Edição 1810 . 9 de julho de 2003

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DVD

Fotos divulgação
Grant e Irene: comédia abilolada


Cupido É Moleque Teimoso
(The Awful Truth, Estados Unidos, 1937. Columbia) – Jerry e Lucy são casados, mas morrem de desconfiança um do outro. O divórcio é inevitável, e a entrada de novos pares na vida deles também. Só que, enquanto a papelada da separação corre, Jerry faz de tudo para frustrar o romance da ex, e vice-versa. O diretor Leo McCarey fez desse enredo um dos mais afinados e divertidos exemplares de um gênero que estava em seu auge, a chamada "comédia abilolada". Como Jerry, Cary Grant, em seu primeiro papel de grande sucesso, é desafiado lance a lance em sua capacidade de improvisação pela excelente Irene Dunne – que, por ter uma beleza e um talento mais sutis que os de suas contemporâneas, ficou imerecidamente de fora do panteão das divas dos anos 30 e 40.

 
Divulgação
Os Thornberrys: uma família sui generis

Os Thornberrys – O Filme (The Wild Thornberrys Movie, Estados Unidos, 2002. Paramount) – Maior sucesso do canal Nickleodeon desde que começou a ser exibido, em 1998, esse desenho trata de uma família sui generis: papai e mamãe (ele é inglês e ela, americana) produzem documentários sobre a vida selvagem. O caçula é um moleque encontrado durante as viagens deles, que ainda não se sociabilizou. A filha do meio sonha com a vida civilizada da América, e a mais velha, Eliza, tem o dom – que deve manter em segredo – de falar com os animais. O longa-metragem equivale a uma versão esticada dos episódios televisivos, mas preserva todas as qualidades desses: animação simples, mas inventiva, muito senso de humor e um jeito saudavelmente despojado de tratar dos pequenos conflitos familiares. Assista ao trailer

 

LIVROS

Naufrágios, de Akira Yoshimura (tradução de Sylvio Monteiro Deutsch; Best Seller; 191 páginas; 27 reais) – O público brasileiro já teve contato indireto com a obra do japonês Yoshimura graças ao filme A Enguia, dirigido por Shohei Imamura em 1997 e baseado num de seus romances. Yoshimura é um autor de grande renome em seu país e Naufrágios mostra que sua força está na austeridade e na maestria com que maneja recursos tradicionais da ficção japonesa, como a sugestão de sentimentos por meio de descrições da natureza. A história se passa no período medieval e é narrada por uma criança, Isaku, que mora numa aldeia pesqueira. Paupérrimos, os habitantes do lugar provocam de tempos em tempos o naufrágio de um navio que passa ao largo, para pilhar seus despojos. Até o dia em que um desses navios traz consigo uma epidemia de varíola. Leia trecho do livro

Dezembros Selvagens, de Edna O'Brien (tradução de Cyana Leahy; Bertrand Brasil; 304 páginas; 39 reais) – A irlandesa Edna O'Brien é considerada uma das maiores autoras de língua inglesa da atualidade. Tem entre seus fãs escritores do quilate do americano Philip Roth. Dezembros Selvagens é o último livro de uma trilogia em que a escritora fala do embate entre a velha Irlanda, rural e atrasada, e o país atual, que se moderniza à medida que se integra à União Européia. No centro da trama está uma disputa pela posse de terras. De um lado, encontra-se um fazendeiro tradicionalista, que se coloca como rei absoluto dos campos que habita. De outro, um jovem ambicioso, que volta do exterior disposto a reclamar as terras a que tem direito, e para isso começa a ará-las com um trator. Ao narrar o choque entre ambos, Edna trafega, com destreza, do humor à tragédia.

Bandeira e Lilás, de John Berger (tradução de Roberto Grey; Rocco; 195 páginas; 24,50 reais) – John Berger é uma figura lendária no meio literário inglês. Deixou o país há mais de quarenta anos para morar num vilarejo dos Alpes. Ajudou a compor sua imagem de rebelde o fato de ter dedicado todo o dinheiro que ganhou com o Prêmio Booker, em 1972, ao grupo revolucionário Black Panthers. Mas sua fama também se apóia na excelência artística, como demonstra esse romance. Ele põe fim a uma trilogia composta ainda dos livros Terra Nua e Uma Vez in Europa (já lançados pela Rocco), que aborda o choque entre a cultura tradicional e a cultura urbana moderna. Bandeira e Lilás passa-se numa cidade imaginária, batizada de Tróia, onde um casal jovem, descendente de camponeses, tenta sobreviver.

 

Discos

The Sound of, Style Council (Universal) – O cantor e guitarrista Paul Weller flertou com uma enorme variedade de gêneros musicais ao longo de sua prolífica carreira. Depois de fazer história à frente do grupo punk The Jam, nos anos 70, ele resolveu testar a mão no jazz, na soul music, na bossa nova e em outros estilos "refinados". Criou, então, o Style Council ao lado do pianista Mick Talbot. A banda tornou-se expoente do "pop chique" dos anos 80, juntamente com a cantora Sade Adu e com a banda Simply Red. De todos esses artistas, Weller talvez seja o mais talentoso, como bem ilustra essa compilação, boa tanto nas faixas dançantes (Shout to the Top, Walls Come Tumbling Down) quanto nas baladas (You're the Best Thing, My Ever Changing Moods).

 
Oscar Cabral

Ramiro Musotto: o berimbau redimido

Sudaka, Ramiro Musotto (MCD) – O instrumentista Ramiro Musotto é uma figura surpreendente. Ele nasceu na Argentina, mas possui mais suingue do que muitos batuqueiros da Bahia. No início da carreira, chegou até a participar de diversos discos ao vivo de bandas de axé music. Musotto também redimiu o berimbau, instrumento que perde em chatice apenas para a gaita-de-foles escocesa. Ele o utiliza na música tecno com resultados inusitados – vide a batida contagiante da faixa La Danza del Tezcatlipoca Rojo. Sudaka é a estréia-solo do músico, que trabalhou ao lado de artistas do primeiro time, como Lulu Santos, Skank e Kid Abelha. Muitos deles colaboram no álbum. Lulu, por exemplo, capricha nos efeitos de guitarra na faixa Antônio das Mortes, que também traz o saxofonista argentino de jazz Gato Barbieri.

 


 
 
 
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