Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 773 - 16 de outubro de 2002
Geral Educação
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Eleições 2002
Internacional
Economia e Negócios
Geral
 

Uma catedral para os homossexuais cristãos
A nova geração de utilitários nacionais
Estrela é acusada de copiar boneca
As escolas criadas pelos pais
EUA barram artistas de países suspeitos
Estilistas apelam para o exageradamente sexy
Documentos mostram o casamento no Brasil colônia
Mansões de preços astronômicos à venda nos EUA
A moda das bolsas de palha

Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Quem manda
são os pais

Pais de alunos criam colégios,
escolhem professores e método
pedagógico dos filhos

Rosana Zakabi

 

Claudio Rossi
Aulas de circo na Cooperativa Educacional de São Paulo: idéia dos pais


Veja também
Da internet
Sites de escolas e associações cooperativas:
Portal do Cooperativismo
Organização Brasileira do Cooperativismo
Cooperativa de Ensino de Rio Preto
Cooperativa de Ensino de Rio Verde - GO
Cooperativa de Ensino de São Carlos - SP
Cooperativa de Ensino de Belo Horizonte
Cooperativa de Ubatuba
Coopec
Cooperativa.com.br

A contadora Marli Bitencourt de Barros, de 50 anos, preocupava-se com a educação de seus dois filhos adolescentes. Os colégios em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde moram, ofereciam cursos de baixa qualidade ou eram caros demais. Em conversas com outros pais insatisfeitos, surgiu a seguinte idéia: por que não fundar um colégio para os filhos? Ela e um grupo de pais começaram a trabalhar no projeto em 1998 e, um ano depois, fundaram a Cooperativa Educacional e Cultural de São Bernardo do Campo em um prédio cedido pela prefeitura. O colégio iniciou suas atividades com dezesseis alunos. Hoje, são 212. "No início, fazíamos até a faxina da escola, mas o resultado foi compensador", conta Marli. A escola é uma das 650 cooperativas de ensino instaladas no Brasil, quase todas fundadas pelos próprios pais. É quase o dobro do que existia três anos atrás.

Os pais decidem criar uma escola por um conjunto de fatores: baixa qualidade de ensino nas instituições da região em que moram, alto preço das mensalidades e, principalmente, porque assim poderão escolher o método de ensino que consideram mais adequado para seus filhos. "Quando o pai está presente, o aluno tem mais vontade de participar das atividades escolares", diz Eva Gonçalves Ramos, diretora da Cooperativa Educacional de Diadema, na Grande São Paulo, criada há três anos e hoje com 192 alunos. As cooperativas de ensino diferem dos colégios convencionais em vários aspectos. Um deles, e talvez o principal, é que os pais são responsáveis por tudo o que acontece na escola, desde a contratação de funcionários até a definição do calendário escolar. Cabe a eles decidir se o colégio deve comprar o pacote pedagógico de uma grande rede de ensino, como o Positivo ou o Objetivo, ou criar método próprio.

 
Claudio Rossi
Eugenio Savio

Escola em Moji das Cruzes: área verde e clima familiar

Cooperativa em Belo Horizonte: oficina de literatura ao ar livre

Como não têm fins lucrativos, as cooperativas estabelecem uma mensalidade que chega a ser 40% mais barata que a média cobrada pelos colégios particulares das proximidades. "Muitas vezes, a cooperativa consegue reduzir os preços de outras escolas na região em que é instalada devido à concorrência", diz Maria Cristina Pompermayer, responsável pela área educacional da Organização das Cooperativas Brasileiras. Algumas cooperativas surgiram como jardins-de-infância e foram ampliando as séries no mesmo ritmo em que os alunos foram crescendo. A Cooperativa de Ensino de Belo Horizonte foi fundada em 1992 por um grupo de funcionários do Banco do Brasil que não tinha com quem deixar os filhos pequenos. A cada ano, era criada uma nova série. Ou seja: quando os alunos atingiram a idade para iniciar o ensino fundamental, os pais abriram a 1ª série e assim por diante. A primeira turma da escola concluirá a 8ª série daqui a três meses.

Criada há dez anos, a Escola Cooperativa Educacional da Cidade de São Paulo, hoje com 137 alunos, na Vila Mariana, um bairro paulistano de classe média, deu um passo mais ousado. Neste ano implantou cursos extracurriculares abertos ao público. Por 45 reais por mês é possível fazer aula de hip hop, circo, judô, capoeira e até de língua japonesa em uma das salas do colégio. "Aqui há muitos descendentes de orientais", explica Gislene Gambini, mãe de Paula, 10 anos, que está na 4ª série, e membro do conselho administrativo. A cooperativa começou oferecendo ensino infantil e fundamental, mas o infantil foi extinto há três anos por decisão dos pais. "Nossa meta agora é implantar o ensino médio", diz o agrônomo Bruno Scartesini, pai de Lucas, de 12 anos, que está na 5ª série.

Uma escola pode ser criada sob a forma de cooperativa, ou então associação de pais, como é o caso do Colégio Integração, em Moji das Cruzes, na Grande São Paulo. Instalado em uma área verde de 4.600 metros quadrados cedida pela prefeitura, é uma instituição quase familiar, em que todos são parentes ou vizinhos. Desde a sua inauguração, há treze anos, mantém a média de cinqüenta alunos divididos em ensino infantil e fundamental. O objetivo dos pais era criar uma escola que valorizasse a criatividade dos alunos, o trabalho em comunidade e a responsabilidade social. "No começo eram vinte pais. Mas em poucos meses só restavam três. Foi preciso procurar novos alunos batendo de porta em porta", conta a psicóloga Maria de Salete Boucault, uma das fundadoras. Salete permaneceu como coordenadora da instituição até seus três filhos concluírem o curso e se desligou do colégio no ano passado. Hoje, a escola é dirigida por uma das professoras, mas quem dita as regras continua a ser o grupo formado por pais de alunos. As mensalidades variam entre 190 e 350 reais. Anualmente é cobrada uma taxa extra, de 260 reais, para a compra de material.

A legislação exige no mínimo vinte pessoas para a abertura de uma cooperativa. O grupo precisa ter um local, em geral alugado ou cedido pela prefeitura. O custo inicial médio é de 1.000 reais por aluno. Ao entrar numa cooperativa, é preciso pagar uma cota de participação, em geral no mesmo valor da mensalidade. Em compensação, quem tira o filho da escola recebe de volta o valor da cota. A escola funciona nos moldes de um condomínio, com a despesa sendo rateada entre os cooperados. Os pais se reúnem pelo menos uma vez por semana para discutir os assuntos da escola. Nos anos 80, muitas cooperativas educacionais pioneiras fecharam devido a divergências entre os participantes ou por absoluta falta de experiência. Nos anos 90, o surgimento de empresas e entidades especializadas em serviços educacionais tornou a administração das cooperativas mais profissional e eficiente, diminuindo a mortalidade entre as escolas.

   
 


 

   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS