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Radar
GOVERNO
O
conselheiro
Há
duas semanas, Antonio Palocci teve um jantar reservado com Armínio
Fraga, na casa do ex-presidente do BC, no Rio de Janeiro. Não
foi o primeiro e não será o último encontro
fechado entre ambos. Aliás, eles conversam com alguma freqüência
pelo telefone.
Jogo afinado
As
paredes do gabinete do ministro da Fazenda testemunharam uma longa
conversa entre Antonio Palocci e Ciro Gomes na quinta-feira passada.
Sabe-se que falaram quase nada de Integração Nacional
e quase tudo de economia e reformas.
Sono
difícil
A
alguns interlocutores com quem se reuniu na semana passada, José
Dirceu defendeu que o BC dê uma pancada forte nas taxas de
juros neste mês. Ele chegou a dizer que não tem dormido
bem, preocupado com a paradeira da economia. Não é,
certamente, o único.
| No
mesmo ministério
Uma
nomeação muito especial agitou o Ministério
do Trabalho na semana passada. Tudo por causa da designação
de Fátima, mulher do ministro do Trabalho, Jaques
Wagner, como representante do próprio ministério
no Conselho Nacional dos Direitos da Criança
e do Adolescente (Conanda). A justificativa para a indicação
era que Fátima trabalha nessa área há
muito tempo e o cargo não era remunerado. Além
disso, teria sido um pedido do próprio Lula.
Na véspera de Fátima participar de sua
primeira reunião no Conanda, porém, a
indicação foi cancelada, evitando que
um certo mal-estar ganhasse corpo. Descobriu-se que
só funcionários públicos federais
poderiam ocupar essa vaga.
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CÂMARA
Sobrando dinheiro
Está
em curso na Câmara dos Deputados uma proposta da presidência
da Casa para a criação de 55 novos cargos. Isso vai
custar mais 1,8 milhão de reais em salários por ano.
Deve ser para dar uma mãozinha nas estatísticas de
desemprego.
ECONOMIA
Pão de queijo globalizado
A
General Mills, terceira maior empresa americana da área de
alimentos, comprou mais uma fábrica de pão de queijo
de Minas Gerais, a São Geraldo. Em 1999, os gringos pagaram
cerca de 80 milhões de dólares pela líder do
mercado, a Forno de Minas, e, de quebra, levaram também a
Mania de Minas. Agora, com as três marcas, os americanos já
detêm 59% do mercado da mais tradicional iguaria mineira.
País
parado
Pequeno
sinal da pindaíba generalizada: caiu 10% a fabricação
de cartões de crédito e de débito neste primeiro
semestre em relação ao mesmo período do ano
passado.
Na
contramão
Apesar
da paradeira da economia e da deflação, dois gigantes
da indústria reajustaram com bastante carinho os preços
de seus produtos em junho. A Nestlé aumentou entre 5% e 6%
e a AmBev elevou suas cervejas em 11%.
Inferno
astral
Em
meio a mais uma disputa pelo controle da companhia, a Bombril enfrenta
outro problemão desta vez nas gôndolas dos supermercados.
Sua participação de mercado caiu para 69,7%, o índice
mais baixo da história da empresa. Até o ano passado,
por exemplo, a Bombril dominava 83% do mercado.
Bye-bye,
Brasil
A
seguradora americana Combined, que desembarcou por aqui há
quatro anos, está querendo cair fora. Já ofereceu
sua operação brasileira a algumas concorrentes.
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Niemeyer,
enfim chega à Rússia
Arthur Cavalares/Strana
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Niemeyer: o convite veio dos capitalistas |
Há
três meses, o incansável gênio de
Oscar Niemeyer se dedica a um novo projeto para uma
cidade que tinha tudo para ter uma obra dele
mas nunca teve. Niemeyer está desenhando um monumento
à paz, que será erguido numa praça
de Moscou. Terá uma forma que sugere uma flor
e dará a impressão de estar solta no ar.
Não deixa de ser irônico que Niemeyer,
ainda hoje comunista de carteirinha, só tenha
sido convidado a deixar sua marca na Rússia depois
que o regime soviético ruiu. Mas, como gosta
de enfatizar Niemeyer, suas afinidades com os soviéticos
eram ideológicas e não estéticas.
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MEIO
AMBIENTE
Leilão ameaçado
O
Ibama está muito inclinado a não conceder a autorização
para que parte da Bacia do Espírito Santo possa ser explorada
para a produção de petróleo. Está marcado
para agosto um leilão, promovido pela ANP, de áreas
da bacia situadas entre o norte do Espírito Santo e o sul
da Bahia que, dependendo da decisão do Ibama, pode
não mais acontecer. A área é uma espécie
de filé mignon do leilão. O Ibama teme que a exploração
de petróleo na região ameace as formações
rochosas do Parque Nacional de Abrolhos.
EXPORTAÇÃO
O espetáculo deles
Algo
se move ao sul do país. As exportações brasileiras
para a Argentina cresceram 92% neste primeiro semestre, em comparação
com o mesmo período do ano passado. Para sentir o peso da
recuperação argentina, um outro dado eloqüente:
as importações de máquinas e equipamentos brasileiros
estão 215% maiores. Deve ser o tal "espetáculo do
crescimento" argentino.
O nosso espetáculo 1
O
extraordinário desempenho das exportações brasileiras
esconde alguns números curiosos, que mostram como o país
está penetrando em mercados aos quais nunca prestara a menor
atenção. Neste primeiro semestre, as exportações
para Malta cresceram 652%, para Zâmbia 512% e para a Letônia
outros 204%. A gama de produtos vai de fumo a castanha de caju,
passando por tratores e tijolos.
O nosso espetáculo 2
Com
os mesmos três dígitos de crescimento enfileiram-se
países que a maioria dos brasileiros não é
nem capaz de apontar no mapa, mas que os exportadores sabem direitinho
onde ficam, como Mali, Malauí e Mianmar.
FORMULA
1
Bons argumentos
Cesar
Maia despistou, mas ofereceu milhões de argumentos para tirar
de São Paulo e levar para o Rio de Janeiro a etapa brasileira
da Fórmula 1 em 2005, num encontro na semana passada com
Bernie Ecclestone, o manda-chuva do esporte. Mais precisamente 10
milhões de dólares por ano.
Lauro
Jardim (e-mail:
ljardim@abril.com.br)
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