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Alimentos Para
encantar os olhos Novas frutas, legumes e cereais
híbridos tornam as refeições mais coloridas e saborosas

Rafael Corrêa
Fotos divulgação  |
MARACUJÁ ROXO
Menos ácido e mais doce que o maracujá convencional. |
Há
tempos os agricultores cruzam variedades de uma mesma planta para aumentar a produtividade
nas lavouras. Agora, essa prática serve a outro objetivo: tornar os alimentos
do dia-a-dia mais coloridos e práticos de comer. Em alguns mercados brasileiros
já se podem encontrar legumes, frutas e cereais de aparência surpreendente.
É o caso dos pimentões roxos, brancos e em tom de chocolate. Nos
supermercados europeus os novos alimentos híbridos já são
comuns. Nos Estados Unidos, muitas mães descobriram que as cenouras do
tipo rainbow, vermelhas, amarelas e cor de laranja, são um bom recurso
para estimular filhos teimosos a comer legumes. Quem gosta de servir melancia
à família sabe o incômodo de carregar aquela esfera pesada
como chumbo do mercado até a mesa. A melancia solinda, atualmente cultivada
em estados do Nordeste e que deve chegar aos mercados do Sul até o fim
do ano, promete acabar com esse problema. O fruto tem um terço do tamanho
da melancia convencional ainda por cima, não tem sementes e sua
polpa é mais suculenta. "O foco do melhoramento genético sempre
esteve em trazer benefícios para a produção. Agora estamos
focados no consumidor", diz Esteban Gastaldi, diretor de vegetais da Syngenta,
multinacional da área de sementes que desenvolveu a solinda.
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ARROZ PRETO
Nativo da Ásia, já produzido no Brasil. Tem sabor semelhante
ao de castanhas. Possui mais fibras que o arroz branco integral | MILHO
VERMELHO Para quem gosta de comer na espiga: os grãos são
mais doces e macios. Semelhante ao milho cultivado antigamente em fazendas americanas
| Em alguns casos, as cores
dos alimentos, além de cumprir uma função estética,
lhe emprestam maior sabor e valor nutritivo. O maracujá roxo desenvolvido
pelo Instituto Agronômico (IAC), de São Paulo, é mais doce
e menos ácido do que o fruto amarelo, popular em todo o país. O
milho vermelho criado pela Seminis, outra multinacional da área de pesquisa
agrícola, é especial para quem gosta de comer os grãos direto
na espiga eles são mais doces e macios. Uma variedade de alface
com as folhas totalmente roxas, desenvolvida por pesquisadores da Universidade
de São Paulo, tem maior teor de substâncias antioxidantes
que ajudam no combate ao envelhecimento do que outras espécies de
alface consumidas no país. "Gastamos apenas 2.000 reais para criar uma
hortaliça que, além de bonita, serve como alimento funcional", diz
Cyro Paulino da Costa, um dos criadores da nova alface. A cor alaranjada da couve-flor
cheddar, cujas sementes são vendidas pela Seminis, faz com que a planta
contenha 25 vezes mais betacaroteno do que uma couve-flor convencional. Essa substância
é fonte de vitamina A, indispensável para o bom funcionamento da
visão.
Matinho Caires  |
ABACAXI EM GOMOS
Evita o trabalho de descascar o fruto: depois de aberto, ele se desmancha em gomos,
como uma fruta-do-conde. Em breve nos supermercados brasileiros |
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CENOURAS COLORIDAS
Um grande sucesso nos Estados Unidos, onde são usadas pelas mães
para atrair crianças que costumam fazer cara feia para os legumes |
Antes que as frutas, os legumes e
os cereais divertidos despertem a ira da turma antitransgênicos, é
bom esclarecer que esses alimentos não sofrem manipulação
de DNA, embora os conhecimentos atuais no campo da genética contribuam
para sua criação. Os novos alimentos são resultado do processo
conhecido como hibridização, em que os pesquisadores "cruzam" os
vegetais sucessivas vezes. "É um processo de tentativa e erro. Combinam-se
as duas variedades, plantam-se as sementes, selecionam-se os melhores frutos e
faz-se tudo de novo até conseguir as características desejadas.
A diferença é que hoje esse processo pode durar metade do tempo
graças ao uso de marcadores moleculares, que indicam se a experiência
está no caminho certo", explica o pesquisador da Embrapa Leonardo Boiteux,
criador da abóbora brasileirinha, de casca metade verde metade amarela
e com alto teor de betacaroteno. Os marcadores moleculares funcionam como mapas
dos trechos de DNA responsáveis por gerar as características desejadas.
No caso da abóbora brasileirinha, Boiteux identificou os genes que causam
a aparência bicolor. Dessa forma, conseguiu desenvolver a variedade em quatro
anos há uma década, esse tipo de experiência não
levaria menos de oito anos.
The New York Times  |
MINIMELANCIA
Com um terço do tamanho da melancia comum, é muito mais fácil
de carregar e guardar na geladeira. Além disso, não tem sementes
e sua polpa é mais suculenta | O
melhoramento genético permite também que os pesquisadores brasileiros
criem versões nacionais de alimentos exóticos. Como o arroz preto,
que no passado era servido na China apenas aos imperadores e à sua corte.
O IAC criou uma variedade de arroz preto, já incluída no cardápio
de alguns restaurantes de Campos do Jordão, na região serrana de
São Paulo. Antes, a iguaria, que tem um sabor semelhante ao de castanhas,
era importada principalmente da Itália e vendida a quase 50 reais o quilo.
Os cientistas cruzaram o produto chinês com variedades de arroz já
adaptadas ao clima do Brasil. O abacaxi gomo-de-mel, também resultado das
pesquisas do IAC, é uma versão brasileira de um abacaxi nativo da
Ásia. Leva esse nome porque é bem doce e não precisa ser
descascado depois de aberto, sua polpa desmancha-se em pequenos gomos,
como se fosse uma jaca ou uma fruta-do-conde. Atualmente, mudas do gomo-de-mel
estão sendo distribuídas para produtores de todo o país.
"Em breve, a expressão descascar o abacaxi vai perder o sentido", brinca
Ademar Spironello, engenheiro agrônomo e criador do novo abacaxi.
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