Imagem da Semana
Resgate animal
Pelo menos uma
história de redenção no Iraque,
mesmo que com protagonista
canina

Vilma Gryzinski
Hadi
Mizban/AP
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Já que pouca gente liga para os humanos que continuam
sendo mortos em lugares como Iraque, Afeganistão e Paquistão, que
tal uma comovente história de cachorro salvo por milagre? Não deu
outra: o resgate da cadela Liza das ruínas de um atentado a bomba em Bagdá
rendeu muito mais curiosidade do que o ataque em si na verdade, cinco,
coordenados para causar o maior estrago possível, com um total de 127 mortos.
Liza ficou sozinha, presa pela coleira, ao lado de uma tigela estorricada, no
que restou do teto da casa de seu dono, Farouq Omar Muhei. Os vizinhos acharam
que ele tinha morrido na explosão, mas Muhei sofreu só ferimentos
leves e saiu direto do hospital para buscar Liza. Um irmão dele subiu pelos
escombros, soltou a bichinha e a entregou, trêmula, nos braços do
dono. Na rua, a primeira coisa que ela fez foi tomar água de uma poça.
Quanto aos humanos, um final feliz parece remoto. Os atentados voltaram a recrudescer,
os iraquianos responsáveis pela segurança caem a cada novo ataque
e os americanos interferem muito pouco só preparam a própria
retirada, uma operação logística de dimensões babilônicas.
Os autores são iraquianos sunitas ou outros árabes da mesma ala
unidos sob a bandeira do fundamentalismo; e as vítimas, quase todas xiitas.
Mas mesmo em países muçulmanos só se fala vagamente em "violência
sectária", dentro do princípio geral de que inocente bom é
inocente morto por americanos. "A lista de alvos não terminará
enquanto a bandeira do monoteísmo não for hasteada de novo",
avisou a Al Qaeda no Iraque. Tradução: xiitas, considerados idólatras
pelos radicais do outro lado, continuarão a viver num mundo-cão.
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