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Quem manda
são os pais
Pais
de alunos criam colégios,
escolhem professores e método
pedagógico dos filhos
Rosana Zakabi
Claudio Rossi
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| Aulas
de circo na Cooperativa Educacional de São Paulo: idéia
dos pais |

Veja também |
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Da
internet
Sites de escolas e associações cooperativas: |
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A contadora
Marli Bitencourt de Barros, de 50 anos, preocupava-se com a educação
de seus dois filhos adolescentes. Os colégios em São Bernardo
do Campo, no ABC paulista, onde moram, ofereciam cursos de baixa qualidade
ou eram caros demais. Em conversas com outros pais insatisfeitos, surgiu
a seguinte idéia: por que não fundar um colégio para
os filhos? Ela e um grupo de pais começaram a trabalhar no projeto
em 1998 e, um ano depois, fundaram a Cooperativa Educacional e Cultural
de São Bernardo do Campo em um prédio cedido pela prefeitura.
O colégio iniciou suas atividades com dezesseis alunos. Hoje, são
212. "No início, fazíamos até a faxina da escola,
mas o resultado foi compensador", conta Marli. A escola é uma das
650 cooperativas de ensino instaladas no Brasil, quase todas fundadas
pelos próprios pais. É quase o dobro do que existia três
anos atrás.
Os pais
decidem criar uma escola por um conjunto de fatores: baixa qualidade de
ensino nas instituições da região em que moram, alto
preço das mensalidades e, principalmente, porque assim poderão
escolher o método de ensino que consideram mais adequado para seus
filhos. "Quando o pai está presente, o aluno tem mais vontade de
participar das atividades escolares", diz Eva Gonçalves Ramos,
diretora da Cooperativa Educacional de Diadema, na Grande São Paulo,
criada há três anos e hoje com 192 alunos. As cooperativas
de ensino diferem dos colégios convencionais em vários aspectos.
Um deles, e talvez o principal, é que os pais são responsáveis
por tudo o que acontece na escola, desde a contratação de
funcionários até a definição do calendário
escolar. Cabe a eles decidir se o colégio deve comprar o pacote
pedagógico de uma grande rede de ensino, como o Positivo ou o Objetivo,
ou criar método próprio.
Claudio Rossi
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Eugenio Savio
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Escola
em Moji das Cruzes: área verde e clima familiar
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Cooperativa
em Belo Horizonte: oficina de literatura ao ar livre
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Como não
têm fins lucrativos, as cooperativas estabelecem uma mensalidade
que chega a ser 40% mais barata que a média cobrada pelos colégios
particulares das proximidades. "Muitas vezes, a cooperativa consegue reduzir
os preços de outras escolas na região em que é instalada
devido à concorrência", diz Maria Cristina Pompermayer, responsável
pela área educacional da Organização das Cooperativas
Brasileiras. Algumas cooperativas surgiram como jardins-de-infância
e foram ampliando as séries no mesmo ritmo em que os alunos foram
crescendo. A Cooperativa de Ensino de Belo Horizonte foi fundada em 1992
por um grupo de funcionários do Banco do Brasil que não
tinha com quem deixar os filhos pequenos. A cada ano, era criada uma nova
série. Ou seja: quando os alunos atingiram a idade para iniciar
o ensino fundamental, os pais abriram a 1ª série e assim por
diante. A primeira turma da escola concluirá a 8ª série
daqui a três meses.
Criada há
dez anos, a Escola Cooperativa Educacional da Cidade de São Paulo,
hoje com 137 alunos, na Vila Mariana, um bairro paulistano de classe média,
deu um passo mais ousado. Neste ano implantou cursos extracurriculares
abertos ao público. Por 45 reais por mês é possível
fazer aula de hip hop, circo, judô, capoeira e até de língua
japonesa em uma das salas do colégio. "Aqui há muitos descendentes
de orientais", explica Gislene Gambini, mãe de Paula, 10 anos,
que está na 4ª série, e membro do conselho administrativo.
A cooperativa começou oferecendo ensino infantil e fundamental,
mas o infantil foi extinto há três anos por decisão
dos pais. "Nossa meta agora é implantar o ensino médio",
diz o agrônomo Bruno Scartesini, pai de Lucas, de 12 anos, que está
na 5ª série.
Uma escola
pode ser criada sob a forma de cooperativa, ou então associação
de pais, como é o caso do Colégio Integração,
em Moji das Cruzes, na Grande São Paulo. Instalado em uma área
verde de 4.600 metros quadrados cedida pela
prefeitura, é uma instituição quase familiar, em
que todos são parentes ou vizinhos. Desde a sua inauguração,
há treze anos, mantém a média de cinqüenta alunos
divididos em ensino infantil e fundamental. O objetivo dos pais era criar
uma escola que valorizasse a criatividade dos alunos, o trabalho em comunidade
e a responsabilidade social. "No começo eram vinte pais. Mas em
poucos meses só restavam três. Foi preciso procurar novos
alunos batendo de porta em porta", conta a psicóloga Maria de Salete
Boucault, uma das fundadoras. Salete permaneceu como coordenadora da instituição
até seus três filhos concluírem o curso e se desligou
do colégio no ano passado. Hoje, a escola é dirigida por
uma das professoras, mas quem dita as regras continua a ser o grupo formado
por pais de alunos. As mensalidades variam entre 190 e 350 reais. Anualmente
é cobrada uma taxa extra, de 260 reais, para a compra de material.
A legislação
exige no mínimo vinte pessoas para a abertura de uma cooperativa.
O grupo precisa ter um local, em geral alugado ou cedido pela prefeitura.
O custo inicial médio é de 1.000
reais por aluno. Ao entrar numa cooperativa, é preciso pagar uma
cota de participação, em geral no mesmo valor da mensalidade.
Em compensação, quem tira o filho da escola recebe de volta
o valor da cota. A escola funciona nos moldes de um condomínio,
com a despesa sendo rateada entre os cooperados. Os pais se reúnem
pelo menos uma vez por semana para discutir os assuntos da escola. Nos
anos 80, muitas cooperativas educacionais pioneiras fecharam devido a
divergências entre os participantes ou por absoluta falta de experiência.
Nos anos 90, o surgimento de empresas e entidades especializadas em serviços
educacionais tornou a administração das cooperativas mais
profissional e eficiente, diminuindo a mortalidade entre as escolas.
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