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Saúde O
chocolate sem culpa Novo produto, com
mais cacau, promete prevenir as doenças cardíacas sem perder
o sabor  Tiago
Cordeiro
Os médicos recomendam cautela
com o chocolate e a balança teima em lembrar que ele é um de seus
maiores inimigos. Mesmo assim, essa iguaria inventada pelos astecas e levada para
a Europa pelos conquistadores espanhóis permanece como uma das maiores
tentações a que pouca gente resiste no terreno da
gastronomia. A Mars, uma grande indústria de alimentos, acaba de lançar
nos Estados Unidos um produto que, promete a empresa, colocará de vez o
chocolate no rol dos alimentos que se podem comer sem susto. Batizado de CocoaVia,
ele tem o dobro do cacau existente nos chocolates comuns, chamados genericamente
de "ao leite". Isso faz com que abrigue em sua composição um elevado
grau de flavonóis, substâncias que contribuem para prevenir a hipertensão
e dilatar os vasos sanguíneos, evitando o acúmulo de gordura. Ou
seja, concorrendo para diminuir o risco de ataques cardíacos. A fórmula
do CocoaVia tem ainda a adição de esteróis naturais, tirados
do óleo de canola, substância que ataca o colesterol ruim. A Mars
aconselha que o novo produto seja consumido como um suplemento alimentar ou remédio,
à razão de duas pequenas barras por dia.
A questão central é se o mundo realmente precisa de um chocolate
que também funciona como remédio. Chocolates com alta concentração
de cacau não são novidade. Os do tipo amargo também têm
por volta de 60% de cacau em sua composição a diferença,
no caso do CocoaVia, é que o processamento é feito por um sistema
capaz de extrair o máximo de flavonóis da fruta. Chocolates amargos
são menos saborosos do que aqueles ao leite. Embora os gourmets, sempre
um tanto excêntricos, defendam que o verdadeiro chocolate é o que
tem muito cacau, a guloseima pela qual a humanidade se derrete é aquela
que não contém mais de 30% do produto em sua composição.
Esse é o padrão seguido pelos fabricantes dos mais famosos chocolates
suíços, franceses e belgas em sua linha principal de produtos.
Nos Estados Unidos, o consumo de chocolate amargo aumentou 31% nos últimos
cinco anos, justamente na esteira das pesquisas médicas que apontam os
benefícios dos flavonóis. Mas o chocolate ao leite ainda detém
80% do mercado. No Brasil, o chocolate amargo não chega a representar 1%
do consumo. Os flavonóis são bons coadjuvantes na prevenção
de doenças cardíacas, mas estão presentes também em
outros alimentos, como a laranja, a maçã, o chá verde e o
vinho tinto. Duas taças de Bordeaux de boa cepa têm a mesma quantidade
de flavonóis que uma barra de chocolate amargo. A favor do novo produto
da Mars está o fato de que ele traz 30% menos calorias do que o chocolate
ao leite. É uma boa notícia. Resta saber se o produto será
capaz de levar os chocólatras ao estado de graça que só o
chocolate pode produzir. |