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Edição 1 773 - 16 de outubro de 2002
Internacional Europa

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Novos sócios no clube

Depois de muita espera, dez países
são aceitos pela União Européia

A União Européia finalmente definiu, depois de uma década de deliberações, quais países vai aceitar como membros e qual ficará de fora. Os novos sócios são dez vizinhos pobretões: Polônia, Hungria, República Checa, Eslováquia, Eslovênia, Lituânia, Letônia, Estônia, Malta e Chipre. A candidatura recusada é a da Turquia, país que solicita adesão desde 1963. Não foi aceita por reunir uma série de encrencas das quais os europeus querem distância: a maioria da população turca é muçulmana, as mulheres são discriminadas, as prisões são abomináveis e a minoria curda é perseguida. A decisão a respeito dos novos sócios precisa ser ratificada em dezembro pelos quinze países-membros, e a admissão será em 2004. Os candidatos tiveram de cumprir algumas exigências preliminares, como adotar o regime democrático e a economia de mercado. Dois deles, a Bulgária e a Romênia, que não conseguiram, ficarão "em observação" e podem ser admitidos em 2007.

A Turquia esforçou-se para se tornar um país mais "europeu". Reformou a economia, aboliu a pena de morte e até criou mecanismos para reforçar a democracia, tradicionalmente dependente do humor das Forças Armadas. Nada disso adiantou. Também não deu resultado o apoio dos Estados Unidos, que têm bases militares em território turco e gostariam de ver a Turquia na União Européia. Para complicar, foi aceita a inclusão de Chipre – na verdade, da parte da ilha de população grega. A outra metade é dominada pelos turcos. A confirmação da entrada na organização depende da unificação da ilha, coisa que ficou mais difícil depois que a Turquia foi esnobada. Todos esses países vêem a União Européia como um tíquete para a prosperidade. Existem histórias formidáveis de crescimento acelerado depois que os sócios mais ricos toparam o desafio de financiar os mais pobres. A renda per capita de Portugal triplicou depois do ingresso na União Européia. A Espanha cresce sem parar há quinze anos. A Irlanda deixou de exportar mão-de-obra barata, tornou-se um exportador de tecnologia e o desemprego lá é mínimo.

A Comissão Européia já propôs que nos primeiros dois anos de adesão os novos membros recebam 42 bilhões de dólares de ajuda. Mas, nestes tempos de recessão, é difícil que os governos europeus estejam dispostos a tirar tanto dinheiro de seus cofres. Por não querer pagar a conta dos novos sócios, os irlandeses, que só enriqueceram com a ajuda dos vizinhos ricos, foram contrários à ampliação do bloco em plebiscito feito no ano passado. Vão voltar às urnas no final deste mês e, se tornarem a dizer não, poderão atrasar o processo. Mesmo assim, alguns dos novos sócios da União Européia já estão recebendo certos benefícios pelo fato de ser quase da família. Empresas alemãs já investiram alguns bilhões de dólares na Hungria e na Polônia, tirando proveito da mão-de-obra barata e bem qualificada. A República Checa recebe milhões de turistas vindos da Europa Ocidental.

 
 
   
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