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Edição 1 773 - 16 de outubro de 2002
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DVDs

Columbia Pictures

O Aranha: primeiro no Brasil


Homem-Aranha
(Spider-Man, Estados Unidos, 2002. Columbia) – Um dos recordistas de bilheteria deste ano, Homem-Aranha sai por aqui em DVD no dia 17 em primeira mão, duas semanas antes de seu lançamento nos Estados Unidos – uma aposta da Sony Pictures no potencial do Brasil como consumidor desse tipo de produto. O disco duplo traz os extras de praxe (making of, erros de filmagem) e mais um pouco, na forma de tudo aquilo que você queria saber sobre o personagem criado pelo americano Stan Lee. Só não há cenas deletadas do original para apreciar, já que a produção foi planejada com tanto cuidado que simplesmente não deixou sobras. O mais bacana, claro, continua sendo o filme do diretor Sam Raimi, talvez a melhor adaptação de um quadrinho para o cinema até o momento. "Desde pequeno adoro o Homem-Aranha. Quando acaba de salvar o mundo, ele tem de voltar para casa, fazer a lição e arrumar o quarto. Está aí um sujeito com que eu era capaz de me identificar", disse Raimi em entrevista a VEJA. O diretor já está se preparando para rodar Homem-Aranha 2, mas se recusa a dizer qualquer coisa sobre a continuação. "Na verdade, eu não queria gravar nem a trilha de comentários em áudio para esse DVD. Sempre que eu ouço um cineasta falando sobre o seu filme, é uma decepção. Invariavelmente, eu imagino que as idéias dele são muito mais profundas do que na realidade. Acho que no meu caso vai ser a mesma coisa", diz o modesto Raimi.
Especial Homem-Aranha.

20th Century Fox
Scott, como Patton: polêmica


Patton, Rebelde ou Herói?
(Patton, Estados Unidos, 1970. Fox) – Chega a ser sublime o desempenho de George C. Scott como o lendário general americano que comandou algumas das mais duras e decisivas campanhas da II Guerra. Inquieto, volátil e intensamente individualista – como seu personagem –, Scott expõe os lados atrozes de Patton: o fanatismo, os ataques de ira, as declarações calamitosas. Mas transforma esses pecados na razão de ser das suas virtudes. Com roteiro de Francis Ford Coppola e direção de Franklin J. Schaffner (de Planeta dos Macacos), o filme permanece tão polêmico quanto seu personagem. Scott o fez como um libelo antiguerra, enquanto outros enxergam nele justamente uma glorificação do militarismo. Sugestão: prefira o ponto de vista do ator.

 

LIVROS



Cacaso: "a estampa de 1968"

Lero-Lero, de Cacaso (Cosac&Naify; 304 páginas; 35 reais) – Como disse o crítico Roberto Schwarz, Antônio Carlos de Brito, o Cacaso, tinha "a estampa de 1968": usava cabelão, óculos redondos, bolsa de couro. Nos anos da ditadura, ele deixou uma marca importante na cultura brasileira. Escreveu para jornais, editou livros, foi letrista de MPB e, principalmente, poeta. Seguidor de Manuel Bandeira, esse mineiro de Uberaba buscou o coloquialismo e a simplicidade em seus versos. É um caminho perigoso, que pode resultar em obras irrelevantes, mas não foi o que ocorreu com ele. Sua poesia só não chegou a um ponto mais alto de depuração por causa de sua morte prematura, em 1987, aos 43 anos, vítima de infarto. Essa coletânea reúne todos os livros que Cacaso lançou entre 1967 e 1982, além de um grupo de inéditos.

A Cidade do Seu Destino Final, de Peter Cameron (tradução de Vitória Paranhos Mantovani; Best Seller; 336 páginas; 41 reais) – Autor de um livro de sucesso mundial, o escritor Jules Gund mergulha na amargura e comete suicídio. Vivendo de seu espólio, numa fazenda no interior do Uruguai, permanecem sua viúva, sua amante e a filha que teve com ela, seu irmão homossexual e o companheiro deste. Certo dia, o estranho grupo recebe a visita de um acadêmico que, vindo dos Estados Unidos, pede autorização para narrar a vida de Gund. Cria-se um jogo de tensões do qual ninguém sairá ileso. Com seu talento para criar diálogos e tecer subentendidos, o americano Peter Cameron faz lembrar um clássico como seu conterrâneo Henry James. Vale a pena investir nesse belo romance, de um autor ainda desconhecido no Brasil.

 
Lewis: edição especial de seu clássico infantil

As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis (tradução de Paulo Mendes Campos e Silêda Steuernagel; Martins Fontes; 524 páginas; 89 reais) – Com 100 milhões de livros vendidos desde os anos 50, As Crônicas de Nárnia é uma das criações mais célebres da literatura infantil. Mostra um mundo mágico habitado por seres mitológicos e animais falantes, descoberto por quatro crianças dentro de um guarda-roupa. Seu autor, o britânico C.S. Lewis, era amigo do criador de O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien, que criticou duramente o trabalho antes do lançamento do primeiro volume. Lewis não levou isso em conta e continuou a saga, que pode ser lida como alegoria da história do cristianismo. Essa bela edição reúne os sete livros da série, com a clássica tradução do cronista Paulo Mendes Campos e versões colorizadas das ilustrações originais. Leia trechos do livro.

 

DISCOS


Divulgação
Manu Chao: coquetel de ritmos

Radio Bemba Sound System, Manu Chao (Virgin) – Nos anos 90, o cantor francês Manu Chao, ex-líder do grupo pop Mano Negra, rodou a América Latina e a África munido apenas de um gravador e um violão. A partir dos ritmos que coletou pelo caminho e de parcerias com músicos locais, compôs dois álbuns que fornecem um saboroso mosaico dessas culturas. Radio Bemba Sound System é uma síntese de suas andanças. Contém 29 canções extraídas desses discos, gravadas ao vivo durante uma turnê que se iniciou em 2000 e rodou por países como o Brasil, a Colômbia e o Japão. Não faltam no CD as faixas mais conhecidas do artista, como Bienvenida a Tijuana, Que Paso Que Paso e Clandestino. É um coquetel que passa pelo reggae, ska, rumba – tudo sob roupagem dançante.

 
The Hacker e Miss Kittin: em alta nas pistas

First Album, Miss Kittin & the Hacker (Universal) – Francesa radicada na Suíça, Caroline Herve – ou Miss Kittin – é uma das figuras mais festejadas da música eletrônica. Ela é expoente de uma vertente que está em alta nas pistas: o electro. Trata-se de um gênero que usa e abusa de sintetizadores à moda dos anos 80, inspirado em grupos como o Soft Cell, e traz os vocais de volta ao primeiro plano, num momento em que ninguém mais agüenta o bate-estaca do velho tecno. Aliando uma voz doce a letras nem um pouco inocentes, Miss Kittin e seu parceiro, o disc-jóquei francês The Hacker, fazem desse First Album um petardo que não pode faltar em nenhuma pista de dança moderninha. O disco traz o hit Frank Sinatra, além de outras faixas de rachar o assoalho, como Stock Exchange.

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler, Nobel; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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