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| Isabelle:
as razões banais do mal |

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Isabelle
Huppert e o diretor francês Claude Chabrol nasceram um para o outro.
Em A Teia de Chocolate (Merci pour le Chocolat, França/Suíça,
2000), sua sétima colaboração desde 1978, as razões
dessa afinidade podem ser observadas em sua forma mais plena. No filme
que estréia nesta sexta-feira em São Paulo, Isabelle é
a suíça Mika, herdeira de uma fábrica de chocolates
em Lausanne, e acaba de se casar com o pianista viúvo André
Polonski, seu amigo de longa data. A notícia do casamento traz
à tona uma revelação. Quando o filho de Polonski
com sua primeira mulher nasceu, ele quase foi trocado na maternidade por
uma menina chamada Jeanne. Ou será que não foi mesmo? Jeanne,
que se transformou numa jovem pianista, vai atrás de seu possível
pai. É muito bem recebida por ele e por Mika, que mantém
também um relacionamento afetuoso com o enteado. Pequenos gestos,
porém, chamam a atenção da jovem para o que ela suspeita
ser um comportamento sub-reptício e nefasto em Mika. Como em outras
de suas grandes parcerias com Chabrol, como Um Assunto de Mulheres
e Mulheres Diabólicas, Isabelle põe sua inteligência
a serviço de um dos temas prediletos do diretor: os motivos banais,
ou mesmo a ausência de qualquer motivo a não ser a simples
possibilidade, que levam uma pessoa e particularmente uma mulher
a exercitar o mal ou a destruição. O resultado é
nada menos que brilhante.
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