VEJA
Recomenda
EXPOSIÇÃO
HENRI CARTIER-BRESSON: FOTÓGRAFO (a partir desta quinta-feira no Sesc Pinheiros,
em São Paulo)
• Morto em 2004, aos 95 anos, o francês Henri Cartier-Bresson
é referência inescapável da história da fotografia.
A partir dos anos 30, o então estudante de pintura e filho de industrial
construiu uma obra que elevaria a fotografia à condição
de arte e definiria as bases daquilo que hoje se conhece como fotojornalismo
(sobretudo com a fundação, em 1947, da agência Magnum, ao
lado de nomes como Robert Capa). Esta retrospectiva reúne 133 imagens
que sintetizam sua trajetória na visão do próprio
Cartier-Bresson, que as selecionou para um livro lançado originalmente
em 1979 (e que está ganhando uma edição brasileira, em
complemento à mostra). O curador Eder Chiodetto organizou o acervo em
três seções principais. A primeira é devotada às
cenas do cotidiano, que notabilizaram o fotógrafo pela habilidade em
atingir aquilo a que se referia como "momento decisivo": a fração
de segundo em que a lente de sua câmera Leica extraía de uma situação
banal uma carga subjetiva extraordinária. No segundo bloco estão
seus flagrantes de eventos históricos. Cartier-Bresson ficou encarcerado
por três anos num campo de prisioneiros nazista durante a II Guerra Mundial
(e saiu de lá na terceira tentativa de fuga) e registrou não só
esse conflito, como ainda a chegada ao poder de Mao Tsé-tung na China e o fim da vida de Gandhi, na Índia. A última seção traz seus retratos de figuras
célebres, como o pintor Henri Matisse e o escritor Truman Capote.
LIVROS
O MUNDO, de Juan José Millás (tradução
de Marcelo Barbão; Planeta; 214 páginas; 44,90 reais)
• O Mundo é uma espécie de autobiografia
romanceada do jornalista e escritor Juan José Millás, um dos melhores
autores da literatura espanhola contemporânea. Conta a infância
de seu alter ego Juanjo em Valência e a mudança algo traumática
para Madri, nos anos 50. A narrativa de Millás afasta-se, porém,
de qualquer nostalgia barata. Mesmo na descrição dos eventos domésticos
que envolvem sua família, há sempre um leve toque de delírio
ou até de pesadelo, no episódio final em que o garoto se
instala sozinho no amplo e lúgubre dormitório de um seminário.
O pai da família ganha algumas das páginas mais vívidas
do livro. Ele é uma espécie de inventor improvisado, que fabrica
e conserta equipamentos de medicina como bisturis elétricos e até
equipamentos de eletrochoque. Sua comparação entre o efeito dos
choques no cérebro dos loucos e o do vento em um campo de trigo, logo no início do livro, é um bom exemplo da ousadia com que Millás compõe suas imagens literárias. Trecho do livro.
CHURCHILL E O DISCURSO QUE MUDOU A HISTÓRIA, de john lukacs (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges; Jorge Zahar; 120 páginas; 27 reais)
• "Nada tenho a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas
e suor", disse Winston Churchill no seu discurso inaugural como primeiro-ministro
britânico, em 1940. Na Europa continental, os exércitos nazistas
avançavam em sua ofensiva contra a Holanda, a Bélgica e a França.
A Inglaterra, que já havia declarado guerra à Alemanha em 1939,
quando da invasão da Polônia, ficava isolada em sua resistência
contra Hitler. Realista, despido de qualquer patriotada ufanista, o discurso
não causou impacto imediato. Não houve transmissão radiofônica
nem ovações ao final da fala. No entanto, tornou-se a peça
retórica mais lembrada da II Guerra Mundial uma síntese
da coragem e da determinação britânicas. Um dos mais prolíficos
historiadores da II Guerra autor de O Duelo: Churchill x Hitler , o americano (nascido na Hungria) John Lukacs apresenta, neste ensaio conciso,
a história desse e de outros discursos brilhantes de Churchill.
Trecho do livro.
DVD
Divulgação
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DVD
Ironias do Amor: comédia romântica
perfeita para uma tarde chuvosa |
IRONIAS DO AMOR (My Sassy Girl, Estados Unidos, 2008. Focus)
• Charlie (Jesse Bradford) e Jordan (Elisha Cuthbert) não
têm absolutamente nada em comum. Nascido no interior do estado de Indiana,
ele é um estudante certinho que tem o sonho de fazer carreira como executivo.
Livre, leve e solta, a moça de família rica se joga nas baladas
e mantém uma estreita amizade com os drinques. Mas o destino sempre
uma força poderosa nas comédias românticas dá
aquele conveniente empurrãozinho para que os dois se achem. Com uma levada
pop, o diretor francês Yann Samuell registra, sob a luz amarelada do outono,
uma adorável história de amor ambientada em Nova York. Também
é pelo avesso que o romance dos protagonistas decola eles deixam
de lado os beijos, que surgem apenas na cena final, para trocar muitas farpas
e vários tapas (estes, numa divertida sequência no metrô).
Feita sob medida para uma tarde chuvosa, esta comédia romântica
só escorrega no desfecho muito convencional.
Mas nem isso consegue apagar a boa impressão deixada por Bradford e Elisha, atores com química e sintonia.
DISCO
Divulgação
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DISCO
Arnaldo Antunes: guitarras rascantes e letras ingênuas |
Iê Iê Iê, Arnaldo Antunes (Rosa Celeste)
• Consagrada na música dos Beatles, a expressão
"iê, iê, iê" já foi sinônimo de rock.
Hoje, soa como coisa vetusta, dos tempos da jovem guarda. Iê Iê
Iê, o disco, busca exatamente esse sabor meio anacrônico.
Despido das afetações vanguardistas que às vezes entravam
a música de Arnaldo Antunes, é um disco de rock básico
e dançante. Produzido pelo guitarrista Fernando Catatau, da banda Cidadão
Instigado, o disco é cheio de guitarras rascantes e batidas fortes que
pontuam letras muitas vezes ingênuas Vem Cá, parceria
de Arnaldo com Marisa Monte e Carlinhos Brown, fala da dificuldade de um casal
adolescente que, vigiado pela família, não tem onde "ficar". Tão
Longe é uma espécie de balada da solidão na era da
tecnologia o personagem encontra-se isolado em um lugar aonde não
chegam e-mails e em que o celular não pega. Entre as mais escrachadas
do disco, está Invejoso, cujas rimas pobres (lanchonete/croquete) sublinham a pobreza de espírito de um sujeito que vive amargurado pela inveja.
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A|B#] A] posição
do livro na semana anterior
B] há quantas semanas o livro aparece na lista
#] semanas não consecutivas
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