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Edição 1 773 - 16 de outubro de 2002
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A catedral gay

Igreja só para cristãos homossexuais vai
erguer megatemplo nos Estados Unidos

Eduardo Salgado

 
O projeto da catedral e o arquiteto Johnson: 36 milhões de dólares

A Catedral da Esperança tem uma história similar à de muitas igrejas evangélicas. Foi criada em 1970 por um grupo de doze amigos no Estado do Texas, nos Estados Unidos. Nessas três décadas, conquistou novos fiéis, comprou uma sede própria na cidade de Dallas e acaba de dar início à construção de um megatemplo que custará 36 milhões de dólares, digno da denominação. Sua característica inusitada é o fato de que seus fiéis são homossexuais. Com o novo templo, a Catedral da Esperança se torna o membro com o maior glamour entre as filiadas das Igrejas Comunitárias Metropolitanas (MCC, na sigla em inglês), movimento evangélico que reúne 300 congregações gays, com 40.000 fiéis espalhados por dezoito países. O projeto da sede da Catedral da Esperança foi entregue ao badalado arquiteto Philip Johnson, também gay. Com uma torre de 34 metros de altura, quase a mesma do Cristo Redentor, e capacidade para 2.200 pessoas sentadas, a catedral é uma demonstração de força da religião entre os gays dos Estados Unidos.

Na última década, os homossexuais americanos organizaram ONGs influentes, conquistaram o direito de não ser discriminados no local de trabalho e até ganharam papéis, quase sempre positivos, nos seriados da TV americana. O próprio Partido Republicano, do presidente George W. Bush, tem uma ala de gays conservadores. A tolerância é menor no meio religioso. A Igreja Católica aceita fiéis homossexuais, mas exige deles abstinência sexual. Muitas denominações pentecostais os consideram pecadores sem chance de redenção. É natural que homossexuais, educados em famílias religiosas, não vejam nenhuma contradição entre sua sexualidade e o exercício da fé – são eles que enchem os templos das igrejas da MCC. "O motor do nosso crescimento é a intolerância que gays e lésbicas enfrentam nas igrejas tradicionais", disse a VEJA Jim Birkitt, diretor da MCC.


AP

Missa especial para gay em templo luterano nos EUA


As congregações gays surgiram na Califórnia em meio à onda dos hippies, nos anos 60. Expulso da Igreja Batista em 1968 por ser gay, o reverendo Troy Perry primeiro tentou o suicídio. Depois fundou a própria igreja dedicada a homossexuais – a Igreja Comunitária Metropolitana de Los Angeles, a precursora da MCC. Seus cultos são um híbrido cristão. As missas são similares às católicas, os sermões se parecem aos protestantes e os cânticos lembram os evangélicos. Uma diferença é a ênfase dada às dificuldades de relacionamento entre os casais. "As igrejas alternativas são um dos poucos espaços em que os homossexuais podem discutir abertamente suas relações amorosas", explicou a VEJA Michael Piazza, pastor da Catedral da Esperança.


   
 
   
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