamos tão cansadas que sempre aparece uma marquinha aqui, outra ali. Com uma injeçãozinha, voltamos a ser maravilhosas de novo", alegra-se a dermatologista Sandra Hugenneyer.

Para alguns médicos mais preocupados, a disseminação dos tratamentos estéticos pode ter um efeito colateral ainda não previsto nas bulas: o incentivo à cultura da preguiça, em que pessoas cada vez mais jovens substituem o conceito de vida saudável pela idéia de que nenhum exagero será castigado, já que a juventude agora vem embalada num par de ampolas (exatamente o sonho acalentado pela humanidade desde sempre). "Já atendi adolescentes de 15 anos dizendo que vão fazer lipoaspiração", critica Malba Bertino, professora assistente de dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Na avaliação do dermatologista Jayme de Oliveira Filho, titular da mesma universidade, a euforia desmedida provocada pelos tratamentos faciais está fazendo com que alguns colegas percam a sensatez e, muitos pacientes, o juízo. "Recebemos senhoras de 70 anos que querem aparentar 30. Isso é um absurdo e uma temeridade. Não dá para subverter as regras da natureza", afirma. Sua colega Ligia Kogos tem opinião um pouco diferente. Para ela, idade hoje "é uma coisa completamente relativa". Acredita tanto na tese que proibiu as médicas de sua equipe de revelar o próprio ano de nascimento e, sobretudo, de perguntar o das pacientes. "Falar sobre isso não só é inconveniente como irrelevante", defende. Um coro de mulheres, alegremente botocadas, concorda com fervor – as rugas são cada vez menos um subproduto inevitável da idade.


A transformação sorridente

Serra, lixa, alonga, junta e clareia: os dentes fazem uma tremenda, embora sutil, diferença. Na categoria dos famosos, Zilú, Hortência, Ana Paula Arosio e Glória Perez estão entre as pioneiras dos consultórios dentários especializados em estética. "Uma recolocação adequada das arcadas pode valer tanto quanto uma plástica. Bons profissionais são capazes de transformar um rosto", afirma o ortodontista Fábio Bibancos, de São Paulo.

Um dos mais lindos rostos da TV, Ana Paula Arosio conseguiu melhorar o que já parecia perfeito: facetas de porcelana sobre os incisivos curtos demais arremataram sutilmente o conjunto

O que era um meio sorriso passou a sorriso inteiro: a novelista Glória Perez juntou os incisivos centrais e virou outra. Ficou tão feliz com o resultado que se animou e fez uma lipo

Fotos Eduardo Albarello, Divulgação/TV Globo, Armando Gonçalves, Roberto Valverde

 

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