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Novos
sócios no clube
Depois de muita espera, dez países
são aceitos pela União Européia
A União Européia finalmente definiu, depois de uma década
de deliberações, quais países vai aceitar como membros
e qual ficará de fora. Os novos sócios são dez vizinhos
pobretões: Polônia, Hungria, República Checa, Eslováquia,
Eslovênia, Lituânia, Letônia, Estônia, Malta e
Chipre. A candidatura recusada é a da Turquia, país que
solicita adesão desde 1963. Não foi aceita por reunir uma
série de encrencas das quais os europeus querem distância:
a maioria da população turca é muçulmana,
as mulheres são discriminadas, as prisões são abomináveis
e a minoria curda é perseguida. A decisão a respeito dos
novos sócios precisa ser ratificada em dezembro pelos quinze países-membros,
e a admissão será em 2004. Os candidatos tiveram de cumprir
algumas exigências preliminares, como adotar o regime democrático
e a economia de mercado. Dois deles, a Bulgária e a Romênia,
que não conseguiram, ficarão "em observação"
e podem ser admitidos em 2007.
A Turquia esforçou-se para se tornar um país mais "europeu".
Reformou a economia, aboliu a pena de morte e até criou mecanismos
para reforçar a democracia, tradicionalmente dependente do humor
das Forças Armadas. Nada disso adiantou. Também não
deu resultado o apoio dos Estados Unidos, que têm bases militares
em território turco e gostariam de ver a Turquia na União
Européia. Para complicar, foi aceita a inclusão de Chipre
na verdade, da parte da ilha de população grega.
A outra metade é dominada pelos turcos. A confirmação
da entrada na organização depende da unificação
da ilha, coisa que ficou mais difícil depois que a Turquia foi
esnobada. Todos esses países vêem a União Européia
como um tíquete para a prosperidade. Existem histórias formidáveis
de crescimento acelerado depois que os sócios mais ricos toparam
o desafio de financiar os mais pobres. A renda per capita de Portugal
triplicou depois do ingresso na União Européia. A Espanha
cresce sem parar há quinze anos. A Irlanda deixou de exportar mão-de-obra
barata, tornou-se um exportador de tecnologia e o desemprego lá
é mínimo.
A Comissão Européia já propôs que nos primeiros
dois anos de adesão os novos membros recebam 42 bilhões
de dólares de ajuda. Mas, nestes tempos de recessão, é
difícil que os governos europeus estejam dispostos a tirar tanto
dinheiro de seus cofres. Por não querer pagar a conta dos novos
sócios, os irlandeses, que só enriqueceram com a ajuda dos
vizinhos ricos, foram contrários à ampliação
do bloco em plebiscito feito no ano passado. Vão voltar às
urnas no final deste mês e, se tornarem a dizer não, poderão
atrasar o processo. Mesmo assim, alguns dos novos sócios da União
Européia já estão recebendo certos benefícios
pelo fato de ser quase da família. Empresas alemãs já
investiram alguns bilhões de dólares na Hungria e na Polônia,
tirando proveito da mão-de-obra barata e bem qualificada. A República
Checa recebe milhões de turistas vindos da Europa Ocidental.
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