Edição 1931 . 16 de novembro de 2005

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Cinema
Ciência trash

Quem Somos Nós? mistura física e auto-ajuda


Isabela Boscov

 
Divulgação
Marlee: feliz até o último átomo

Na primeira meia hora, Quem Somos Nós? (What the #$*! Do We (K)now!?, Estados Unidos, 2004), que estréia nesta sexta-feira no país, até promete. Misto de documentário e dramatização protagonizada pela atriz Marlee Matlin, ele parece querer familiarizar a platéia com alguns conceitos básicos da física quântica. Por exemplo, de onde vem a nossa sensação de que o tempo segue uma seta, quando para essa ciência não existe diferença entre passado e futuro. Ou por que a matéria nos parece sólida, se ela é um amontoado quase insubstancial de partículas. Considerando que a física quântica é de uma abstração quase impenetrável (até para os físicos), o esforço deveria ser aplaudido, e a pobreza dos recursos visuais e dramáticos do filme, perdoada. Mas não se deve gastar boa vela com mau defunto – e Quem Somos Nós? é dos piores. Passada essa introdução, ele descamba para a baboseira que, na verdade, quer advogar: um casamento promíscuo de junk science com filosofia new age e auto-ajuda. Pelo que se depreende de sua exposição confusa, os diretores e os pseudoluminares entrevistados por eles acreditam que o pensamento influi na realidade e no organismo do homem em nível molecular, e que basta dominar esse processo para ser feliz. Isso não é ciência, é superstição. E Quem Somos Nós? não passa de desserviço.

 
 
 
 
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