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Turismo
Filas
em dobro
Novas
regras para o visto dificultam a vida de
quem mora em cidade sem consulado americano
Claudio Rossi
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Oswaldo
e Maria das Dores com o filho André na fila em São Paulo:
três horas de espera
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Tirar
visto de entrada nos Estados Unidos sempre foi uma fonte de aborrecimentos.
A fila é demorada, passa-se pelo constrangimento de ser obrigado
a exibir documentos que comprovem renda, as taxas são salgadas
e, evidentemente, o pedido pode ser negado sem explicações.
Como se não bastasse, os americanos decidiram tornar o processo
ainda mais incômodo. A partir desta terça-feira, 15,
também será obrigatório que o solicitante compareça
ao consulado para ser entrevistado. Antes da mudança, era
possível fazer o pedido e enviar a papelada por meio de despachantes
e agências de turismo. Como os Estados Unidos só têm
consulado em São Paulo, no Rio de Janeiro, Recife e Brasília,
esse era um recurso muito usado pelos moradores de outros Estados.
Agora, terão de viajar até uma dessas quatro capitais
se quiserem o visto. Para eles, a nova regra, que faz parte de um
pacote antiterrorista adotado pelo Departamento de Estado, vai encarecer
as férias na terra do Mickey.
Uma
família de quatro pessoas de Porto Alegre que pretenda viajar
para Orlando, na Flórida, por exemplo, será obrigada
a ir a São Paulo para solicitar o visto. Precisará
chegar na véspera, pois na manhã seguinte terá
de estar bem cedo na fila diante do consulado. Entre passagens aéreas
e diárias de hotel, a despesa vai ficar em torno de 7.000
reais. É próximo do preço de um pacote de seis
noites para Orlando, que custa 2.500
reais por pessoa, em média. Por meio do despachante, gastaria
apenas 415 reais 350 reais referentes a taxas cobradas pelo
consulado e 65 reais pelo serviço do intermediário.
A família só teria de comparecer ao consulado se fosse
convocada para a entrevista pessoal, o que ocorria em alguns casos.
O comparecimento em massa também vai agravar a demora nas
filas. Em média, cada consulado atende 200 pessoas por dia.
A previsão é que o movimento aumente 30%.
"Diante
de todas essas dificuldades, muita gente pode desistir de viajar
para os Estados Unidos e várias operadoras devem suspender
os pacotes para lá", prevê Leonel Rossi Junior, diretor
de assuntos internacionais da Associação Brasileira
de Agências de Viagem (Abav). O número de viagens para
os Estados Unidos está em declínio desde a crise cambial
de 1998. Nesse ano, segundo a Embratur, 909.000
brasileiros foram para os Estados Unidos. Em 2002, a quantidade
de turistas foi de apenas 466.000. Para
obter o visto, é necessário agendar a entrevista no
consulado por telefone ou pela internet e pagar uma taxa de 35 reais
nas agências bancárias pelo agendamento. Na semana
passada, era de três horas o tempo médio de espera
na fila do consulado de São Paulo onde são
feitos 6.000 pedidos de vistos por mês,
dos quais 20% são rejeitados. "Nós agendamos a entrevista
com mais de uma semana de antecedência, mas não conseguimos
escapar da fila", diz o advogado paulista Oswaldo Chagas Nascimento,
de 57 anos, que, com a mulher, Maria das Dores, acompanhou o filho,
André, de 17 anos, até o consulado. O rapaz pretende
estudar no Arizona e solicitou o visto de estudante.
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