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Essa mulher é um vulcão

Aos 46 anos, Kim Cattrall é a maior
atração da série Sex and the City

Marcelo Marthe


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Sucesso na televisão americana há quatro anos, o seriado Sex and the City tornou-se referência comportamental. Suas heroínas, quatro amigas nova-iorquinas que são solteiras e liberalíssimas quando o assunto é sexo, viraram ícones de um certo neofeminismo (aquele que não dispensa sapatos de 500 dólares). No Brasil, o programa também já conquistou seu público. Transmitido pelo canal Multishow desde agosto, é um dos dez seriados mais vistos da TV paga – com uma audiência composta em 65% de mulheres. Embora sua protagonista seja a escritora Carrie (Sarah Jessica Parker), uma outra personagem traduz melhor o espírito da série: a relações-públicas Samantha, quarentona que não perde uma chance de desfrutar as delícias da carne. Ela já fez amor num carro de bombeiro (com um jovem representante da categoria) e se enroscou com outras mulheres. "Sou trissexual", diz a personagem. A assanhada Samantha é o maior papel na carreira de Kim Cattrall, atriz inglesa criada no Canadá, que por muito tempo foi lembrada por comédias trash como Porky's. "Fiz filmes ridículos antes de me consagrar e só estava neles por causa do meu corpo", reconheceu ela em entrevista a VEJA.

Aos 46 anos, Kim está enxutíssima. Recentemente, aproveitou a fama para lançar, em parceria com o marido, o músico de jazz Mark Levinson, um manual de auto-ajuda: Satisfação – A Arte do Orgasmo Feminino. O livro (sim, ilustrado) ensina como aumentar o prazer a dois. Tem lições impróprias para esmiuçar aqui, como um exercício de "turbo-língua". "Nascemos dotados do equipamento para fazer sexo, mas é preciso um aprimoramento técnico desses recursos", diz Kim. No prefácio, ela afirma que só alcançou o verdadeiro prazer há quatro anos, depois de casar pela terceira vez. "Passei décadas tendo relações pouco intensas e agora quero dividir minha experiência com minhas fãs."

Kim mantém a forma comendo "só alface" e odeia televisão a ponto de não ter o aparelho em casa. A brasileira Sonia Braga entrou em seu rol de amizades desde que fez uma participação especial em Sex and the City. Especial, não, especialíssima. Ambas foram protagonistas de uma cena de lesbianismo que causou barulho nos Estados Unidos no ano passado – e que deverá ser mostrada por aqui em 2003. "A empatia entre nós foi enorme. Amo Sonia", derrete-se a atriz. Na mais recente temporada da série, em exibição na televisão americana, os roteiristas resolveram economizar nas cenas picantes e injetar mais temas sérios. Só mesmo a personagem Samantha passou incólume por essas mudanças: num dos episódios, tasca um beijo numa bissexual vivida pela popozuda Jennifer Lopez.

Durante quase toda a sua carreira, Kim Cattrall interpretou personagens que são o estereótipo da mulher-objeto. Ficou tão marcada por isso que as pessoas à sua volta muitas vezes confundem a Kim real com a das telas. Um namorado chegou a pedir que ela fizesse amor usando um quepe, como o de sua personagem em Loucademia de Polícia. A atriz encara com tranqüilidade esse tipo de fantasia, mas prefere ressaltar o lado mais profundo, digamos assim, de seus papéis. Samantha, por exemplo, representa para ela um avanço na forma como o cinema e a televisão americana retratam as mulheres. "Em Hollywood prevalece a idéia de que o papel da mulher é casar e ter filhos. As mais liberadas, ainda hoje, são tratadas como prostitutas", dispara.

   
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