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Ricardo Siqueira
Afrânio Coutinho: marco na crítica literária nacional


Morreram:
o escritor e médico baiano Afrânio Coutinho. Apesar do diploma em medicina, ele sempre se dedicou à literatura. Deu aulas no tradicional Colégio Pedro II, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e no Instituto Lafayette, onde, no final dos anos 40, fundou o curso de teoria e técnica literária, até então inédito no país. Nessa época, Coutinho inaugurou uma nova fase da crítica no Brasil. Para ele, o bom crítico era o acadêmico, aquele formado nos departamentos de letras das universidades. Dono de uma vasta biblioteca, em 1979 fundou a Oficina Literária Afrânio Coutinho, para a promoção de estudos sobre literatura. Havia 38 anos Coutinho ocupava a cadeira número 33 da Academia Brasileira de Letras. Dia 5, aos 89 anos, de insuficiência cardíaca, no Rio de Janeiro.

Márcia Kubitschek. Filha caçula de Juscelino Kubitschek, ela entrou para a vida pública em 1985, ao ser nomeada pelo então presidente José Sarney chefe do escritório da Embratur em Nova York. Três anos mais tarde, foi deputada federal na Constituinte. Entre 1991 e 1995, elegeu-se vice-governadora do Distrito Federal. Com o apoio de Fernando Henrique Cardoso, atualmente ocupava o cargo de vice-presidente da Embratur. Márcia estava hospitalizada havia dois meses para o tratamento de cirrose hepática. Dia 5, aos 56 anos, de falência múltipla dos órgãos, em São Paulo.

Internados: o cantor Cauby Peixoto, 65 anos. No sábado, ele deveria ser submetido a uma cirurgia para a colocação de três pontes de safena. Segundo os médicos, a alta só deveria ser dada depois de uma semana. Dia 11, no Rio de Janeiro.

a atriz Elizabeth Taylor, 68 anos. Vítima de inúmeros problemas de saúde nos últimos anos, desta vez ela foi parar no hospital por causa de uma pneumonia. Dia 8, em Los Angeles.

Nomeado: conselheiro do Vaticano o francês Michel Camdessus, 67 anos. Depois de treze anos à frente do Fundo Monetário Internacional (FMI), sinônimo de carrasco das economias frágeis, ele passa a integrar o Conselho para Justiça e Paz, assessorando o papa João Paulo II em assuntos de gestão econômica dos países do Terceiro Mundo. O perdão das dívidas dos países pobres é uma das bandeiras do papa. Dia 7, no Vaticano.

Preso: o empresário Jair Coelho, o Rei das Quentinhas, 68 anos. Dono da Brasal, ele é acusado de fornecer refeições a preços superfaturados para o sistema penitenciário fluminense, usar documentos falsos em contratos de licitação com o Estado e formação de quadrilha. Foragido desde 1º de agosto, Coelho foi preso na capital do Pará. Transferido para o Rio de Janeiro, entrou na carceragem da Polinter tendo ao fundo gritos de outros detentos: "Essa comida é um lixo. Agora você vai ver o que é bom". O Rei das Quentinhas rejeitou o almoço e o jantar. Dia 6, em Belém.

Nasceram: com 3,3 quilos e 54 centímetros, Dylan Michael Douglas. É o primeiro filho da atriz galesa Catherine Zeta-Jones, 30 anos, com o ator americano Michael Douglas, 55. Dia 8, em Los Angeles.

o segundo filho da cantora americana Madonna, 42 anos. Rocco Ritchie é fruto de seu relacionamento com o diretor de cinema Guy Ritchie, 32 anos. O anúncio do nascimento foi feito, em Nova York, pela porta-voz de Madonna, Liz Rosenberg, sem maiores detalhes, inclusive o local do parto. Dia 11.

Firmado: acordo entre o pagodeiro Alexandre Pires, 24 anos, e a família do vendedor José Alves Sobrinho. O líder do grupo Só pra Contrariar pagará 250.000 reais pela morte, aos 37 anos, de Sobrinho. Em fevereiro, o músico, na direção de um jipe, atropelou o vendedor, que estava de motocicleta. O acerto põe fim ao processo cível movido contra Pires, que pedia uma indenização de 2,3 milhões de reais. O processo criminal por homicídio culposo continua. Dia 9, em Uberlândia, Minas Gerais.

Aprovado: pela Câmara dos Deputados o projeto de lei que proíbe a propaganda de cigarros e impede o patrocínio de eventos culturais e esportivos pela indústria tabagista. O texto ainda deve ser analisado pelo Senado. Dia 9, em Brasília.

Recebeu alta: o ex-presidente americano Gerald Ford, 87 anos. No início do mês, ele sofreu dois pequenos derrames cerebrais. Dia 9, em Filadélfia, Estados Unidos.

 

Dele não é

Eraldo Platz
Marco de Bari
Victória e o piloto: testes negam a paternidade

No decorrer de seus 6 anos de vida, a pequena Victória ouviu a mãe, a ex-modelo Marcella Prado (hoje a evangélica Edilaine de Barros Gonçalves, de volta ao nome original), contando que seu pai era o piloto Ayrton Senna, morto em 1994. Fotos dos dois publicadas lado a lado suscitavam reações do tipo: "É a cara dele!" Até Adriane Galisteu, namorada do piloto na ocasião de sua morte, chegou a ver certa semelhança entre eles. Em novembro passado, a família Senna abriu processo de verificação de paternidade. Amostras de sangue e saliva de Victória, de Edilaine, dos dois irmãos e dos pais do piloto foram enviadas a quatro laboratórios. Os exames realizados no paulista Genomic e na Clínica Genealógica, no Rio, atestam: Senna não é o pai. Os advogados de Edilaine podem pedir a exumação do corpo do piloto. Devem, no entanto, ter indícios que sustentem a tese da paternidade presumida. Difícil. A margem de erro de exames como esses é tecnicamente zero.

 

Adeus ao "Homem sem Face"


LucasFilm
Guinness em Star Wars


Certa vez, em 1975, um crítico de cinema encontrou Alec Guinness saindo de uma livraria e custou a reconhecê-lo. "Que barbicha é essa?", indagou. "É para um filme americano", respondeu. "Tenho um papel pequeno. Portanto, só preciso de uma pequena barba." O "pequeno papel" era o de Obi-Wan Kenobi, o mestre Jedi da trilogia Guerra nas Estrelas, o maior fenômeno da indústria cinematográfica. A série deixou o ator inglês rico – o diretor George Lucas agradeceu sua participação com uma parcela de 2,25% da bilheteria –, mas torrou sua paciência pelos anos seguintes. "Eu não agüentava mais dizer aquelas falas idiotas", confessou. A adoração dos fãs de Guerra nas Estrelas também incomodava Guinness, que se comprazia da reputação de "homem sem face", capaz de moldar seu talento a qualquer gênero ou personagem. Ele estreou no teatro aos 20 anos, mas desde pequeno se divertia montando palcos de brinquedo e encenando as próprias peças. Era o hábito de uma criança solitária e pobre. Filho ilegítimo, tentou a vida inteira encontrar o pai, sem conseguir. Já era um astro na Inglaterra quando ganhou fama mundial, em 1957, graças ao épico A Ponte do Rio Kwai, uma de suas muitas parcerias com o diretor David Lean. Alec Guinness morreu no sábado 5, aos 86 anos, vítima de câncer no fígado.

 

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