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| Competição
num dos próximos episódios de No Limite: prêmio
de 300 000 reais |
Na
década de 60, o artista pop americano Andy Warhol disse que
um dia todos seriam famosos por quinze minutos. A frase virou clichê
surradíssimo, mas espelha a situação atual
na televisão. De um lado, existe uma mídia faminta,
que para se manter viva precisa alimentar-se de tudo o que está
à sua volta. Como as possibilidades da ficção
têm-se mostrado estreitas, ela cada vez mais dirige seu apetite
para a realidade. Do outro lado está o espectador, ansioso
por reconhecer-se no tubo catódico que o hipnotiza durante
boa parte de sua vida. O processo de identificação
é uma das razões principais do sucesso desse tipo
de programa. O sujeito vê alguém igual a ele ganhando
prêmios ou bancando o herói ou o artista e acha que
poderia estar ali.
Mas não existe apenas um processo de identificação
nessa história. Um motivo para o êxito de muitas das
atrações protagonizadas por gente como a gente é
o voyeurismo sádico. "Todo mundo gosta de ver o outro se
esborrachar. Vários programas apelam para os baixos instintos",
afirma o professor José Teixeira Coelho Netto, especialista
em comunicação. O sadismo do espectador encontrou
na tecnologia um poderoso aliado. Foi a invenção da
câmara oculta que viabilizou quadros como as pegadinhas, nas
quais pessoas comuns fazem papel de bobas. Avanços tecnológicos
estão por trás também de diversos aspectos
de No Limite. Para viabilizá-los, foram comprados
equipamentos de última geração. Entre eles,
um kit conhecido como "night vision", formado por lentes e fitas
especiais que possibilitam gravações à noite
sem iluminação artificial. Segundo José Bonifácio
de Oliveira Sobrinho, o Boni, consultor da Rede Globo, a tecnologia
é a grande novidade no que seria a terceira onda e
a mais forte de participação popular na televisão.
Ele identifica outros dois marcos que antecederam o atual. O primeiro
são os programas de calouros, herdados do rádio, que
fizeram a glória de Chacrinha e turbinaram Silvio Santos.
"Eu sou um dos precursores do fenômeno 'povo na TV' ", jacta-se
Silvio. "Em 1969, instituí o quadro Cidade contra Cidade
e empatamos em audiência com a chegada do homem à Lua."
O segundo, diz Boni, seria O Homem do Sapato Branco, criado
por Jacinto Figueira Júnior na TV Record, em 1962. Ao fazer
com que cidadãos desconhecidos relatassem casos escabrosos,
ele teria sido o pioneiro de Ratinho e do policial Linha Direta.
Prováveis
finalistas Não faz tanto tempo, a televisão
brasileira era acusada de edulcorar a vida real, quando não
de ignorá-la totalmente. A acusação partia
principalmente dos intelectuais de esquerda, para os quais a TV,
tal como era feita, consistia num tremendo fator de alienação
política e social. Por isso, em artigos sobre o sucesso de
No Limite, houve quem saudasse o "choque de realidade" no
vídeo. Trata-se de uma idéia tão fora do lugar
quanto a anterior. Em programas como No Limite, a realidade
é editada de forma a colocar na tela todos os ingredientes
de uma novela: personagens por quem se pode torcer, conflitos e,
se possível, até romance. Um exemplo. Uma das únicas
fontes de alimentação dos integrantes das duas equipes
são os cocos que existem na região. Criou-se, então,
uma nova regra, a ser exibida num dos próximos episódios:
a "lei seca" dos cocos. Durante três dias, os participantes
ficaram proibidos de recorrer a esse alimento. Pior: os cocos que
já haviam sido colhidos foram confiscados. "Nossa intenção
era despertar o ódio e a tristeza neles", informa o diretor
do programa, José Bonifácio Brasil de Oliveira, o
Boninho. Em outro capítulo, os participantes puderam receber
cartas de parentes. Uma nítida manipulação
para que chorassem no ar. Outro ponto a ser considerado é
que, conscientes de que estão sendo filmados, os protagonistas
tendem a agir com certa artificialidade.
Sair-se bem diante das câmaras, aliás, é visto
por muitos participantes desses programas como uma forma de ultrapassar
a fronteira da celebridade efêmera. VEJA apurou que a gaúcha
Patrícia Diniz, a Pipa, tenta empinar uma carreira artística
há alguns anos. Ela viu uma chance de concretizar seu sonho
ao ser selecionada. Embora já tenha feito figuração
na própria emissora, a produção de No Limite
aparentemente não sabia do fato. "Em tese, alguém
que tivesse feito pontas na Globo não poderia participar",
disse o apresentador Zeca Camargo na semana passada. Pipa tem boas
chances de conseguir seu objetivo. Já há casos em
que a aparição numa atração do gênero
"povo na TV" serviu de passaporte para um mundo mais glamouroso.
Mano Júnior, aquele que mostrou um cartaz no auditório
do programa de Fausto Silva, conseguiu uma gravadora e iniciou uma
vida de cantor razoavelmente bem-sucedida. Lançou um CD,
que vendeu 55.000 cópias, faz shows pelo país cobrando
7.000 reais de cachê e já acumulou 200.000 reais em
caderneta de poupança. Revelado pelo Domingão do
Faustão, o contador de piadas Francisco Josenílton
Veloso, o Shaolin, de Campina Grande, na Paraíba, fez tanto
sucesso que ganhou até um quadro fixo no programa, em troca
de um salário de 10.000 reais mensais. No caso de No Limite,
tão interessante quanto a disputa em torno do prêmio
final de 300.000 reais, é imaginar qual dos participantes
tem mais potencial para prolongar os quinze minutos de fama adquiridos
no programa. Marcus Werner, o vilão das primeiras semanas,
já foi convidado para posar nu. E a revista Playboy
já pensa em tirar a roupa de uma das moças que participaram
das disputas entre as equipes Sol e Lua.
Ah, sim, se você atravessou essa reportagem em busca do nome
do vencedor de No Limite, aqui estão os nomes dos
seis prováveis finalistas: Pipa, Elaine, Juliana, Andréa,
Thiago e Vanderson. As favoritas são Pipa e Andréa,
mas tudo pode acontecer. Embora as gravações do programa
tenham terminado no dia 4, se o resultado final vazar a Globo promete
providenciar um outro desfecho.
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PIPA
"SARGENTA" E
ATRIZ
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A gaúcha de 29 anos Patrícia Diniz, a Pipa,
tem fama de ser uma mulher que não cansa de lutar.
Anos atrás, montou um restaurante em Porto Alegre,
juntamente com o marido, o eletricista Maurício Mendes.
O negócio faliu e ela foi ser garçonete num
bistrô (salário de 1 000 reais), com a intenção
de juntar dinheiro para reabrir o estabelecimento. Não
deu certo. Depois de algum tempo, Pipa resolveu apostar na
carreira artística. Matriculada num curso de teatro,
teve a oportunidade de fazer uma ponta na novela Suave
Veneno e figuração no Casseta & Planeta.
Estava desempregada quando, por meio de uma agência
de recrutamento, foi convidada para o teste que selecionou
os participantes de No Limite. O estilo "sargentona"
de ser que ela mostra no vídeo corresponde à
Pipa da vida real. No programa, a moça rebateu com
ironia as insinuações de Marcus Werner. "Você
abala corações", disse. No fim, veio a paulada:
ela votou pela expulsão do Don Juan.
THIAGO
SELVAGEM DA MOTOCICLETA
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Vrrrr... Vrrrr... Vrrrrrrrrrrr!... O ruído de uma motocicleta
envenenada é música para os ouvidos de Thiago
Toqueton. Ele é o primogênito de uma família
que, embora leve vida humilde na Zona Leste paulistana, comunga
um hobby da pesada: são todos apaixonados pelas máquinas
de duas rodas. Assim como seu pai, sua mãe e até
o irmão de 11 anos, o concorrente da enfraquecida equipe
Sol pertence a uma turma de motociclistas. Seu traje habitual:
um jaquetão de couro surrado, repleto de bottons coloridos.
No melhor estilo "sem destino", o rapaz já viajou até
Mato Grosso do Sul, ao lado de seus colegas do grupo Águias
Guerreiras. A produção da Globo topou com ele
numa feira de motoqueiros que acontece semanalmente em São
Paulo. Lá, numa barraquinha, Toqueton vende pulseiras
e outros artefatos de couro. Também possui uma oficina
de aerografia, onde faz pintura artística de capacetes.
Atualmente, está montando seu próprio triciclo
motorizado. Com 21 anos, não é um total inexperiente
em vida selvagem: ele adora acampar.
ANDRÉA
INDIVIDUALISTA
E SILICONADA
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Andréa Baptista dos Santos, 29 anos, é tida
como forte candidata a levar para casa o prêmio de 300
000 reais oferecido ao vencedor de No Limite. Selecionada
pela Globo para ser uma das beldades em cena, ela prima pelo
individualismo. No último domingo, por exemplo, esbravejou
contra a idéia de repartir a própria comida
com o fraquejante baiano Vanderson. "Minha filha só
aparece dizendo coisas antipáticas, mas ela não
é assim na vida real", diz sua mãe, Vivian Monteiro.
Andréa experimentou duas turbulências amorosas.
Primeiro, perdeu um namorado num trágico acidente de
moto. Anos depois, ficou grávida, mas a união
com o pai da criança, um endinheirado dono de postos
de gasolina, desfez-se ainda na gestação. Ela
acabou, no entanto, fazendo uma limonada com o limão.
Hoje, seu bom padrão de vida se deve, basicamente,
à pensão paga ao filho de 4 anos. Andréa
colocou silicone nos seios pouco antes de se isolar nas dunas
cearenses.
VANDERSON
O
BAILARINO CHORÃO
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Aos 20 anos, o baiano Vanderson Souza dos Santos é
o mais jovem participante de No Limite. Ex-morador
de favela, foi abandonado pela mãe quando era bebê.
Na infância, sobrevivia pedindo dinheiro nas ruas de
Salvador e chegou a passar fome. No programa, caiu em prantos
por causa da falta de comida. Disse que a privação
evocava a dureza de tempos passados. Traumas à parte,
esse praticante de capoeira e adepto do candomblé vive
atualmente uma realidade bem diferente. No ano passado, ao
fazer um serviço de office-boy no Pelourinho, foi abordado
por um professor de dança, que se encantou com o seu
jeito de corpo e o convidou a participar de um teste de admissão
no Balé Folclórico de Salvador. O bailarino
Vanderson, que aprendeu a ler só aos 11 anos, recentemente
resolveu voltar a estudar. Além de trabalhar no balé,
ele é ator do Bando de Teatro do Olodum. Vanderson
foi descoberto pela produção da Globo numa de
suas apresentações de dança.
JULIANA
DISCRETA,
MAS
FORTE
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Até agora, Juliana Alves teve atuação
discreta nas dunas do Ceará. Carta fora do baralho?
Prepare-se para uma surpresa: mesmo sem chamar a atenção
nas gincanas, ela poderá estar entre os quatro finalistas
do programa. Nascida na cinzenta Diadema, no ABCD paulista,
a integrante da equipe Lua é órfã de
pai e mãe. Atualmente, vive sozinha num apartamento
em São Paulo. É do tipo que não leva
desaforo para casa. Durante a seleção, irritou-se
com o imenso questionário de 600 perguntas a que teve
de responder. "Ela quase pulou fora por causa da chateação",
diz um amigo. Nos próximos episódios, comenta-se
que a moça vai arranjar encrenca com muita gente. "Se
provocarem, ela retruca na lata", diz o apresentador Zeca
Camargo. Juliana, de 23 anos, trabalha como supervisora de
uma firma especializada em entrega de comida em domicílio.
Sua tarefa é anotar pedidos e controlar o fluxo das
encomendas. Seu namorado é um ex-motoboy da empresa.
ELAINE
A
FOFINHA RISONHA
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De tanto rir sem motivo, a gordinha Elaine Castro de Melo
andou causando irritação na equipe Lua. Logo
no segundo episódio de No Limite, a carioca
Andréa a comparou a uma hiena, e usou de palavreado
chulo para justificar o apelido. Na vida real, dizem os parentes
e colegas de trabalho, Elaine também é dada
ao riso rasgado. E mais: fala pelos cotovelos. Casada com
um garçom que trabalha num bingo, mãe de duas
filhas pequenas, ela é uma típica paulistana
de classe média baixa. Não tem carro e mora
numa casinha construída no quintal de sua mãe,
na periferia de São Paulo. Com 35 anos e cerca de 90
quilos comemorou a perda de vários deles durante
as gravações de No Limite , Elaine faz
terapia e é leitora voraz de manuais esotéricos
e livros de auto-ajuda. Ao lado da mãe e da irmã,
trabalha há seis anos num elegante salão de
beleza. Pelas mãos dela passam, diariamente, cerca
de vinte dondocas. Uma curiosidade: entre suas clientes, figuram
a mulher do ex-prefeito Paulo Maluf e sua própria psicoterapeuta.
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| Celebridades
instantâneas |
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Claudio Rossi
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| Marcus
Werner, o garotão carioca que ganhou fama de vilão
em No Limite, já foi convidado para posar nu
para uma revista
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Saído
do interior da Paraíba, o contador de histórias
Shaolin fez tanto sucesso no programa de Fausto Silva que hoje
tem um quadro próprio e recebe salário de 10 000
reais |
Mano
Júnior, aquele que pediu uma chance para ser cantor no
Domingão do Faustão, vendeu 55 000
CDs e acumulou um pé-de-meia de 200 000 reais |
Com
reportagem de Marcelo Camacho e
Mônica Bidese

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