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• Cinema: Avatar, de James CameronEspaçoTuristas nas estrelasApresentada a nave que, a partir de 2011, deve inaugurar
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Mark Greenberg /Reuters![]() |
| A 110 QUILÔMETROS DA TERRA A SpaceShipTwo (ao centro) acoplada às aeronaves que lhe darão impulso: viagem de duas horas e meia com cinco minutos sem gravidade |
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| • Entrevista: Richard Branson |
A indústria do turismo espacial se resume até hoje às viagens de meia dúzia de milionários excêntricos que, desde 2001, pagaram 35 milhões de dólares cada um para visitar a Estação Espacial Internacional. Na semana passada, o empresário inglês Richard Branson, dono do conglomerado Virgin, que inclui a companhia aérea Virgin Atlantic, apresentou ao mundo a espaçonave com a qual pretende popularizar as viagens ao espaço num futuro próximo. A nave chama-se SpaceShipTwo, tem o tamanho de um jatinho comercial e foi construída ao custo de 200 milhões de dólares. Toda feita de fibra de carbono, tem capacidade para levar dois pilotos e seis passageiros. Espera-se que, já em 2011, ela transporte turistas ao espaço regularmente. O voo, suborbital, levará os passageiros a uma distância de 110 quilômetros da Terra e vai durar duas horas e meia, com direito a cinco minutos de ausência de gravidade na cabine. As passagens já podem ser reservadas no site da empresa criada para administrar os voos, a Virgin Galactic, e custam 200 000 dólares. Até a semana passada, 300 interessados haviam encomendado seu bilhete. Um dos primeiros a voar será o piloto Rubens Barrichello, que na temporada de Fórmula 1 deste ano correu pela equipe Brown, patrocinada pelo grupo Virgin. A viagem inaugural terá como passageiros Branson, seu pai, de 91 anos, sua mãe, de 85, e seus dois filhos.
Yves Herman/Reuters![]() |
| PASSAGEM NA MÃO O piloto Rubens Barrichello: um dos primeiros que vão embarcar |
A SpaceShipTwo decola acoplada a duas aeronaves que têm
a missão de levá-la a 15 quilômetros de altitude. A partir
daí, as aeronaves se desligam de sua fuselagem e voltam à Terra,
enquanto a SpaceShipTwo, movida por uma turbina, segue caminho para o espaço.
Ela foi desenvolvida a partir do protótipo SpaceShipOne, financiado pelo
bilionário Paul Allen, cofundador da Microsoft, e que em 2004 se tornou
a primeira espaçonave construída por uma empresa privada a fazer
um voo suborbital.
Como os astronautas de verdade, os passageiros da SpaceShipTwo também terão de passar por um treinamento. Ele será feito numa base aérea do estado do Novo México, de onde a nave decolará, e levará apenas três dias. Os passageiros receberão instruções sobre procedimentos de emergência e farão testes com alterações da gravidade e velocidade. Além disso, terão suas condições cardíacas avaliadas. "Acredito que, em poucos anos, conseguiremos fazer o preço das passagens para voos espaciais cair bastante. Muitas pessoas poderão se tornar astronautas e conhecer o espaço. Será uma viagem comum", disse Richard Branson a VEJA no mês passado (veja a entrevista). Algumas etapas importantes ainda têm de ser vencidas para que o turismo espacial se torne rotina. No ano que vem, uma última bateria de testes será realizada para garantir a segurança da SpaceShipTwo. E ainda é preciso que o governo dos Estados Unidos autorize a comercialização de voos espaciais.
Do espaço para o fundo do mar
Qual será seu próximo investimento? Planejamos colocar um hotel no espaço. A ideia é que ele fique localizado bem próximo à Lua. Os hóspedes poderão passar uma semana em suas instalações, fazendo passeios ao redor da Lua, a 30 metros de sua superfície. À noite, eles voltam ao hotel. Parece um pouco longe da realidade. Talvez estejamos ainda a vinte anos de viabilizar esse projeto, mas, se não sonharmos, se não ousarmos, os projetos nunca darão certo. Eu tenho as ideias e depois minhas equipes de engenheiros e técnicos trabalham nelas. Algumas dão certo, outras não. Também estamos tentando adaptar nossa nave espacial para que consiga fazer viagens transcontinentais mais rápidas. Tenho outros projetos na área de turismo. Quais são? Uma de minhas novas empresas é a Virgin Aquatic, que, como a Virgin Galactic, tenta alargar os horizontes do turismo. Quero construir submarinos que possam chegar a 10 000 metros abaixo do nível do mar. Isso ainda não é possível. Os submarinos americanos e japoneses chegam a apenas 6 000 metros, porque, além desse limite, a pressão se torna insuportável. Mas acho que estamos próximos da tecnologia que tornará possíveis os mergulhos a 10 000 metros. Será muito emocionante. O mar é ainda menos explorado que o espaço. Há milhares de espécies marítimas que não conhecemos. Será um passeio divertido e instrutivo. Ainda não calculamos o preço da viagem de submarino, mas ela sairá mais barato do que conhecer o espaço. É verdade que o senhor mora numa ilha? Sim. Quando eu tinha 26 anos, fiquei apaixonado por Necker Island, no Caribe. É a ilha mais linda do mundo e, na época, estava quase deserta. Então decidi fazer dela minha casa. É um bom lugar para pensar em negócios arrojados. |