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Mensalão no Distrito Federal"Ao longo dos anos, VEJA tem mostrado aos homens de caráter
duvidoso que o crime não compensa. Mais cedo ou mais tarde, seus nomes
acabam na sarjeta e toda a sujeira vem à tona." A capa de VEJA retrata bem a dimensão que a corrupção
tomou no Brasil. Quando pensávamos que não nos sujeitariam a um
novo grande escândalo, eis que esse grupo de delinquentes, alguns baseados
em Brasília, outros apenas hospedados lá, nos brindam com esse
presente infame. Contudo, nós, eleitores, temos nossa parcela de culpa,
pois pouco nos ocupamos no período eleitoral com o passado
dos candidatos e não raras vezes tratamos do assunto como coisa de somenos
importância. Enquanto o eleitor não se conscientiza da relevância
de seu voto e não faz a sua parte, expurgando esses safados da vida pública,
espero que o Ministério Público, o Judiciário e a imprensa
responsável façam a sua. Parabéns a VEJA por estar tão
brilhantemente desempenhando o papel que lhe cabe ("Poder, dinheiro, corrupção
e... impunidade", 9 de dezembro). A diferença que existe entre o Brasil e os países
onde há igualdade de direitos e justiça social é que naqueles
os corruptos são destituídos do cargo e vão para a cadeia,
enquanto aqui a Justiça reluta em aplicar a lei (sabe-se lá por
quais razões) e os corruptos riem da nossa cara. Enquanto nós, eleitores, continuarmos a aceitar essa invasão
de corruptos nos governando, isso nunca terá fim. Quem vota pensando em
ganhar cesta básica, Bolsa Família, bolsa celular etc. vai
continuar colocando no governo pessoas que querem nada mais do que desviar
dinheiro público para comprar bolsa de grife.... Nasci em Brasília. Em 1999 fui embora para Natal, onde
passei maravilhosos dez anos. Neste ano retornei à capital federal e,
estarrecida, recebo este presente de Natal: corrupção, propinas,
impunidade, safadezas. Nada mudou, e o povo sofre. Sinto raiva, revolta e vergonha
dos sem-vergonha que enganam e fingem governar Brasília e ao mesmo tempo
enchem os bolsos e as meias com o nosso dinheiro. Um povo que premia mensaleiros com novo mandato e altos
índices no ibope não tem moral para se indignar com as reedições
dos mensalões. Recebi minha VEJA - coisa que faço desde 1968 -
e fiquei surpreso. Antes ávido pelas notícias escandalosas de
nossos políticos, estava calmo, entorpecido como o doente mental que
toma mais um remédio para sua doença. Mais tarde isso me preo-cupou:
nossa capacidade de tolerância. O corrupto causa apenas uma comoção
momentânea. Depois passa. Poucos se lembraram do senhor Arruda no escândalo
do painel do Senado, anos atrás. Graças a Deus VEJA nos mostra
essa vergonha. Para que fiquemos acordados. Que essa tolerância acabe
por meio da informação. Esse é o maior antídoto
contra a corrupção. A propósito da reportagem de capa da edição
da semana passada, as empresas Brasif repelem, energicamente, toda insinuação
que envolva seu nome com qualquer prática ilícita, bem como a
de que é "empresa ligada ao DEM". Em seus 45 anos de atividade,
a Brasif não teve filiação partidária nem ligação
com nenhum partido ou grupo político. Esclarece que não participou
de licitações nem mantém contrato de prestação
de serviços com o governo do Distrito Federal e com suas empresas públicas.
Carta ao LeitorNo editorial "Cadeia para os corruptos" (Carta ao Leitor,
9 de dezembro), VEJA diz que "não se está sugerindo que eles (os políticos corruptos) se suicidem...". Mas por que não?
É uma ideia excelente, e seria sensacional se conseguíssemos isso.
Porém, sendo eles como são, essa atitude é a que menos
se poderá esperar dessa cambada. VEJA se apressou em esclarecer que não está sugerindo
aos nossos corruptos que se suicidem ao vivo e em cores, como o político
americano Budd Dwyer o fez, em 1987, mas temo que a população
queira que o "bom exemplo" seja rigorosamente seguido por aqui.
Até porque corruptos na cadeia poderiam corromper o sistema.
HondurasEstá em fase de consolidação a última
de uma série de derrotas da política externa brasileira protagonizadas
pelo nosso pequeno grande homem Celso Amorim. Essa com direito a um troféu
ambulante que deverá vir para o Brasil: Manuel Zelaya ("Pegue seu
chapéu...", 9 de dezembro).
DatasFirme, corajosa, coerente e exemplar foi como a competente juíza
Luciana Novakoski de Oliveira, da 2ª Vara Cível do Foro Regional
de Pinheiros, em São Paulo, proferiu a sentença que negou o pedido
de indenização solicitado por Fábio Luís Lula da
Silva, o Lulinha, contra a Editora Abril e o jornalista Alexandre Oltramari
(Datas, 9 de dezembro). É com atos desse quilate e posições
assumidas em favor da liberdade de imprensa e do estado democrático e
de direito que a Justiça nos acena com esperança, fazendo-nos
acreditar que nem só de impunidade, desonestidade e ausência de
ética vive este país.
Pais não são mãesMeu marido sempre foi, por vontade própria, pai dedicado
e atencioso, que troca fraldas, dá banho nas crianças e faz o
que for preciso. Entretanto, as crianças o procuram mais para brincar
do que para resolver assuntos emocionais, como nas oca-siões em que pedem
aconchego ou consolo. Enquanto eu lia a reportagem "Papai não é
mamãe" (9 de dezembro), ele ouvia mais uma vez de um dos meus filhos:
"Você não, eu quero a mamãe!". Tenho orgulho do meu marido. Desde o nascimento de nossa primeira
filha, Júlia, ele me ajuda muito. Por ele ter muito mais tempo, acaba
fazendo mais tarefas que eu: trocar fralda, fazer mamadeira, colocar para dormir
é tarefa dele. Temos três filhas: uma de 6 anos, outra de 2 e a
caçula de 6 meses. Ele é meu orgulho. Não conseguiria cuidar
delas sem a ajuda dele. E isso faz com que eu o ame ainda mais. Excelente a reportagem "Papai não é mamãe".
Creio que não fazemos ideia da quantidade de compromissos e funções
que nós, homens e mulheres de hoje, assumimos, forçados por uma
moral bonitinha, mas danada de ordinária. São válidos os princípios evolutivos que
a reportagem usa para justificar aptidões de homens e mulheres em relação
ao cuidar dos filhos. No entanto, achar que nossa herança ancestral determina
essa capacidade e que estamos biologicamente fadados a esse comportamento é
fatalismo e retrocesso. O ser humano tem, por séculos, rompido barreiras
vestigiais de seus ancestrais. A prova disso são comportamentos impensáveis
para nossos avós geológicos, como adotar uma criança sem
nenhuma relação genética consigo e investir esforços
no tratamento de uma com anomalia genética ou doença incurável.
Além disso, afirmações como "os homens não
são fisicamente adaptados para cuidar dos filhos com a mesma desenvoltura
que as mulheres" denotam uma visão preconceituosa, desde que o trato
diário com uma criança - como dar banho e trocar fralda -,
se pensado de forma prática, requer somente habilidade manual e conhecimentos
mínimos que podem ser adquiridos em qualquer livro ou website especializado.
Jean-Pierre LebrunA entrevista do psicanalista francês Jean-Pierre Lebrun,
nas páginas amarelas de VEJA (9 de dezembro), trouxe afirmações
básicas, porém muito importantes em relação à
"arte" de criar filhos. Concordo integralmente com suas afirmações,
porém reputo como a mais importante delas a contida no título
da entrevista: "Ensinem seus filhos a falhar". Realmente não
é hora de querer criar superfilhos, quando eles querem apenas ser adultos
felizes. É impressionante como nós, pais, não nos
damos conta de que estamos sempre interferindo no processo de humanização
de nossos filhos, com a desculpa de querer o melhor para eles. Excelente a entrevista
com o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun: "Ensinem os filhos a falhar".
Criar filho nos tempos atuais não é tarefa fácil, e realmente
é preciso "tirar a chupeta" deles e ensinar-lhes que a
palavra "não" também faz parte da vida.
AutobronzeadoresEsclarecedoras as informações sobre os autobronzeadores
na reportagem "Autobronzeadores. Sem sol e sem risco" (Guia, 9 de
dezembro), principalmente quando reforçam os perigos da exposição
ao sol e sua relação com o câncer de pele. Ao contrário
do que apregoam defensores do "bronzeado", nós, cirurgiões
plásticos e dermatologistas, temos acompanhado anos de pesquisas científicas
sérias que confirmam os perigos da exposição aos raios
ultravioleta, seja do sol, seja das câmaras de bronzeamento. O melanoma
é um tipo de câncer que facilmente se "espalha" e pode
levar rapidamente à morte. Antes de pensar na beleza, é necessário
se conscientizar da saúde.
PróstataMuito adequado o título da reportagem "Ataque da luz
verde" (2 de dezembro), pois o laser GreenLight HPS realmente ataca
e soluciona os constrangedores problemas originados pela hiperplasia da próstata
com muita segurança e de maneira duradoura para uma população
de homens que vive sob o efeito de medicações para ter uma melhor
qualidade de vida. Além disso, prestou enorme serviço ao
difundir o teste da próstata, pois há muitos homens que não
sabem que estão doentes nem que existe tratamento. O que VEJA não
contou é que o GreenLight tem também sua versão para aplicação
em outra temida doença urológica, a litíase, ou calculose
urinária, na qual as pedras são eficientemente desintegradas.
Tal equipamento possibilita ainda o tratamento interno em qualquer localização
do sistema urinário, de ambos os sexos, deixando de lado as extensas
cicatrizes. Para nós, urologistas, há sim uma luz no fim do túnel.
E ela é verde.
Bolívia e a cocaVEJA apresenta o governo boliviano como responsável por
fatos que ocorrem em território da Bolívia com efeitos no Brasil
("Coca para ele; cocaína para nós", 2 de dezembro).
O governo boliviano, presidido pelo excelentíssimo senhor Evo Morales,
em uso e cumprimento dos preceitos constitucionais, determinou a nacionalização
de recursos naturais e implementou mudanças muito importantes e de relevância
na luta contra o cultivo ilegal da folha de coca, a produção e
o tráfico de drogas. Os atores da sociedade civil não devem se
esquecer de que a luta contra a produção, o consumo e o tráfico
de drogas e os delitos transfronteiriços são uma tarefa de responsabilidade
conjunta de todos os estados. Lamentavelmente, a realidade é diferente.
A produção da droga se dá em maior quantidade quando existem
potenciais mercados externos.
Maílson da NóbregaOportunas as considerações de Maílson da
Nóbrega sobre o pré-sal ("Pré-sal, a vingança
do retrocesso", 2 de dezembro). Com efeito, a PetroBrasil terá inicialmente
130 funcionários e pelo menos 50% dos comitês operacionais de cada
bloco explorados pela Petrobras. O governo manifesta seu ímpeto estatizante
com a criação da empresa.
Correção: na reportagem "O verdadeiro impostor" consta que o Lorient foi campeão francês de 2002. Na realidade, a equipe conquistou naquele ano a Copa da França. O campeonato francês de 2002 foi ganho pelo Lyon. • O fundador do Pão de Açúcar foi Valentim Diniz, e não seu filho, Abilio ("Um casamento de 19 bilhões de reais", 9 de dezembro). |