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Aécio une
Minas
e mira o Planalto
Ao lado
de Tasso e Alckmin, o neto
de Tancredo Neves passa a ser uma
das lideranças nacionais dos tucanos
André Brant
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Fotos álbum de família
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mília
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mília
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| Imitando
o que Tancredo Neves fez há vinte anos, Aécio começou e terminou sua
campanha rezando na igrejinha da Serra da Piedade, na Caetés. Acima:
com a família, no batizado da irmã Ângela, de caubói aos 5 anos e
como secretário particular do avô, em 1983 |

Veja também |
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Das treze
vitórias em primeiro turno para governador nas eleições
de domingo passado, a de Minas Gerais tem o maior significado. Vinte anos
depois que Tancredo Neves se elegeu governador de Estado e iniciou uma
arrancada rumo à Presidência da República, seu neto,
o tucano Aécio Neves da Cunha, 42 anos, chegou a essa que parece
também para ele uma plataforma para vôos de amplitude nacional.
Aécio ganhou as eleições no primeiro turno com mais
de 5 milhões de votos e com uma vantagem estonteante de 2,4 milhões
sobre o segundo colocado, Nilmário Miranda, do PT. Com Aécio
no governo, Minas Gerais volta ao centro de gravidade da política
nacional, que perdera com Itamar Franco. Popular em seu Estado e visto
por alguns como candidato viável à Presidência, Itamar,
no final das contas, graças a seu temperamento ácido, diminuiu
o peso do Estado na política brasileira. Com Aécio no Palácio
da Liberdade, reabre-se a autopista que já levou oito mineiros
à Presidência do Brasil. O feito de Aécio em Minas
tem a marca da conciliação, a modalidade de engenharia política
criada pelos políticos mineiros e elevada à condição
de arte por Tancredo Neves. Aécio costurou uma aliança com
dezesseis partidos. Sua candidatura foi apoiada por cinco ex-governadores
do Estado Rondon Pacheco, Aureliano Chaves, Francelino Pereira,
Hélio Garcia e Eduardo Azeredo , além da surpreendente
adesão do atual, Itamar Franco. Já nos primeiros dias de
campanha, mais de 100 prefeitos do PMDB deixaram o dinossauro Newton Cardoso
a contar seus milhões e se bandearam para debaixo das asas do tucano
Aécio. Arco tão amplo inspirou a piada do colunista José
Simão, do jornal Folha de S.Paulo, que batizou a aliança
mineira de "sofá da Hebe", pois conseguiu abrigar "Lula, Serra,
Itamar, FHC, e todo mundo é uma gracinha!".
Com isso,
Aécio Neves torna-se, automaticamente, uma das mais destacadas
lideranças do PSDB no país, ao lado de Tasso Jereissati,
que conquistou com facilidade uma cadeira no Senado. Fernando Henrique
encerra seu mandato em janeiro. José Serra tem o desafio das urnas
em 27 de outubro. Em São Paulo, o duelo final ficará entre
o atual governador, Geraldo Alckmin, e o petista José Genoíno,
que, numa virada de última hora, tirou a vaga de Paulo Maluf
cujo nome, durante boa parte da campanha eleitoral, chegou a aparecer
na liderança das pesquisas. Se vencer, o que parece altamente provável,
Alckmin formará ao lado de Aécio e Tasso a linha de frente
da geração tucana com ambições de chegar ao
Planalto em eleições futuras. Aécio foi mochileiro
na Europa e surfista no Rio de Janeiro antes de ser convocado por Tancredo
para ajudá-lo na campanha ao governo de Minas em 1982. Visitou
mais de 300 cidades ao lado do avô e houve entre ambos uma empatia
política superior até aos laços de família.
"Ao final da campanha, o doutor Tancredo não tinha mais dúvida
de que Aécio teria um belo futuro político", diz Antônia
Gonçalves Araújo, a poderosa secretária particular
de Tancredo Neves. O neto de Tancredo esmagou os adversários também
pela biografia impressionante que apresenta aos 42 anos de idade. É
presidente da Câmara dos Deputados, em que administra um orçamento
de 1,6 bilhão de reais e enquadrou os colegas numa disciplina rigorosa
de votações que nunca se viu na casa em tempos de democracia
plena. A vitória de Aécio une a política velha dos
conchavos com a riqueza logística e a força do marketing
das campanhas atuais.
Dos treze
governadores vitoriosos em primeiro turno, quatro foram reeleitos
Jarbas Vasconcelos, de Pernambuco, Ronaldo Lessa, de Alagoas, o goiano
Marconi Perillo e o petista Jorge Viana, do Acre. Outros quatro foram
apoiados pelos atuais governadores Paulo Souto, da Bahia, José
Reinaldo, do Maranhão, Marcelo Miranda, do Tocantins e Eduardo
Braga, do Amazonas. Apenas três venceram contra a vontade do esquema
de governo atual. São eles Blairo Maggi, de Mato Grosso, Paulo
Hartung, do Espírito Santo, e Wellington Dias, petista que surpreendeu
no Piauí. Aécio e Rosinha Garotinho são casos híbridos.
O mineiro foi apoiado por Itamar, mas concorreu contra o vice Newton Cardoso,
que efetivamente controlava a máquina governamental. No Rio de
Janeiro, Rosinha fez campanha de oposição à governadora
Benedita da Silva, mas herdou o peso das realizações executivas
do marido, Anthony Garotinho, o governador eleito que se licenciou no
começo do ano para concorrer à Presidência. A presença
majoritária entre os vitoriosos de governadores reeleitos ou apoiados
pelo esquema de poder mostra que a influência da máquina
estatal no resultado das eleições não é desprezível.
Mas o controle dos cargos em um Estado não explica tudo. Paulo
Souto elegeu-se na Bahia em primeiro turno, tornando-se o quinto governador
consecutivo ligado ao cacique Antonio Carlos Magalhães. A conclusão
é clara: se a máquina ajuda os aliados de ACM, o que pesa
mesmo é sua popularidade na Bahia. O velho político é
considerado eficiente em sua terra natal porque ele e seus seguidores
fizeram grandes administrações.
A influência
da máquina tornou-se mais central depois que o Brasil adotou a
reeleição, em 1998. A questão é que qualquer
ocupante de cargo no Poder Executivo é obrigado a se afastar seis
meses antes a menos que esteja concorrendo à reeleição.
Com isso, criou-se uma realidade esquizofrênica. Anthony Garotinho,
por exemplo, teve de deixar o governo do Rio de Janeiro para disputar
a Presidência. Teria de fazer o mesmo caso quisesse concorrer a
deputado ou a senador. Mas, se fosse candidato à reeleição
no Rio, Garotinho não precisaria afastar-se. Por isso, os governadores
que estão no poder concorrem no exercício do cargo
e todos, na campanha, exploraram ao máximo a visibilidade que o
posto lhes proporciona. De 6 de julho para cá, a lei eleitoral
proibiu que os governadores inaugurassem obras públicas, como forma
de evitar um desequilíbrio na campanha. Até essa data, portanto,
muitos candidatos à reeleição entraram numa atividade
frenética, aproveitando quanto puderam para cortar fitas e descerrar
placas. O governador Jarbas Vasconcelos chegou a inaugurar três
estradas num único mês. O governador de Mato Grosso do Sul,
José Orcirio Miranda, conhecido como Zeca do PT, apareceu o máximo
que pôde e até posou para fotos ao lado de tribos indígenas.
As urnas
de domingo passado confirmaram também o predomínio regional
de alguns políticos. Um cacique regional que mostrou músculos
foi o governador Siqueira Campos, do PFL do Tocantins. Saiu fortalecido
com a eleição de seu candidato, Marcelo Miranda, com larga
margem de vantagem. O Tocantins, Estado criado catorze anos atrás,
está há dez sob o comando de Siqueirão. Ficará
mais quatro anos sob sua influência. No Maranhão, onde a
família Sarney comanda o espetáculo político há
décadas, a situação se manterá como há
décadas. O candidato do clã, o pefelista José Reinaldo
Tavares, acabou se elegendo no primeiro turno na eleição
mais tumultuada do país. Nas urnas, o pefelista não atingiu
metade mais 1 dos votos válidos. Mas a Justiça Eleitoral
aceitou a impugnação da candidatura de outro postulante
ao governo e, assim, José Reinaldo chegou ao patamar necessário
para eleger-se já no primeiro turno. Um dia antes da eleição,
a exemplo do que ocorreu com Roseana Sarney, flagrada com 1,3 milhão
de reais em dinheiro vivo no cofre de uma empresa da família, José
Reinaldo viu-se no meio de acusação parecida. A polícia
apreendeu 371 000 reais que estavam sendo embarcados num avião
fretado por assessores do então candidato. A suspeita é
que o dinheiro seria usado na compra de votos, mas assessores do governador
eleito garantem que era destinado a bancar gastos com a fiscalização
da apuração. Os eleitores maranhenses ignoraram as evidências.
José Reinaldo está no governo.
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