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Edição 1 773 - 16 de outubro de 2002
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Fogo de palha

A sacola que se comprava
na feira vira acessório chique

Bolsa de palha era coisa baratinha para usar na praia e, findo o verão e aos primeiros fios soltos, aposentar sem dó nem piedade. Na eterna busca de novidades, marcas sofisticadas deram um upgrade na palha – tanto a tradicional, de milho, quanto a mais valorizada fibra de ráfia. A sacola de luxo tem fechos confiáveis, forros requintados, bordados e alças resistentes, de couro ou bambu. A estilista Serpui Marie, que trabalha há quinze anos com palha, diz que nunca fez uma coleção tão rebuscada – e cara – quanto a deste verão. Suas bolsas mais chiques custam até 300 reais, o que parece pechincha comparado aos 800 reais da sacola Mixed (vermelha, com flores) e melhor negócio ainda se elas forem postas ao lado das importadas. A italiana Dolce & Gabbana, com alça de verniz amarelo e forro de oncinha, custa 1 846 reais. A Fendi, de ráfia com detalhes de couro azul, bate nos 2 635 reais.

 
Fotos Pedro Rubens e Oscar Cabral

Palha com flores e cores, artesanato de capim dourado e a ráfia das importadas: até 2 600 reais

Nenhuma se compara, em originalidade de material, às bolsas de capim dourado. Cerca de 250 artesãos da região de Jalapão, no Tocantins, com patrocínio oficial, produzem as bolsas a partir de uma gramínea nativa que quando amadurece, em setembro, fica rígida e ganha o tom ensolarado. "Como a colheita é feita só uma vez por ano e a produção é restrita, as peças ficaram muito valorizadas", diz o designer Renato Imbroisi, que coordenou o trabalho. Verdade: no trajeto entre o Jalapão e São Paulo, o preço passa de 30 para 180 reais. Escolhida a bolsa, vem o problema da conservação. A palha se estraga facilmente, sobretudo com umidade, mas os estilistas acham a impermeabilização um horror. "Tira a originalidade do artesanato", desdenha a carioca Lenny Niemeyer. Ou seja, o jeito ainda é a bolsa de uma estação só.

   
 
   
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