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Rússia Gigante à derivaCom
Ieltsin doente demais para governar, Sempre que se espalha o boato de que o presidente russo está às portas da morte, o velho urso protagoniza um gesto dramático. Não é preciso ser nenhum kremlinólogo aquele especialista, hoje desaparecido, cujo trabalho era interpretar os sinais obscuros de luta pelo poder na antiga União Soviética para entender por que Boris Ieltsin faz dessas coisas. Na segunda-feira passada, quando até seus aliados já admitiam que o presidente está enfraquecido demais para exercer o poder, Ieltsin foi ao Kremlin, demitiu três assessores de primeira linha e voltou em seguida para o hospital. Internado há duas semanas, ele sofre, segundo a versão oficial, de pneumonia. A bravata não foi suficiente, desta vez, para dissipar a terrível sensação de que o país está acéfalo. Com as primeiras nevascas do apocalíptico inverno russo, as finanças da nação em frangalhos e o que resta da infra-estrutura industrial sendo rapinado por mafiosos e aproveitadores, só faltava o piloto sumir. Sete anos depois do colapso da União Soviética, a Rússia está em mau estado. O sistema financeiro afundou, vítima da incompetência nativa e da crise mundial a diferença é que a ajuda do FMI não foi suficiente para tapar o buraco. Como a sonegação de impostos é generalizada, o governo não tem caixa para os gastos de rotina. Com um número de habitantes quase trinta vezes maior que o da Finlândia, a Rússia aprovou, na semana passada, um Orçamento federal igual ao do país escandinavo. Ao contrário do que ocorreu nos outros países que abandonaram o comunismo, a necessidade russa de ajuda internacional para sobreviver parece ter se tornado permanente. A ironia do momento é ver os países bálticos antigas colônias soviéticas enviando ajuda humanitária para Moscou. Os estoques de alimento estão baixos e os jornais de Moscou trazem histórias alarmantes de famílias caçando cães vadios para comer. Campanha ativa Como será este inverno com o trono vazio? As escolas estão sem calefação, o funcionalismo não vê a cor do salário, políticos importantes são assassinados impunemente. Não é prudente esperar por Ieltsin. Na semana passada, num novo sinal de fragilidade, ele cancelou a viagem que faria à Polônia no próximo mês. Os negócios de Estado estão sendo tocados pelo primeiro-ministro Ievgueni Primakov, um comunista reformado cujo maior mérito até agora foi não fazer coisa alguma. O Ocidente, para onde a Rússia se acostumou a olhar em busca de socorro, torce o nariz para Primakov e disfarça a ansiedade com o destino do formidável arsenal nuclear herdado do regime comunista. As eleições presidenciais estão marcadas para daqui a dois anos. Mas a situação é tal que os dois candidatos mais prováveis o general nacionalista Alexander Lebed e o prefeito de Moscou, Iuri Lujkov estão em campanha como se fossem ocorrer no próximo mês. Razões para isso não faltam.
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