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Eles não querem
fazer a guerra
A história
de reservistas israelenses
que se recusam a servir nos territórios
palestinos por se opor à ocupação militar

José
Eduardo Barella
Fotos AP
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AP
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| Soldado
israelense prende palestino e manifestação do Paz Agora: por uma solução
negociada |
David Zonshein,
um engenheiro eletrônico de 29 anos, tomou a decisão mais
difícil de sua vida em janeiro, depois de ter cumprido as três
semanas de serviço militar obrigatório anual no Exército
israelense na Faixa de Gaza. Tenente da reserva condecorado por bravura,
com experiência de combate no Líbano e nas Colinas de Golã,
Zonshein procurou seu superior no destacamento de pára-quedistas
para informar que não serviria mais na Faixa de Gaza nem na Cisjordânia
os territórios ocupados por Israel em 1967, onde vivem 3
milhões de palestinos e 200.000 colonos
judeus. Revoltado com as humilhações impostas à população
civil palestina pelo Exército israelense, Zonshein descobriu outros
cinqüenta reservistas insatisfeitos e decidiu agir. O grupo publicou
um manifesto na imprensa em que relata prisões arbitrárias,
destruição de casas e agressões contra idosos e crianças
que afirma ter presenciado. "Jurei que nunca mais vou entrar na casa de
um civil palestino e humilhá-lo na frente de seus filhos", disse
Zonshein. Foi assim que nasceu o Coragem para Recusar, que reúne
oficiais das Forças de Defesa de Israel que estão se negando
a atuar nos territórios ocupados. É a chamada "recusa seletiva",
já que esses militares não se opõem a servir no Exército,
desde que dentro das fronteiras propriamente ditas do país.
Conhecidos
como refuseniks, numa alusão aos judeus soviéticos
que lutavam pelo direito de emigrar para Israel, eles conseguiram atrair
a ira da cúpula militar e dividir a sociedade israelense. Cerca
de 500 militares, a maioria da reserva, aderiram ao movimento. Destes,
pelo menos 140 já cumpriram pena de trinta dias de prisão
por insubordinação. O número de refuseniks
é pequeno diante do efetivo de 173.000
soldados da ativa e de 445.000 da reserva que
formam as Forças de Defesa de Israel. A polêmica envolvendo
esses militares ultrapassou os muros dos quartéis por envolver
uma das instituições mais respeitadas do país. Com
apenas 5 milhões de habitantes e cercado de inimigos, Israel vive
em estado de guerra desde sua criação, em 1948 daí
o papel central na vida do país desse contingente militar permanentemente
mobilizado.
O serviço
militar é obrigatório para todo cidadão israelense
e é encarado como dever cívico. Dos 18 aos 21 anos de idade,
a dedicação é exclusiva. Depois disso, e até
chegar aos 40, aqueles que passam para a reserva têm de servir durante
três semanas por ano. É nessa categoria que se encaixa a
maioria dos refuseniks. As acusações de antipatriotismo
e covardia não se justificam contra esse grupo de soldados. Eles
estão prontos para lutar pelo Estado de Israel apenas não
querem tomar parte na opressão de outro povo. Se estivessem exclusivamente
interessados em se livrar do inferno que significa servir nos territórios
ocupados, poderiam alegar um problema de saúde ou mesmo viajar
para o exterior.
A mobilização
dos oficiais é reflexo do dilema moral a que está submetida
a sociedade israelense depois de dois anos de Intifada, a rebelião
palestina nos territórios ocupados. São mais de 2.500
mortos em ambos os lados e um ciclo interminável de atentados palestinos
seguidos de represálias do Exército israelense. Os toques
de recolher, os combates em áreas densamente povoadas, a morte
de civis e as prisões em massa nas cidades palestinas nestes últimos
meses chocaram o mundo. O desinteresse de Sharon por buscar uma solução
política para a crise reforçou os argumentos dos refuseniks,
que consideram a situação moralmente inaceitável.
"A ocupação dos territórios é ilegal, por
isso não há justificativa democrática para forçar
um soldado a fazer parte dela", disse a VEJA Peretz Kidron, porta-voz
do grupo pacifista Yesh Gvul (nome que significa "há um limite"),
que apóia os refuseniks.
Não
é a primeira vez que militares israelenses alegam objeção
de consciência. Nos dezoito anos em que Israel ocupou um pedaço
do Líbano, até se retirar, em 2000, 168 soldados preferiram
cumprir pena de prisão de trinta dias a servir fora das fronteiras
do país. Outros 3.000 assinaram uma
petição solicitando formalmente transferência para
quartéis dentro de Israel a chamada meia-rejeição,
que os livrou de uma condenação por insubordinação.
A invasão do Líbano, comandada por Ariel Sharon, então
ministro da Defesa, acabou estimulando a criação de alguns
dos mais ativos grupos pacifistas israelenses, como Paz Agora e Yesh Gvul.
Nos últimos meses, devido aos terríveis atentados palestinos,
esses grupos haviam perdido espaço na sociedade israelense
mas os refuseniks, com sua mobilização, conseguiram
trazê-los de volta à cena política. Eles defendem
não só a retirada israelense dos territórios ocupados,
mas também a assinatura de um acordo de paz com os palestinos.
Oito reservistas entraram com uma petição na Suprema Corte,
no mês passado, para tentar anular as penas militares a que foram
submetidos. Eles alegam que desobedeceram a ordens de servir nos territórios
porque a ocupação, em si, é ilegal. A decisão,
mesmo que não lhes seja favorável, deverá esquentar
o debate sobre as fronteiras definitivas de Israel.
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ESCUDO
PROTETOR
O novo
sistema antimíssil de Israel, conhecido como Arrow, já
protege Tel-Aviv do ataque dos Scuds, os mísseis iraquianos.
O projeto, que nasceu nos anos 80, tornou-se urgente depois que
39 Scuds atingiram o país durante a Guerra do Golfo, em 1991.
Já custou 2 bilhões de dólares, dos quais os
Estados Unidos pagaram 800 milhões. A idéia é
que trabalhe em conjunto com o Patriot, o antimíssil americano
de fraco desempenho no Golfo. Criado originalmente para abater aviões
e depois adaptado para interceptar mísseis, o Patriot opera
em baixas altitudes. O Arrow foi projetado para deter o atacante
em grande altitude e com maior precisão. Toda a operação
precisa ser muito rápida: o tempo de vôo de um Scud
entre o Iraque e Israel é de apenas seis, sete minutos. Quando
todos os radares e baterias de mísseis estiverem instalados,
em 2004, Israel será o primeiro país com sistema antimíssil
de cobertura nacional.
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