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De
onde vim?
No movimentado A Identidade
Bourne, Matt Damon sabe tudo
menos quem ele próprio é
Isabela Boscov
Divulgação
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| Damon,
como Bourne: instintos que se manifestam sem que ele lembre como os
adquiriu |
Matt
Damon começa A Identidade Bourne (The Bourne Identity,
Estados Unidos, 2002) boiando no Mediterrâneo, com dois buracos
de bala nas costas e uma cápsula com o número de uma conta
na Suíça implantada na pele. Resgatado por um barco pesqueiro,
ele não é capaz de explicar nem um mistério nem outro.
Não lembra quem é nem o que faz. Mas sabe uma porção
de outras coisas: falar alemão e francês, manejar armas,
dirigir como um piloto e observar com precisão fotográfica
tudo o que acontece à sua volta. É um excelente ponto de
partida, e o diretor americano Doug Liman tira grande proveito dele. Adaptado
do best-seller de Robert Ludlum, A Identidade Bourne, que estréia
nesta sexta-feira no país, não preserva nada da prosa desleixada
do autor, e tudo do seu senso de ritmo. Como Jason Bourne (seu nome presumível)
vai descobrindo aos poucos, ele é um agente do governo americano
que falhou numa missão. É, portanto, um arquivo a ser queimado,
e a CIA se empenha quanto pode na tarefa. A seu favor, Bourne tem apenas
o fato de que era dado como morto e a companhia de uma moça alemã
(a maravilhosa Franka Potente, de Corra Lola, Corra) que não
tem nada a perder e algo a ganhar em ajudá-lo.
Liman, que vem do cinema independente com os ótimos Swingers
e Vamos Nessa, é um adepto da simplicidade e não
se deixa deslumbrar pelo orçamento polpudo de Bourne. Em
vez de dar a seus protagonistas acesso a traquitanas tecnológicas,
ele privilegia as situações, a inteligência e a construção
dos personagens. Em suas mãos, o interesse amoroso representado
por Franka é isso mesmo um interesse genuíno, e não
apêndice do roteiro. Até à clássica cena em
que o espião tinge o cabelo para se disfarçar ele empresta
alguma novidade. É verdade que não existe nenhuma grande
idéia por trás do filme. Mas há uma porção
de pequenas boas idéias que, juntas, resultam num thriller à
antiga, como O Dia do Chacal e isso é um grande elogio
, acrescido de um delicioso sabor pop.
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