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Cinema Ciência
trash Quem Somos Nós?
mistura física e auto-ajuda  Isabela
Boscov
Divulgação
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feliz até o último átomo |
Na
primeira meia hora, Quem Somos Nós? (What the #$*! Do
We (K)now!?, Estados Unidos, 2004), que estréia nesta sexta-feira no
país, até promete. Misto de documentário e dramatização
protagonizada pela atriz Marlee Matlin, ele parece querer familiarizar a platéia
com alguns conceitos básicos da física quântica. Por exemplo,
de onde vem a nossa sensação de que o tempo segue uma seta, quando
para essa ciência não existe diferença entre passado e futuro.
Ou por que a matéria nos parece sólida, se ela é um amontoado
quase insubstancial de partículas. Considerando que a física quântica
é de uma abstração quase impenetrável (até
para os físicos), o esforço deveria ser aplaudido, e a pobreza dos
recursos visuais e dramáticos do filme, perdoada. Mas não se deve
gastar boa vela com mau defunto e Quem Somos Nós? é
dos piores. Passada essa introdução, ele descamba para a baboseira
que, na verdade, quer advogar: um casamento promíscuo de junk science
com filosofia new age e auto-ajuda. Pelo que se depreende de sua exposição
confusa, os diretores e os pseudoluminares entrevistados por eles acreditam que
o pensamento influi na realidade e no organismo do homem em nível molecular,
e que basta dominar esse processo para ser feliz. Isso não é ciência,
é superstição. E Quem Somos Nós? não
passa de desserviço. |