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• Cinema: Avatar, de James CameronEspaçoO segredo das luasDescobertas recentes sobre os satélites de Júpiter
e Saturno mostram
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Nasa/Corbis/Latin Stock![]() |
| MAR OCULTO Foto de Calisto, lua de Júpiter, feita pela sonda Galileo: debaixo de 200 quilômetros de crosta congelada, foi identificado um oceano de água salgada |
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Uma das mais intrigantes questões sobre o sistema solar diz respeito à possibilidade de vida fora da Terra. Em busca de uma resposta para ela, as agências espaciais enviaram duas dezenas de missões a Marte nas últimas décadas. Já se sabe que o chamado planeta vermelho tem água em forma de gelo em seu subsolo, o que reforçaria a hipótese de ele ter abrigado um dia - ou ainda abrigar - alguma forma de vida. Mas Marte não está sozinho na lista de astros que podem servir de lar a algum tipo de bactéria ou microrganismo. Na procura pela vida extraterrestre, os cientistas também voltam os olhos para outros astros do sistema solar - não os planetas, mas as luas que giram em torno deles. Nos últimos dois meses, duas grandes descobertas foram feitas em Titã, a maior das luas de Saturno, pela sonda Cassini-Huygens, que desde 2004 sobrevoa o planeta e seus satélites. A primeira delas é que Titã é o astro do sistema solar que mais semelhanças guarda com a Terra. Trata-se do único satélite com atmosfera, que, a exemplo da que envolve nosso planeta, é rica em nitrogênio. A pressão atmosférica de Titã é semelhante à que se mede na superfície terrestre. Entre planetas e satélites, apenas a Terra e Titã têm substâncias em estado líquido na superfície - no caso de Titã, são grandes lagos de hidrocarbonetos, compostos de hidrogênio e carbono. A formação desses lagos se deve à baixa temperatura média do satélite, de 180 graus negativos. "Titã permite observar uma atmosfera parecida com a da Terra em um de seus estágios primitivos, há cerca de 4 bilhões de anos", diz o astrofísico Amaury de Almeida, da Universidade de São Paulo.
Corbis/Latin Stock![]() |
| LÍQUIDO NA SUPERFÍCIE Foto de Titã, satélite de Saturno: semelhanças com a Terra |
A segunda descoberta recente feita em Titã é que
em seus lagos existe uma concentração muito maior do que se pensava
de acetileno, um composto que, segundo os pesquisadores, pode servir de alimento
a formas primitivas de vida. Em 1989, quando foram feitos os primeiros estudos
sobre a natureza dos lagos de hidrocarbonetos de Titã, calculou-se que
a quantidade de acetileno presente neles era de uma em cada 10 000 partes.
Hoje, sabe-se que essa proporção é de uma em cada 100 partes.
"O acetileno poderia servir como combustível do metabolismo de organismos
da mesma forma que o açúcar é fonte de energia para os
humanos", disse a VEJA o geólogo americano Dirk Schulze-Makuch, da Washington
State University, pioneiro no estudo dos compostos orgânicos de Titã.
Existem mais de 160 satélites em torno dos oito planetas do sistema solar. Muitos deles têm apenas poucos quilômetros de diâmetro e, em comparação com os planetas que orbitam, não passam de poeira cósmica. Entretanto, existem quatro luas, além de Titã, nas quais os pesquisadores acreditam que a vida extraterrestre seja possível. Nas camadas internas de Enceladus, também satélite de Saturno, e em três luas de Júpiter, Europa, Calisto e Ganimedes, já se comprovou a existência de água, o que acena com a possibilidade de abrigarem vida. Experiências realizadas pela expedição Galileo, sonda que explorou Júpiter e suas luas por oito anos, até 2003, provaram que debaixo das grossas crostas congeladas desses satélites, que podem ter até 200 quilômetros de espessura, existem verdadeiros oceanos de água salgada. A próxima expedição da Nasa, a agência espacial americana, para Júpiter, com lançamento previsto para 2020, terá como uma das missões principais estudar as luas do planeta. "As luas de Júpiter e Titã, de Saturno, serão os principais alvos das missões de astrobiologia no futuro, além de Marte", diz o professor Schulze-Makuch.
E o que dizer da Lua terrestre no cenário das possibilidades de haver vida em outro astro do sistema solar? No início de novembro, numa das mais espetaculares descobertas recentes da astronomia, a sonda Lcross localizou grandes quantidades de água em forma de gelo no subsolo da Lua. Os cientistas acreditam, porém, que a água da Lua tem procedência diferente daquela encontrada nos outros satélites. Ela teria sido trazida a bordo de cometas ou das nuvens moleculares que atravessam o sistema solar em alta velocidade. No caso das luas de Júpiter e Saturno, a água esteve presente desde sua formação, por isso estaria concentrada bem abaixo da superfície.
As luas do sistema solar têm nomes pitorescos, a maioria deles retirada da mitologia greco-romana. Essa tradição foi inaugurada pelo astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630), o descobridor das órbitas elípticas dos planetas em torno do Sol. Desde então, os cientistas resolveram adotar o mesmo padrão para batizar os satélites que descobriram. A partir da década de 70, o processo de batismo foi normatizado pela União Internacional de Astronomia. Primeiro, o astro recém-descoberto recebe uma identificação provisória - uma sigla que contém o ano da descoberta e o planeta a que está ligado. Somente após a comprovação de sua existência, ele ganha um nome oficial, sempre escolhido pelo cientista que o observou pela primeira vez. A maioria dos astrônomos prefere seguir a tradição e optar por nomes mitológicos. Mas há exceções. As 27 luas que orbitam Urano, por um capricho dos cientistas ingleses que descobriram quatro delas no século XIX, William Herschel e William Lassell, foram batizadas com nomes de personagens femininos do dramaturgo William Shakespeare e do poeta do século XVIII Alexander Pope. Chamam-se, por exemplo, Julieta, Rosalinda, Desdêmona e Belinda. Fora da comunidade científica, os satélites do sistema solar, com exceção do que orbita a Terra, não costumam despertar tanta curiosidade quanto os planetas. Agora, com as informações obtidas pelas sondas espaciais de que os satélites abrigam condições favoráveis à vida, eles podem vir a ocupar o centro das atenções.
Um novo espião no céu
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