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Folhas e filhas

Quer ter uma menina?
Deixe o filé de lado e vire vegetariana.
Pode dar certo, segundo médicos ingleses

Karina Pastore


Montagem sobre foto de Nellie Solitrenick


Pedrinho é um encanto. Felipe, de uma esperteza só. Salvo pela birra nossa de cada dia, os pequenos são fonte de incomensurável alegria para papai e mamãe. A felicidade só não é maior porque falta ela. A filha que nunca veio, a princesinha do papi, a companheirona da mami. O casal pensa em tentar mais uma vez, mas tem receio de dar outro tiro no escuro. Fertilização in vitro seria um caminho, não fosse o procedimento caro demais e um tanto exagerado para a situação. Bem, se esse é seu caso, prezado leitor, veja só o que médicos ingleses anunciaram na semana passada: a dieta de uma mulher pode ter influência sobre o sexo do bebê. Se ela for vegetariana, aumentam as chances de dar à luz uma menina.

Sim, parece simpatia. Daquelas que se ouvem em programas populares de rádio: "Quer uma garotinha, cara ouvinte? Na hora H, deixe a janela do quarto aberta". No entanto, não dá para menosprezar o prestígio do centro de pesquisas em questão e a quantidade de mulheres estudadas. Durante um ano e meio, ginecologistas da Universidade de Nottingham acompanharam 6.000 pacientes. Entre as gestantes adeptas da alimentação natureba, a incidência de bebês do sexo feminino foi duas vezes maior. "Estatisticamente, o resultado da pesquisa é muito forte", reconhece o professor Marcelo Zugaib, chefe do departamento de obstetrícia e ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Por que uma mulher que aboliu carne, leite e ovos do cardápio teria mais propensão a gerar Júlias, Gabrielas ou Tatianas? A hipótese levantada em Nottingham é de que pratos e mais pratos de salada aumentam a acidez das secreções vaginais. E num ambiente mais ácido, supõe-se, os espermatozóides portadores de cromossomo X, feminino, costumam sair-se melhor que os de cromossomo Y, masculino. Por esse motivo é que muitos médicos recomendam a pacientes aflitas por uma filha uma ducha vaginal de água e vinagre branco duas horas antes da relação sexual. Já às ansiosas por um filho, a prescrição é de uma ducha de bicarbonato de sódio, que torna a vagina mais alcalina e facilita um pouco a corrida dos espermatozóides com cromossomo Y.

Antes de sair para comprar quilos de alface e agrião no supermercado (por favor, esqueça o banho de vinagre), é preciso que você saiba que o modo vegetariano de geração de meninas não é, assim, batata. Nenhum desses métodos, aliás, é capaz de determinar com segurança o sexo de uma criança. O que existem são experiências que apontam para esta ou aquela direção (veja quadro abaixo). "Até hoje, não se conseguiu comprovar inteiramente a interferência de fatores externos no sexo do bebê", afirma o ginecologista Eduardo Leme Alves da Motta, diretor do Centro de Medicina Reprodutiva Huntington, uma clínica de São Paulo. Menino ou menina? Convenhamos que a pergunta antiqüíssima ainda empresta alguma graça ao fenômeno reprodutivo.

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