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Gisela Mac Laren é bonita, durona e quer voar
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Ernani d`Almeida![]() |
FERRO E OURO Gisela com o uniforme habitual: terninho preto, muitas joias e visão ácida dos homens. E das mulheres também |
Bling, bling, bling. O tilintar das joias anuncia: lá vem Gisela Mac Laren. E indica: para andar desse jeito, à luz do dia, só sendo muito rica. E poderosa. Quando a cantora Madonna veio ao Brasil, em novembro, pediu que assessores do governo do Rio de Janeiro indicassem uma mulher assim para levar uma conversa. Bling, bling, bling, apareceu Gisela, 41 anos, única mulher no mundo a comandar um estaleiro, o Mac Laren Oil, sediado em Niterói, com faturamento de 50 milhões de dólares em 2008 e planos de chegar a 1 bilhão e meio em três anos. No momento, envolvida até a raiz dos longos cabelos na projetada construção de um dique seco para a produção e o reparo de plataformas de exploração de petróleo, prevendo a explosão de encomendas em decorrência da exploração do pré-sal. É um negócio, evidentemente, em que não existe separação entre igreja e estado. Quando o projeto de 140 milhões de reais (10% do Mac Laren, o restante do fundo da Marinha Mercante) foi aprovado, Gisela encontrou-se com o presidente Lula no Palácio da Alvorada. "Fumamos duas cigarrilhas juntos. Ele estava radiante com o dique. Metalúrgico de alma, né?", relata.
E apreciador da beleza feminina, um quesito que sempre impressiona nessa carioca neta de escoceses (a família é a mesma da equipe McLaren da Fórmula 1), mãe de dois adolescentes, corpinho de menina moldado pelos melhores cirurgiões. Daí os apelidos que circulam nos meios empresariais e políticos: Gisela Ferrari, "por ser uma supermáquina", ou Cleópatra, "porque parece uma rainha egípcia, de tanta joia e de tão bonita". Voltamos às joias. Gisela guarda-as num banco e faz rodízio. "Vou lá e retiro as peças que vou usar no mês. Depois troco tudo", conta. Nem é preciso dizer que tem um tremendo esquema de segurança. A propósito, César Monteiro de Carvalho, o terceiro e atual marido, e "o primeiro em quem não mando", é secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro. Os dois se conheceram porque Gisela emprega detentas em regime semiaberto. "Os metalúrgicos costumam beber muito e, por isso, tremem. Para solda e pintura, a mão feminina é muito mais firme", diz a empresária, cujo único vício é a maquiagem pesada.
Fundado há 71 anos, o Mac Laren Oil quase faliu na década de 90. Quando aconteceu a concordata, Gisela largou faculdade de economia e marido nos Estados Unidos e correu a ajudar (o único irmão é médico e não se interessa pelo negócio). "Consegui reerguer o estaleiro e em 2000 meu pai me passou a presidência", conta. Única mulher em quase todas as reuniões, desenvolveu uma visão dura do universo masculino. "Tenho de tratar com empresário bajulador, que cala a boca e abaixa a cabeça quando eu falo. Fico pensando como é que criaturas assim podem chegar em casa e manter a hombridade", espeta. Comentários assim evidentemente não conquistam amigos. "Esta madame se acha muito importante, mas é daqui para a frente que vamos ver se ela vai se dar bem", fustiga um anônimo. Gisela tampouco cultiva o mundinho feminino. Não vai a salão de beleza, tinge em casa as mechas loiras nas pontas ("com aquele pozinho de farmácia mesmo") e faz as próprias unhas. "Ir ao cabeleireiro me dá náusea. Começo a ver aquelas coxas marombadas, aqueles cabelos espichados na chapa, e acho tudo decadente. O pior de tudo é quando as mulheres começam a falar dos maridos. Eu sei quem são os maridos. Eles levam propina, extorquem outros empresários e depois vão cantar de galo em casa", diz sem mudar o tom de voz Gisela é uma lady em tempo integral, que fala baixo e gesticula pouco.
Com mais de 150 pares de sapatos, de preferência Dior, "porque são molinhos", seu closet "é uma imensidão negra": Gisela veste terninho preto todo santo dia. Nos fins de semana, permite-se rodadas de chope e pratica seus dois hobbies, cantar e pilotar monomotor. Pois é, a mulher dos navios adora aviões. Tem brevê e está na fila para comprar um jatinho. Quando se sente muito estressada, aluga um estúdio e grava um CD com sucessos de Maria Bethânia e Alcione. "O poder me deixa sisuda. Mas eu não acho ruim ser assim. Mulher empresária não pode ser boa-praça", diz. Sobre Madonna, conta que lhe pediu doação para uma organização que se dedica a espiritualizar crianças. Respondeu Gisela, que patrocina várias causas sociais: "Madonna, aqui no Brasil não tem esse negócio de espiritualizar criança pobre. Aqui você tem de dar comida para elas, entendeu?". Deram-se bem, combinaram que Gisela doará 2,5 milhões de dólares para abrirem uma fundação em prol da infância e que as duas vão visitar a obra assistencial da cantora no Malaui. "Mas não agora. Madonna acha que tem muito mosquito nesta época", ressalva.