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Cidades
Brasil
high-tech
Indústria
de software avança no país e é
usada até para revitalizar centros históricos

Diogo
Schelp
Fotos Eduardo Queiroga/Ag. Lumiar
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Bairro do Recife, transformado em Porto Digital: 58 empresas
e cerca de 1 000 profissionais |
Entre
os processos de revitalização de bairros históricos
no país, o caso mais original é o do Bairro do Recife,
no centro antigo da capital pernambucana. De 2001 para cá,
o lugar de 400 anos deixou de ter movimento apenas noturno, nos
bares instalados nos casarões restaurados, e voltou a ter
vida também de dia. Hoje, nos armazéns centenários
do cais do porto e nos prédios que no passado sediaram alfândega,
repartições públicas e residências, trabalham
1.000 empregados de uma indústria
responsável por 1% do PIB do Estado: a de software. Sob os
paralelepípedos, 26 quilômetros de cabos de fibra ótica
dão às 58 empresas de alta tecnologia ali instaladas
acesso ao que há de mais moderno em tecnologia de transmissão
de dados.
O
Porto Digital, como é chamado, é um dos principais
pólos de uma indústria que cresce no Brasil a 11%
ao ano: a de desenvolvimento de programas de computador e soluções
para informática. Essa indústria está pulverizada
em uma dezena de pólos regionais, sempre próximos
a universidades, que fornecem a mão-de-obra qualificada e
fazem parcerias de pesquisa com empresas. O pólo recifense
está intimamente ligado à Universidade Federal de
Pernambuco, que tem um dos principais centros de estudos em informática
do país.
Movimentando
7,7 bilhões de dólares por ano, o Brasil ainda está
atrás de outros países em desenvolvimento, como a
China (7,9 bilhões) e a Índia (8,2 bilhões),
no mercado mundial de software. A produção indiana
é mais conhecida internacionalmente porque tem o foco na
exportação: o país asiático exporta
6,2 bilhões de dólares por ano em softwares, enquanto
o Brasil mal passa dos 100 milhões. Um dos motivos, porém,
é o tamanho do mercado brasileiro, que absorve praticamente
toda a produção daqui.
Um
estudo recente do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos
Estados Unidos, sobre a produção de software brasileira,
indiana e chinesa, mostrou que o Brasil precisa se organizar para
conquistar espaço nesse mercado de 300 bilhões de
dólares anuais, antes que o façam outros países
em desenvolvimento, como Rússia, Filipinas, Argentina e México.
"A indústria de softwares é interessante para países
em desenvolvimento porque não exige investimentos altos em
equipamentos e tem alta rentabilidade", afirma Giancarlo Stefanuto,
coordenador do capítulo brasileiro da pesquisa do MIT. Outros
setores, como o de componentes para computadores, requerem um investimento
inicial muito alto e larga escala para ser rentáveis. "A
tendência é os preços do hardware caírem
cada vez mais, enquanto o lucro se concentra no mercado de softwares",
diz Stefanuto.
Brasil,
China e Índia têm vocação para o software
porque dispõem da matéria-prima mais importante para
produzir a baixo custo: mão-de-obra qualificada mas barata.
O Brasil forma por ano 23.000 profissionais
do setor. Só no software já trabalham no país
158.000 pessoas. Ainda é menos
da metade do número da Índia, que tem uma vantagem
competitiva lá se fala inglês, o que facilita
competir nos Estados Unidos. Mas já é o suficiente
para revitalizar áreas como a do Recife.
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