Edição 1811 . 16 de julho de 2003

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GOVERNO

O conselheiro
Há duas semanas, Antonio Palocci teve um jantar reservado com Armínio Fraga, na casa do ex-presidente do BC, no Rio de Janeiro. Não foi o primeiro e não será o último encontro fechado entre ambos. Aliás, eles conversam com alguma freqüência pelo telefone.

Jogo afinado
As paredes do gabinete do ministro da Fazenda testemunharam uma longa conversa entre Antonio Palocci e Ciro Gomes na quinta-feira passada. Sabe-se que falaram quase nada de Integração Nacional e quase tudo de economia e reformas.

Sono difícil
A alguns interlocutores com quem se reuniu na semana passada, José Dirceu defendeu que o BC dê uma pancada forte nas taxas de juros neste mês. Ele chegou a dizer que não tem dormido bem, preocupado com a paradeira da economia. Não é, certamente, o único.

 

 
No mesmo ministério

Uma nomeação muito especial agitou o Ministério do Trabalho na semana passada. Tudo por causa da designação de Fátima, mulher do ministro do Trabalho, Jaques Wagner, como representante do próprio ministério no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A justificativa para a indicação era que Fátima trabalha nessa área há muito tempo e o cargo não era remunerado. Além disso, teria sido um pedido do próprio Lula. Na véspera de Fátima participar de sua primeira reunião no Conanda, porém, a indicação foi cancelada, evitando que um certo mal-estar ganhasse corpo. Descobriu-se que só funcionários públicos federais poderiam ocupar essa vaga.

 

CÂMARA

Sobrando dinheiro
Está em curso na Câmara dos Deputados uma proposta da presidência da Casa para a criação de 55 novos cargos. Isso vai custar mais 1,8 milhão de reais em salários por ano. Deve ser para dar uma mãozinha nas estatísticas de desemprego.

 

ECONOMIA

Pão de queijo globalizado
A General Mills, terceira maior empresa americana da área de alimentos, comprou mais uma fábrica de pão de queijo de Minas Gerais, a São Geraldo. Em 1999, os gringos pagaram cerca de 80 milhões de dólares pela líder do mercado, a Forno de Minas, e, de quebra, levaram também a Mania de Minas. Agora, com as três marcas, os americanos já detêm 59% do mercado da mais tradicional iguaria mineira.

País parado
Pequeno sinal da pindaíba generalizada: caiu 10% a fabricação de cartões de crédito e de débito neste primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado.

Na contramão
Apesar da paradeira da economia e da deflação, dois gigantes da indústria reajustaram com bastante carinho os preços de seus produtos em junho. A Nestlé aumentou entre 5% e 6% e a AmBev elevou suas cervejas em 11%.

Inferno astral
Em meio a mais uma disputa pelo controle da companhia, a Bombril enfrenta outro problemão – desta vez nas gôndolas dos supermercados. Sua participação de mercado caiu para 69,7%, o índice mais baixo da história da empresa. Até o ano passado, por exemplo, a Bombril dominava 83% do mercado.

Bye-bye, Brasil
A seguradora americana Combined, que desembarcou por aqui há quatro anos, está querendo cair fora. Já ofereceu sua operação brasileira a algumas concorrentes.

 

 

Niemeyer, enfim chega à Rússia

Arthur Cavalares/Strana
Niemeyer: o convite veio dos capitalistas


Há três meses, o incansável gênio de Oscar Niemeyer se dedica a um novo projeto para uma cidade que tinha tudo para ter uma obra dele – mas nunca teve. Niemeyer está desenhando um monumento à paz, que será erguido numa praça de Moscou. Terá uma forma que sugere uma flor e dará a impressão de estar solta no ar. Não deixa de ser irônico que Niemeyer, ainda hoje comunista de carteirinha, só tenha sido convidado a deixar sua marca na Rússia depois que o regime soviético ruiu. Mas, como gosta de enfatizar Niemeyer, suas afinidades com os soviéticos eram ideológicas e não estéticas.

 

MEIO AMBIENTE

Leilão ameaçado
O Ibama está muito inclinado a não conceder a autorização para que parte da Bacia do Espírito Santo possa ser explorada para a produção de petróleo. Está marcado para agosto um leilão, promovido pela ANP, de áreas da bacia situadas entre o norte do Espírito Santo e o sul da Bahia – que, dependendo da decisão do Ibama, pode não mais acontecer. A área é uma espécie de filé mignon do leilão. O Ibama teme que a exploração de petróleo na região ameace as formações rochosas do Parque Nacional de Abrolhos.

 

EXPORTAÇÃO

O espetáculo deles
Algo se move ao sul do país. As exportações brasileiras para a Argentina cresceram 92% neste primeiro semestre, em comparação com o mesmo período do ano passado. Para sentir o peso da recuperação argentina, um outro dado eloqüente: as importações de máquinas e equipamentos brasileiros estão 215% maiores. Deve ser o tal "espetáculo do crescimento" – argentino.

O nosso espetáculo 1
O extraordinário desempenho das exportações brasileiras esconde alguns números curiosos, que mostram como o país está penetrando em mercados aos quais nunca prestara a menor atenção. Neste primeiro semestre, as exportações para Malta cresceram 652%, para Zâmbia 512% e para a Letônia outros 204%. A gama de produtos vai de fumo a castanha de caju, passando por tratores e tijolos.

O nosso espetáculo 2
Com os mesmos três dígitos de crescimento enfileiram-se países que a maioria dos brasileiros não é nem capaz de apontar no mapa, mas que os exportadores sabem direitinho onde ficam, como Mali, Malauí e Mianmar.

 

FORMULA 1

Bons argumentos
Cesar Maia despistou, mas ofereceu milhões de argumentos para tirar de São Paulo e levar para o Rio de Janeiro a etapa brasileira da Fórmula 1 em 2005, num encontro na semana passada com Bernie Ecclestone, o manda-chuva do esporte. Mais precisamente 10 milhões de dólares por ano.


Lauro Jardim (e-mail: ljardim@abril.com.br)

 
Foto Jader da Rocha

 
 
 
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