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Será que agora
cai?
O
Banco Central inverte a tática e, em
vez de vender dólares, vai diminuir o
estoque de reais do mercado financeiro

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Na manhã de sexta-feira passada, o presidente Fernando Henrique
dizia em São Paulo que o governo ainda tinha bala na agulha para
gastar na guerra que trava no mercado de câmbio. À tarde,
o Banco Central puxou o gatilho. O BC baixou um pacote de medidas cujo
efeito imediato sobre o preço do dólar foi sentido pelo
mercado. Depois de bater na cotação de 4 reais na tarde
de quinta-feira, o dólar caiu 4,26% e fechou a semana valendo 3,82
reais. Depois de semanas tentando não deixar a cotação
da moeda americana disparar aumentando a oferta de dólares, o BC
mudou de tática. Os técnicos do banco decidiram enxugar
o estoque de reais de modo que sobrem menos recursos para que as instituições
financeiras comprem moeda americana. Para fazer isso, o BC aumentou as
alíquotas dos depósitos compulsórios que os bancos
são obrigados a deixar sob a guarda do governo. A medida só
entra em vigor a partir do próximo dia 21 e deve retirar do mercado
cerca de 14,2 bilhões de reais. O Banco Central também limitou
a quantidade de dólares que os bancos podem ter, forçando-os
a vender parte de suas reservas em divisas. Até a semana passada,
cada banco poderia ter em dólares até 60% de seu patrimônio
líquido. Agora, esse limite foi reduzido para 30%.
Reuters
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| Armínio
Fraga: sem viés político |
"Nunca houve um viés político na atuação do
Banco Central. Não admito insinuação a esse respeito.
No exterior, quando afirmo que o Brasil tem rumo, dizem que estou a favor
da oposição", declarou o presidente do BC, Armínio
Fraga, dois dias antes do anúncio das medidas, ao responder a perguntas
de jornalistas sobre insinuações do PT de que ele não
estaria usando todo o arsenal a sua disposição para barrar
a subida do dólar. O objetivo seria criar um clima de pânico
que prejudicasse Lula, o candidato presidencial do PT. Por enquanto, as
novas medidas parecem ter funcionado mesmo num cenário em que as
outras variáveis adversas tenham mantido sua influência.
Elas são, como se sabe, a redução drástica
da entrada de dólares no país e a incerteza provocada pela
indefinição da futura política econômica a
ser adotada pelo candidato petista, que lidera as pesquisas de intenção
de voto para a Presidência da República. "Neste momento,
é compreensível que não se divulguem os nomes de
frente da equipe econômica, mas também não se pode
evitar que o mercado fique ansioso", diz Carlos Kawal, economista-chefe
do Citibank.
Não bastassem as turbulências provocadas pelo processo eleitoral,
no cenário interno o Brasil ainda guarda algumas particularidades.
Em meio à campanha da sucessão presidencial, vem ocorrendo
forte concentração de vencimentos de títulos públicos
atrelados ao dólar. É comum, nesses períodos, que
o câmbio fique pressionado. É a lei da oferta e da procura.
Isso porque quem detém a mercadoria tem interesse em que o preço
do dólar fique mais alto para obter maiores ganhos. De outro lado,
o governo tenta controlar o apetite do mercado, inibindo a desvalorização
do real. Na próxima quinta-feira estarão vencendo 3,6 bilhões
de dólares em papéis cambiais. Vai ser uma boa oportunidade
para testar o vigor das medidas baixadas pelo Banco Central na sexta-feira.
No campo da retórica, o Brasil recebeu uma ajuda interessante na
semana passada. Paul O'Neill, secretário do Tesouro dos Estados
Unidos, reconheceu que a pressão cambial no Brasil deverá
ceder depois das eleições.
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