Reino animal

Ratinho mastiga Leão e os dois dão um show de baixarias

Fotos: Egberto Nogueira/Claudio Rossi
Ratinho e Leão (abaixo): suas audiências, somadas,
atestam que o público adora apelação

Se você achava que a briga entre o sushi erótico do Faustão e a banheira do Gugu era uma olimpíada de baixarias, é porque não viu TV na semana passada. Na terça-feira, às 21h20, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, estreou seu novo programa no SBT, para onde se transferiu há quinze dias. No mesmo horário, na Record, pontificava o clone de Ratinho, Gilberto Barros, o "Leão". O nível de apelação a que os dois chegaram fez as baixarias de Gugu e Faustão parecerem a série A Noviça Voadora. De um lado, Ratinho mostrava um vídeo de sexo explícito feito por um pedreiro que flagrou a mulher na cama com outro homem. De outro, Gilberto exibia cenas de uma cirurgia nas nádegas. Se Carlos Massa atacava com adolescentes fumando crack, Leão tinha imagens chocantes de uma criança com hidrocefalia. Esse circo de horrores é um sucesso. Ratinho chegou a uma média de 26 pontos, nove a mais do que conseguia na Record, sua antiga emissora, e 16 acima do que o SBT tinha no horário — que era ocupado com filmes e programas de auditório. Na quarta-feira, Ratinho conseguiu 38 pontos no horário de pico (veja quadro abaixo), batendo a Globo e configurando uma audiência histórica no SBT. A emissora de Silvio Santos só havia conseguido índices parecidos com filmes como Rambo e transmissões de futebol. Seu recorde é a final da Copa do Brasil de 1995, com Grêmio e Corinthians, que teve 54 pontos de pico.

O SBT comemorou o sucesso de Ratinho como sendo a prova de que o investimento monstruoso feito no roedor — cerca de 10 milhões de reais em luvas, salário mensal de 800.000 — já está dando retorno. A TV de Silvio Santos ainda briga na Justiça para amortizar o valor da multa contratual, de 43 milhões de reais. Na semana passada, a Record ainda tentava impedir a estréia de Ratinho no SBT com uma liminar, que foi derrubada pelos advogados do canal concorrente. "Poderia até processar a Record, já que a idéia do Leão Livre é minha", bravateia Ratinho, que, para espezinhar o concorrente, se meteu até a criticar a falta de ética de Gilberto Barros, como se ele tivesse alguma. "Mostrar doença sem cura no ar, como hidrocefalia, é uma coisa que nem eu faço."

A verdade é que a Record teve de engolir uma derrota retumbante. O Leão Livre, que desde que estreou vinha conseguindo manter a média de 17 pontos do seu antecessor, viu sua audiência despencar. Outra leitura possível dos números do Ibope é que o público fã de barbaridades às 9 da noite vem aumentando. Até a semana retrasada, os fãs desse tipo de atração estavam contidos nos 17 pontos de Ratinho na Record. Agora, somam exatamente o dobro, 34 pontos, o total das audiências dos dois programas. "Quem quiser qualidade, que assine a TV a cabo", detona Ratinho, resumindo a triste fase atual da televisão brasileira.

Ricardo Valladares




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