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Cartas
A cinematográfica
ação que resultou na libertação
de Ingrid Betancourt e dos demais reféns das covardes
Farc é absolutamente emblemática ("Somos
do Exército. Vocês estão livres", 9
de julho). Os narcoguerrilheiros dessa horrenda organização
terrorista, responsáveis pelo cativeiro dos reféns,
foram confundidos e traídos pela imagem de Che Guevara
na camiseta dos militares colombianos, que, a propósito,
estavam inteligentemente disfarçados com a indumentária
que caracteriza dez entre dez esquerdistas bolorentos e enfadonhos.
Que simbólica ironia! Che Guevara, um dos ícones
decadentes e anacrônicos que atraíram esses (e
outros) terroristas para uma causa inglória e veementemente
repudiada mundo afora, é o mesmo que os confundiu e traiu.
A libertação
da franco-colombiana Ingrid Betancourt foi um tapa de luva nos
"intelectuais" brasileiros que ainda acreditam que
as Farc estão na luta armada por causa de uma revolução
socialista que não chegará nunca, e não
pelo dinheiro do narcotráfico e dos seqüestros.
Vemos a posição omissa do governo brasileiro em
diversas situações graves: a violência das
Farc, o desrespeito de Chávez à democracia verdadeira,
a quase doação de refinarias à Bolívia
e a não condenação da ditadura de Cuba
e de alguns países da África. Um candidato à
liderança do Hemisfério Sul não pode agir
dessa forma. Pensando nesses fatos, lembro-me do rei da Espanha:
governo brasileiro, por que te calas? Uma das conseqüências
mais notáveis desse evento será podermos testemunhar
a irrelevância diplomática a que foi remetida a
política externa brasileira nos últimos anos.
Basta prestar atenção em quais reuniões
internacionais o Brasil se fará representado. Celso Amorim
tentará, como de costume, minimizar o fracasso de sua
gestão à frente do Itamaraty, mas ele sabe que
diante dos fatos não terá como contra-argumentar.
Tribunal de Contas do Estado do Rio Em relação
à reportagem publicada na edição do último
dia 2 de julho, envolvendo o município de Carapebus,
o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) reitera
que, mesmo antes de ser procurado pela revista, o atual presidente
do TCE-RJ, José Maurício Nolasco, havia determinado,
no último dia 23 de junho, inspeção especial
nos contratos entre o Grupo SIM e o município de Carapebus.
Também foi determinada pela atual gestão uma auditoria
em todos os processos de prestação de contas de
Carapebus. O TCE julgou irregulares as contas de Ordenador do
Município de Carapebus no ano de 2003. As contas de gestão
de 2004, do mesmo prefeito, receberam parecer prévio
contrário do corpo deliberativo do TCE. Todas as matérias
submetidas ao TCE são precedidas de manifestação
do corpo instrutivo e do Ministério Público Especial,
como se pode constatar na documentação encaminhada
à revista. Ainda em relação à reportagem,
cabe ressaltar que, em 2005, o TCE emitiu ofício a todos
os prefeitos e presidentes de câmaras municipais, além
do secretário de estado de Segurança Pública,
alertando e pedindo providências sobre o risco de pessoas
utilizarem indevidamente o nome do tribunal. O TCE-RJ espera,
dessa forma, esclarecer todas as questões em torno da
atuação da corte, não só no episódio
específico, mas em sua missão permanente de zelar
pela correta aplicação dos recursos públicos. Em atenção
ao questionamento proposto na seção Cartas (9
de julho), relacionado às denúncias de atos irregulares
supostamente praticados por alguns membros de tribunais de contas,
na qualidade de presidente da Associação dos Tribunais
de Contas do Brasil (Atricon), informo que essas cortes estão
passando por uma reformulação através do
Programa de Modernização do Controle Externo (Promoex).
Dentro desse contexto insere-se um anteprojeto de lei processual,
atualmente em análise no TCU, destinado a uniformizar
a atuação de todos os TCs, para evitar distorções
regionalizadas no exame e julgamento das contas públicas.
Outro fator relevante é que já existe um Código
de Ética orientando a postura dos conselheiros.
Temporão e o PMDB A reportagem "Pelos
motivos errados" (9 de julho), que trata da provável
substituição do ministro da Saúde, José
Gomes Temporão, mostra que esse importante cargo é
objeto, meramente, de negociações partidárias,
e que pouco importa a competência do escolhido. A saúde
e a educação do povo brasileiro não podem
ser objeto de barganha. São inegociáveis, devendo
ser escolhidos sempre os melhores, independentemente da filiação
partidária. A reportagem me atribuiu
afirmações difamatórias em conversa que
teria sido mantida num café-da-manhã com o ministro
da Saúde, José Gomes Temporão, culminando
por tachar-me de "especialista em fisiologismo". Repudio
e refuto o publicado, por total improcedência, uma vez
que o PMDB do meu estado, do qual sou dirigente, por coerência
política e independência, optou por não
participar nem indicar ninguém para cargos no governo
federal nesta gestão. Quem representa e representou a
bancada do PMDB em tal café foi seu líder. Não
reclamei. Não solicitei nem solicitarei cargos ao ministro
Temporão. Não participo do governo. Apenas ofereci
o café-da-manhã em meu apartamento funcional.
Diogo Mainardi Quando o esquema da
Gautama estourou, o TSE informou que a empreiteira Andrade Gutierrez
teria sido a maior doadora da campanha de Lula em 2006 (com
6 milhões; 2 deles depois da campanha). A doação
foi ignorada pela imprensa, pelo Congresso, pelo povo. Só
um abordou o tema: Diogo. Agora, o mesmo Diogo quer saber o
motivo da ignorância generalizada a respeito do "Lula
?" encontrado na lista do empreiteiro Zuleido Veras
("O país do Zé Pretinho", 9 de julho).
Acho que o Brasil continua a se acotovelar, não mais
para lamber as botas do ditador, mas para escondê-las
debaixo do tapete junto com toda a sua imundície.
Holofote A nota sobre o Sistema
Geral de Preferências dos EUA da coluna Holofote (9 de
julho) revela desconhecimento injustificado do trabalho desenvolvido
pelo governo brasileiro e pela Embaixada do Brasil em Washington.
Temos não somente mantido estreita coordenação
com o setor privado, mas também realizado recorrentes
gestões no âmbito do Executivo e do Congresso americanos
em favor da manutenção das preferências
que beneficiam o país. A Fiesp e a Câmara de Comércio
Americana enviarão duas missões aos EUA em julho
corrente, que contarão como sempre com o pleno apoio
da embaixada. Na recente revisão anual para inclusão
ou exclusão de produtos específicos, gestionamos
de forma exitosa pela manutenção do produto filme
PET da empresa Terphane Brasil, que estava sob risco de perder
isenção tarifária por solicitação
de seus concorrentes nos EUA. Relevante igualmente para a renovação
do SGP será o Brazil Caucus, grupo parlamentar bipartidário
na Casa de Representantes de apoio às relações
entre os dois países, recentemente reativado em razão
de esforços que envolveram participação
ativa da embaixada. Estou em contato freqüente com os co-presidentes
do Caucus para estabelecer prioridades e planejar ações
conjuntas: a manutenção do SGP está no
topo de nossa agenda. Neste momento em que começa a se
intensificar o debate sobre a renovação do SGP
em Washington, é especialmente importante mantermos uma
cooperação construtiva entre todos os atores interessados,
para maximizar nossas chances de êxito.
Cinqüentões empreendedores Em 2008, renovamos
nossa 14ª assinatura anual de VEJA. Temos dois filhos universitários
que fazem grande uso das informações da revista.
Nesta semana, em particular, venho expressar minha satisfação
ao ler a reportagem de capa "A aurora dos cinqüentões".
Apesar de ter me aposentado com 45 anos, foi a partir daí que
busquei a pós-graduação e a especialização.
Hoje, aos 57 anos, me sinto altamente produtiva na educação,
área em que atuo. Recentemente, recebi duas propostas
de trabalho que levaram em conta justamente a experiência
acumulada. A educação é o maior investimento
que podemos fazer em nós mesmos, além do prazer
que a atividade pode proporcionar. Basta ter a perspectiva de
uma maior longevidade. Completo 50 anos de
idade no próximo dia 17, e recebo a reportagem como um
presente de aniversário. Tenho o perfil das pessoas citadas,
ou seja, aposento-me na carreira do magistério em outubro
deste ano e estou engajada na busca de uma nova atividade profissional,
a fim de realizar o que não pude quando mais jovem. Cumprimento
VEJA pela excelente maneira como esclareceu à sociedade
que nessa idade ainda somos ativos e capazes de realizações
pessoais. Ao completar 50 anos
de idade e 25 de casada, senti-me homenageada com a reportagem
de capa de VEJA. A vida aos 50 é um reinventar-se constante,
um renovar-se permanente, pois estamos no auge de nossas atividades
físicas e intelectuais, em processo de construção
contínuo e com grandes projetos de futuro. Aos 50 anos, inicia-se
a segunda juventude: corpo sarado, metas determinadas, busca
de satisfação profissional, e, na bagagem um troféu:
experiência de vida.
Gustavo Ioschpe Cumprimento Gustavo
Ioschpe pelo excelente artigo "De pais e professores"
(9 de julho). Dos bons artigos sobre o tema que tenho lido ultimamente
nenhum retrata tão bem a realidade das escolas públicas
e do ensino em nosso país. Falta, sim, civismo, e que
os que colocam os filhos em escolas particulares ajudem seus
concidadãos menos afortunados a clamar por uma escola
pública de melhor qualidade. Muito pertinente o
artigo ao abordar o despreparo dos pais no acompanhamento de
seus filhos em tarefas e atividades escolares. À instituição
escola cabe a educação formal dos nossos jovens,
o que só será possível com o constante
aperfeiçoamento dos nossos mestres que, mais que especialistas
em sua disciplina, devem ter conhecimento pleno das constantes
transformações que o mundo que nos cerca sofre
a cada milésimo de segundo. Porém, é chegada
a hora de termos a participação da família
na formação humana desses jovens, para que a essência
da instituição família não se torne
obsoleta e continue sendo uma referência de valores
éticos e morais, papel que muitas vezes é legado
à escola. Uma das medidas que
ajudariam a minimizar a pouca colaboração que
os pais menos instruídos podem dar aos filhos seria aumentar
a duração das aulas. Se os alunos passarem a manhã
e a tarde na escola e se houver mecanismos lá mesmo para
que eles sejam ajudados nas tarefas para casa, a cobrança
aos pais diminuirá. Outro problema que essa medida ajudaria
a evitar é a influência de vizinhanças com
alto grau de criminalidade sobre a formação das
crianças. A escola de tempo
integral melhoraria muito a condição do ensino
no Brasil, mas essa não é uma premissa para nossos
governantes, que alegam falta de recursos financeiros, o que
nem sempre é verdade. Até mesmo uma
mãe analfabeta pode ajudar na educação
escolar de seus filhos. Ela só precisa ter interesse,
ir à escola para saber das dificuldades dos filhos, cobrar-lhes
a tarefa. Mas, infelizmente, o que se vê é que
a educação não é mais responsabilidade
da família, e sim da escola. O pensamento é: vamos
fazer filhos que o estado (escola) educa. Daqui a pouco o estado
vai também criá-los.
Lei Seca Não é
a lei que deve ser rigorosa, mas sua aplicação.
Leis excessivamente rigorosas só servem para incentivar
a corrupção e infernizar a vida dos cidadãos
de bem. O objetivo deve ser pegar bêbados perigosos, não
inocentes que comeram um bombom de licor ("Lei Seca, a
missão", 9 de julho). Este país é
realmente um contínuo espetáculo circense. Enquanto
mensaleiros e "traficantes" de dólares em cuecas
continuam livres para degustar taças de champanhe e celebrar
a vida, o cidadão comum que tomar um copo de cerveja
na hora do almoço ou do jantar e voltar para casa ou
para o trabalho dirigindo corre o risco de perder sua habilitação
e quase 1.000 reais de sua conta bancária. Inversão
de valores? Não: completa embriaguez e abuso legislativos.
Toda lei rigorosa
demais é injusta. Dirijo e bebo há mais de dez
anos e nunca atropelei ninguém. Além disso, nem
em casa poderei mais degustar um bom vinho, pois tenho parentes
cardíacos que podem precisar ser levados a qualquer momento
para o hospital e eu não posso ficar dependendo de táxis
em tal emergência. Na prática, a Lei Seca,
ao nivelar os consumidores prudentes de bebidas alcoólicas com
bêbados irresponsáveis, me força
a parar de beber. Já os políticos que aprovaram
essa lei draconiana, com seus motoristas particulares, permanecerão
livres para enfiar o pé na jaca. Bela democracia! Tenho 42 anos e com
certeza fui um sobrevivente na minha adolescência. Inúmeras
noites em claro meus pais devem ter passado quando eu estava
na balada, em uma idade de auto-afirmação em que
precisava beber para chegar às meninas. Mesmo mais velho,
ainda freqüentava bares com amigos regado a cerveja. Quantos
acidentes eu vi ao longo do caminho e certamente devo ter escapado
de tantos outros. Por isso, vejo com bons olhos a Lei Seca no
trânsito. Podemos discutir o rigor, mas não o mérito
da lei. O motorista, ao dirigir
alcoolizado, está sim praticando um crime denominado
de perigo abstrato ou presumido, uma vez que está expondo
a risco um bem jurídico (vida). A novel lei, a meu ver,
é leniente ao prever apenas medidas administrativas para
aqueles que forem flagrados com taxa inferior a 0,6 grama de
álcool por litro de sangue.
Edwin Aldrin Depois de ler a mais
bela reportagem sobre o universo, na semana retrasada, senti
que a entrevista com Edwin Aldrin (Amarelas, 9 de julho) foi
como uma magnífica sobremesa. Jamais duvidei das alunissagens
da década de 70 (principalmente pelas evidências,
como o refletor laser), mas havia anos duvidava da primeira
delas, em 1969. Entretanto, as palavras convictas do senhor
Aldrin e a divulgação de sua comunhão na
Lua convenceram-me. VEJA, com essas reportagens, conseguiu superar
as publicações especializadas na divulgação
científica. Parabéns!
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