Edição 1811 . 16 de julho de 2003

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Turismo
Filas em dobro

Novas regras para o visto dificultam a vida de
quem mora em cidade sem consulado americano

 

Claudio Rossi

Oswaldo e Maria das Dores com o filho André na fila em São Paulo: três horas de espera


Como e onde tirar o visto

Tirar visto de entrada nos Estados Unidos sempre foi uma fonte de aborrecimentos. A fila é demorada, passa-se pelo constrangimento de ser obrigado a exibir documentos que comprovem renda, as taxas são salgadas – e, evidentemente, o pedido pode ser negado sem explicações. Como se não bastasse, os americanos decidiram tornar o processo ainda mais incômodo. A partir desta terça-feira, 15, também será obrigatório que o solicitante compareça ao consulado para ser entrevistado. Antes da mudança, era possível fazer o pedido e enviar a papelada por meio de despachantes e agências de turismo. Como os Estados Unidos só têm consulado em São Paulo, no Rio de Janeiro, Recife e Brasília, esse era um recurso muito usado pelos moradores de outros Estados. Agora, terão de viajar até uma dessas quatro capitais se quiserem o visto. Para eles, a nova regra, que faz parte de um pacote antiterrorista adotado pelo Departamento de Estado, vai encarecer as férias na terra do Mickey.

Uma família de quatro pessoas de Porto Alegre que pretenda viajar para Orlando, na Flórida, por exemplo, será obrigada a ir a São Paulo para solicitar o visto. Precisará chegar na véspera, pois na manhã seguinte terá de estar bem cedo na fila diante do consulado. Entre passagens aéreas e diárias de hotel, a despesa vai ficar em torno de 7.000 reais. É próximo do preço de um pacote de seis noites para Orlando, que custa 2.500 reais por pessoa, em média. Por meio do despachante, gastaria apenas 415 reais – 350 reais referentes a taxas cobradas pelo consulado e 65 reais pelo serviço do intermediário. A família só teria de comparecer ao consulado se fosse convocada para a entrevista pessoal, o que ocorria em alguns casos. O comparecimento em massa também vai agravar a demora nas filas. Em média, cada consulado atende 200 pessoas por dia. A previsão é que o movimento aumente 30%.

"Diante de todas essas dificuldades, muita gente pode desistir de viajar para os Estados Unidos e várias operadoras devem suspender os pacotes para lá", prevê Leonel Rossi Junior, diretor de assuntos internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav). O número de viagens para os Estados Unidos está em declínio desde a crise cambial de 1998. Nesse ano, segundo a Embratur, 909.000 brasileiros foram para os Estados Unidos. Em 2002, a quantidade de turistas foi de apenas 466.000. Para obter o visto, é necessário agendar a entrevista no consulado por telefone ou pela internet e pagar uma taxa de 35 reais nas agências bancárias pelo agendamento. Na semana passada, era de três horas o tempo médio de espera na fila do consulado de São Paulo – onde são feitos 6.000 pedidos de vistos por mês, dos quais 20% são rejeitados. "Nós agendamos a entrevista com mais de uma semana de antecedência, mas não conseguimos escapar da fila", diz o advogado paulista Oswaldo Chagas Nascimento, de 57 anos, que, com a mulher, Maria das Dores, acompanhou o filho, André, de 17 anos, até o consulado. O rapaz pretende estudar no Arizona e solicitou o visto de estudante.

 

 
 
 
 
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