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DVD
MGM
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| A
cena do celeiro: danças vigorosas
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Sete Noivas para Sete Irmãos (Seven
Brides for Seven Brothers, Estados
Unidos, 1954. Warner) Poucas vezes a adversidade trabalhou
tão a favor de um filme. Em 1954, a Metro estava colocando
suas fichas mais altas em outro musical, estrelado por Gene Kelly.
Tratou, portanto, de cortar as verbas deste seu primo pobre. O
coreógrafo Michael Kidd também tinha a certeza de
ter entrado numa fria: onde já se ouviu falar de rústicos
caubóis bailando e cantando? Empenhado em contornar esses
tropeços, o diretor Stanley Donen (de Cantando
na Chuva) acabou cunhando um clássico,
famoso pelos cenários falsos e pelas danças vigorosas.
Nesta divertida versão do rapto das sabinas, os irmãos
do título arrumam namoradas de maneira não muito
ortodoxa. Menção honrosa para a cena acrobática
em que os rapazes constroem um celeiro.
DISCO
Fantasia,
Leopold Stokowski & Orquestra da Filadélfia Assim
como o desenho da Disney, a trilha de Fantasia divide opiniões.
O compositor russo Stravinsky, por exemplo, classificou de "asneira
imperdoável" a versão de sua Sagração
da Primavera. Mas este disco tem
muitos encantos. Combina obras menos conhecidas de compositores
como Beethoven (a sinfonia Pastoral)
a peças manjadas como a Suíte
Quebra-nozes, de Tchaikovsky. Regido
pelo maestro inglês Leopold Stokowski, um dos melhores do
século, é uma ótima introdução
à música clássica.
TELEVISÃO
Live
at Pompeii, Pink Floyd (sexta-feira,
às 20h30, no Eurochannel) Gravada em 1972, num anfiteatro
em meio às ruínas de Pompéia, esta é
considerada uma das melhores performances de uma banda de rock
em todos os tempos. Tendo como platéia apenas equipes de
som e de filmagem, os integrantes do Pink Floyd, acostumados a
se apresentar sob uma avalanche de efeitos especiais, souberam
casar suas canções com o cenário tétrico
da cidade destruída por uma erupção do Vesúvio,
em 79 d.C. Boa parte do repertório do show foi pinçada
de Meddle,
estupendo disco que o grupo lançou em 1971. Outras canções
como A
Saucerful of Secrets e Be
Careful with That Axe, Set the Controls for the Heart of the Sun
foram executadas à noite, para que ganhassem um clima sombrio.
Como bônus, o documentário traz ainda sessões
de gravação do álbum clássico The
Dark Side of the Moon.
Walter Carvalho
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| Passageiros:
cruzando o Brasil
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A Família Braz e Passageiros
(segunda-feira e quarta-feira, às 23 horas, no GNT; reapresentações
nos dias seguintes, às 13 horas e às 18h30) O
canal por assinatura exibe nesta semana duas reportagens realizadas
pela jornalista Dorrit Harazim, colaboradora de VEJA, em parceria,
respectivamente, com os documentaristas Arthur Fontes e Izabel
Jaguaribe. Na primeira delas, A
Família Braz, as diferenças
entre o Brasil que progride e o que vive marginalizado são
observadas através do cotidiano de um casal e seus quatro
filhos, moradores de Brasilândia, na periferia da capital
paulista. Já Passageiros
se concentra na vida e nas expectativas dos 34 migrantes que ocupam
um ônibus que sai de São Paulo rumo ao Piauí,
numa viagem de três dias e mais de 3.000
quilômetros.
LIVRO
Anne
Frank, uma Biografia, de Melissa
Müller (tradução de Reinaldo Guarany; Record;
395 páginas; 50 reais) Durante cinqüenta anos,
Anne Frank foi mais um mito do que uma pessoa de carne e osso.
Quase tudo o que se sabia a respeito dela estava em seu famoso
Diário,
documento emocionante sobre a perseguição nazista
aos judeus, que mostra o dia-a-dia da adolescente que passou meses
escondida com sua família numa casa na Holanda, até
ser descoberta pelos soldados de Hitler e enviada a um campo de
concentração. Nesta biografia, ela é retratada
pela primeira vez de maneira ampla, desde a infância, com
suas qualidades e defeitos. Para tanto, a jornalista austríaca
Melissa Müller levou a cabo um impecável trabalho
de investigação. Ela consultou arquivos e fez entrevistas
reveladoras. Para coroar a pesquisa, Melissa divulga aqui o conteúdo
de cinco páginas do diário que haviam sido arrancadas
pelo próprio pai de Anne Frank e nunca antes publicadas.
Nelas, Anne critica o casamento dos pais.
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LITERATURA
BRASILEIRA
O
Homem que matou o escritor
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Sérgio
Rodrigues
Editora
Objetiva
128
páginas; 18,50 reais
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Uma
das formas mais comuns de elogiar um escritor estreante
é dizer que o seu trabalho é "promissor".
A palavra normalmente é usada em tom condescendente
e quer dizer mais ou menos o seguinte: "Aqui está
um rapaz talentoso. Mas ele ainda terá de aprender
estas tantas lições". Pois bem. O jornalista
mineiro Sérgio Rodrigues não tem nada de promissor.
Basta ler qualquer um dos cinco contos que compõem
sua primeira obra de ficção, a coletânea
O
Homem que Matou o Escritor,
para comprovar esse fato. Todos eles têm enredos bem
bolados e surpreendentes. Todos são divertidos. E
a técnica do autor se revela também nos detalhes.
Seus diálogos, por exemplo, não podiam ser
mais convincentes. Os personagens falam como gente, não
como oradores ocupando a tribuna. Rodrigues, por assim dizer,
completou seu aprendizado antes de entrar em campo. Já
não deve mais nada a ninguém.
Um
mesmo tema percorre as cinco narrativas de Rodrigues: as
relações entre vida e arte. A vida quase sempre
leva a melhor. Caótica e imprevisível, ela
reduz a arte, que é uma tentativa de impor ordem
à confusão dos instintos, dos sentimentos,
das relações pessoais e sociais, a dimensões
modestas. Em O
Argumento de Caim, por exemplo,
o escritor machão acaba castrado (e o leitor que
vá descobrir se a castração é
simbólica ou real). Em Ana:
Telas, Janelas, a moça
que tenta resolver seus traumas digitando textos no computador
descobre que é mais eficiente usar a máquina
como uma arma assassina. Por mais que goste de literatura
como demonstram as frases muito bem lapidadas de seus
textos , Sérgio Rodrigues se recusa a tratá-la
como uma religião. Sabe que estetas perfeitos como
Austino Lemos, personagem do conto O
Homem que Matou o Escritor, são
exceções. Muito mais comuns são figuras
como o narrador da mesma história, para quem o desejo
de criar se confunde com outros desejos bem mais mundanos:
fazer sucesso, conquistar mulheres e humilhar seus inimigos.
O
mais curioso é que essa atitude bem-humorada de Rodrigues
com relação à literatura se traduz
também nas estratégias narrativas que ele
emprega. Fragmentação do texto, recursos do
gênero policial, uso "metalingüístico"
de citações e referências tanto da cultura
popular quanto da erudita têm apenas um caráter
lúdico. Elas fazem pensar em Rubem Fonseca, um dos
grandes autores do conto brasileiro nas últimas décadas.
Sérgio Rodrigues pode ser considerado um dos herdeiros
desse autor. Herdeiro, e não imitador. Como se disse,
não deve nada a ninguém.
Carlos
Graieb
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