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Edição 1 773 - 16 de outubro de 2002
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Como leite e café

Isabelle Huppert é, de novo,
a atriz perfeita para Chabrol

Isabela Boscov

 
Pandora Filmes
Isabelle: as razões banais do mal


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Trailer do filme

Isabelle Huppert e o diretor francês Claude Chabrol nasceram um para o outro. Em A Teia de Chocolate (Merci pour le Chocolat, França/Suíça, 2000), sua sétima colaboração desde 1978, as razões dessa afinidade podem ser observadas em sua forma mais plena. No filme que estréia nesta sexta-feira em São Paulo, Isabelle é a suíça Mika, herdeira de uma fábrica de chocolates em Lausanne, e acaba de se casar com o pianista viúvo André Polonski, seu amigo de longa data. A notícia do casamento traz à tona uma revelação. Quando o filho de Polonski com sua primeira mulher nasceu, ele quase foi trocado na maternidade por uma menina chamada Jeanne. Ou será que não foi mesmo? Jeanne, que se transformou numa jovem pianista, vai atrás de seu possível pai. É muito bem recebida por ele e por Mika, que mantém também um relacionamento afetuoso com o enteado. Pequenos gestos, porém, chamam a atenção da jovem para o que ela suspeita ser um comportamento sub-reptício e nefasto em Mika. Como em outras de suas grandes parcerias com Chabrol, como Um Assunto de Mulheres e Mulheres Diabólicas, Isabelle põe sua inteligência a serviço de um dos temas prediletos do diretor: os motivos banais, ou mesmo a ausência de qualquer motivo a não ser a simples possibilidade, que levam uma pessoa – e particularmente uma mulher – a exercitar o mal ou a destruição. O resultado é nada menos que brilhante.

   
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