Baião
de três
Eu
Tu Eles fica
a dever com a história de
uma mulher nordestina muito casadoura
Isabela
Boscov
Vantoen Junior
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| Regina,
em cena: trio
de maridos forma
um bom |
Ao
relembrar a vida da diva Lana Turner, o escritor americano John
Updike disse que nada lhe parecia mais triste nela do que os seus
sete casamentos. Era como se ela tivesse vasculhado "todas as gavetas
da masculinidade" à cata de algo que nunca foi capaz de encontrar,
escreveu Updike. A personagem interpretada por Regina Casé
em Eu Tu Eles (Brasil, 2000) não é atriz
de Hollywood, e sim bóia-fria, mas entenderia o drama de
Lana. Inspirado num episódio verídico, o filme do
carioca Andrucha Waddington, que estréia nesta sexta-feira
em circuito nacional, fala de uma nordestina que, no decorrer de
alguns anos, coloca três maridos dentro de casa. Cada um deles
supre à despachada Darlene um aspecto do que seria um casamento
ideal. O primeiro, o rabugento Osias (Lima Duarte), dá a
ela alguma estabilidade material. No segundo, Zezinho (Stênio
Garcia, na melhor atuação do filme), ela encontra
afeto e apoio. E com o terceiro, o jovem Ciro (Luiz Carlos Vasconcelos),
ela finalmente vive uma paixão. Juntos, eles compõem
um bom marido e por isso Darlene ajeita daqui e trama dali
para não se desfazer de nenhum e preservar a sua relativa
harmonia doméstica.
Ninguém
supõe que esse malabarismo conjugal seja um truque simples,
e é ele que torna o enredo de Eu Tu Eles atraente.
Waddington, porém, não entrega exatamente o que vende.
O diretor registra com desvelo a aridez do sertão nordestino
e as sonoras nuances do linguajar local. Também sabe casar
um estilo enxuto de filmar à vida e às paisagens agrestes,
e faz de tudo para que seus atores brilhem. Mas desde o início
Eu Tu Eles sugere que vai tratar de um conflito, e aí
Waddington titubeia. O terceiro eleito de Darlene, aquele que é
capaz de arrebatá-la e fazer o jogo virar, só entra
em cena lá pelo terço final do filme, e o faz tão
de mansinho que perde a função de catalisador. A única
nota dissonante nesse cenário equilibrado em demasia é
a rispidez da irmã de Osias (interpretada pela ótima
Nilda Spencer), que vê os arranjos amorosos da cunhada com
um misto de censura e inveja. Eu Tu Eles representa um salto
considerável do diretor em relação ao fraco
Gêmeas, mas termina como nuvem no céu do sertão:
muita promessa de chuva e pouca água.
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