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Edição 1 773 - 16 de outubro de 2002
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De onde vim?

No movimentado A Identidade
Bourne,
Matt Damon sabe tudo
– menos quem ele próprio é

Isabela Boscov

 
Divulgação
Damon, como Bourne: instintos que se manifestam sem que ele lembre como os adquiriu

Matt Damon começa A Identidade Bourne (The Bourne Identity, Estados Unidos, 2002) boiando no Mediterrâneo, com dois buracos de bala nas costas e uma cápsula com o número de uma conta na Suíça implantada na pele. Resgatado por um barco pesqueiro, ele não é capaz de explicar nem um mistério nem outro. Não lembra quem é nem o que faz. Mas sabe uma porção de outras coisas: falar alemão e francês, manejar armas, dirigir como um piloto e observar com precisão fotográfica tudo o que acontece à sua volta. É um excelente ponto de partida, e o diretor americano Doug Liman tira grande proveito dele. Adaptado do best-seller de Robert Ludlum, A Identidade Bourne, que estréia nesta sexta-feira no país, não preserva nada da prosa desleixada do autor, e tudo do seu senso de ritmo. Como Jason Bourne (seu nome presumível) vai descobrindo aos poucos, ele é um agente do governo americano que falhou numa missão. É, portanto, um arquivo a ser queimado, e a CIA se empenha quanto pode na tarefa. A seu favor, Bourne tem apenas o fato de que era dado como morto e a companhia de uma moça alemã (a maravilhosa Franka Potente, de Corra Lola, Corra) que não tem nada a perder e algo a ganhar em ajudá-lo.

Liman, que vem do cinema independente com os ótimos Swingers e Vamos Nessa, é um adepto da simplicidade e não se deixa deslumbrar pelo orçamento polpudo de Bourne. Em vez de dar a seus protagonistas acesso a traquitanas tecnológicas, ele privilegia as situações, a inteligência e a construção dos personagens. Em suas mãos, o interesse amoroso representado por Franka é isso mesmo – um interesse genuíno, e não apêndice do roteiro. Até à clássica cena em que o espião tinge o cabelo para se disfarçar ele empresta alguma novidade. É verdade que não existe nenhuma grande idéia por trás do filme. Mas há uma porção de pequenas boas idéias que, juntas, resultam num thriller à antiga, como O Dia do Chacal – e isso é um grande elogio –, acrescido de um delicioso sabor pop.

   
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