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Edição 2068

16 de julho de 2008
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CINEMA

A Ilha da Imaginação: Abigail Breslin e Jodie Foster experimentam a aventura

A Ilha da Imaginação (Nim’s Island, Estados Unidos, 2008. Estréia nesta sexta-feira no país) – Nim tem 11 anos e desde os 4 mora com o pai (Gerard Butler) em uma ilha do Pacífico, cuja localização eles não revelam a ninguém para que não estraguem seu paraíso particular. (A mãe, uma oceanógrafa, foi devorada por uma baleia quando Nim ainda era bebê.) Certo dia, o pai some numa tempestade e a menina, desesperada, pede ajuda a seu escritor de aventuras favorito, Alex Rover. Surpresa: Alex é, na verdade, uma mulher neurótica. Jodie Foster está fora de seu elemento no papel cômico da escritora. Mas Abigail Breslin, que sabe ser graciosa e inteligente sem se dar ares irritantes de precocidade, salva com honras esta adaptação do romance infantil de Wendy Orr, A Ilha de Nim, lançado aqui pela Brinque-Book. Veja cenas.

 

DVD

AFP
O que Você Faria?: um estranho método para recrutar um executivo

O que Você Faria? (El Método, Argentina/Espanha, 2005. 2001 Vídeo) – Sete candidatos a uma vaga executiva numa empresa são fechados em uma sala e submetidos a testes sempre desconcertantes, humilhantes ou enfurecedores. Segundo a recepcionista, eles estão sendo avaliados pela última palavra em seleção de pessoal, o Método Grönholm (nome, aliás, com que a peça do catalão Jordi Galcerán foi recentemente encenada no Brasil). O diretor argentino Marcelo Piñeyro, filmando na Espanha, com elenco espanhol encabeçado por um de seus atores favoritos, Eduardo Noriega, confirma a consistência demonstrada em Plata Quemada e Kamchatka: faz a tensão subir na mesma medida em que o enigma se intensifica, e arremata tudo com um desfecho certeiro.

 

LIVROS

Eu Fui Vermeer, de Frank Wynne (tradução de Hildegard Feist; Companhia das Letras; 296 páginas; 39 reais) – O irlandês Frank Wynne retrata o mercado negro de artes plásticas como pano de fundo para a trajetória de Han van Meegeren, um dos maiores falsários do século XX. Especialista em reproduzir o estilo e a técnica do mestre holandês Johannes Vermeer – autor de Moça com Brinco de Pérola, obra que inspirou o filme estrelado por Scarlett Johannson –, Han forjou, entre 1937 e 1944, sete pinturas de Vermeer, consideradas legítimas obras-primas pelos críticos mais respeitados, e forneceu quadros falsos aos nazistas, faturando milhões. O trabalho dos especialistas que identificam falsificações também é meticulosamente detalhado pelo autor em uma narrativa com toque de thriller policial. Leia trecho.

Aqui Nos Encontramos, de John Berger (tradução de Ana Deiró; Rocco; 208 páginas; 33,50 reais) – O próprio autor é o protagonista destas memórias em que romance, ensaio e autobiografia se entrecruzam. A cada capítulo, Berger passeia pelas lembranças de pessoas que já se foram e o marcaram. As páginas exalam nostalgia; não por acaso, sua viagem começa em Lisboa, cidade natal de sua mãe. De lá, o escritor segue para Genebra, onde está enterrado o argentino Jorge Luis Borges. A retrospectiva prossegue com Berger dissertando sobre frutas, conforme lembradas pelos seus mortos; esbarrando em Madri com o fantasma do homem que o ensinou a escrever; e comparando o Rio Szum, próximo à casa de um amigo na Polônia, ao Ching, "o rio de seu pai", que corria no jardim da casa onde morou até os 6 anos, num subúrbio de Londres. Leia trecho.

 

DISCOS

Gary Gershoff/Getty Images


O inglês Winwood: um artista completo de volta à ativa

Nine Lives, Steve Winwood (Sony/BMG) – Cantor, compositor e instrumentista, o inglês Steve Winwood é um dos maiores nomes da história do pop. Entre suas qualidades está a voz, influenciada pelo rhythm’n’blues americano e capaz de interpretações extremamente delicadas. Winwood é, além disso, um artista completo, que explora diversas linhas musicais – das baladas ao blues, do rock à eletrônica. Nine Lives, seu primeiro disco em cinco anos, mostra que essas virtudes se mantiveram intactas. Traz desde baladas para ouvir a dois (Try) até canções de pegada africana (Hungry Man). Winwood também arrancou o melhor solo de Eric Clapton em muitos anos: o legendário guitarrista quebra tudo em Dirty City.


Mi Sueño, Ibrahim Ferrer; Flor de Amor, Omara Portuondo (MCD) – Os dois cantores cubanos fizeram parte do projeto Buena Vista Social Club – o disco do guitarrista americano Ry Cooder e depois filme do alemão Wim Wenders –, que tirou do ostracismo diversos artistas que eram sucesso nos cassinos da ilha nos anos 50. Ferrer morreu em 2005, antes de completar a gravação dos boleros (seu gênero predileto) de Mi Sueño, e seus vocais não são os mesmos de outrora – a exceção é Melodia del Rio, gravada em 1988. Mas ele é escudado por grandes instrumentistas, como o pianista Roberto Fonseca, autor do solo de Deuda. Omara, por sua vez, estreita os laços com a música brasileira. Flor de Amor traz a participação de músicos como o violonista Swami Jr. (que faz também um belo solo em Mueve la Cintura Mulato) e o acordeonista Toninho Ferragutti.

 
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