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Home  »  Revistas  »  Edição 2169 / 16 de junho de 2010


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Vida Digital

Pega um, leva dois. Alô, quem vai?

Com o iPhone 4, o mago da Apple faz seu mais esperto truque
até agora: para aproveitar as novidades, é preciso comprar
dois ou mais aparelhos


Renata Betti

Paul Sakuma /AP
INOVAÇÃO
Jobs com o iPhone 4: um é bom, dois é melhor

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"Cresci assistindo a programas de televisão como Os Jetsons e Jornada nas Estrelas. Sempre sonhei em fazer chamadas de telefone em vídeo. Agora isso é real." Assim Steve Jobs, o presidente da Apple, apresentou o iPhone 4. A teleconferência foi batizada pela Apple de FaceTime. Como em tudo o que Jobs faz, a novidade não significa apenas um artifício para tornar o seu aparelho mais atrativo. As ideias de sua equipe quase sempre acertam não por adivinhar o que o usuário quer, mas por criar nele uma necessidade nova. Como o programa só funcionará, ao menos por enquanto, com o iPhone 4, a Apple deverá vender o seu novo aparelho aos pares. Que mãe não gostaria de poder falar com o filho em qualquer lugar do mundo vendo o seu rosto, como se estivesse na sua frente? As chamadas em vídeo deverão aumentar o volume das ligações. É tudo o que as empresas do setor desejam. O FaceTime, assim, representa a essência da estratégia que tornou a Apple a empresa de tecnologia mais valiosa do mundo: usuário surpreso e ávido pela novidade e acionistas satisfeitos.

O iPhone 4, apresentado oficialmente na semana passada, começará a ser vendido nos Estados Unidos, no Japão e em alguns países europeus no dia 24 de junho. Ao Brasil, o aparelho deverá chegar em setembro. A nova versão traz evoluções que reduzirão as (poucas) queixas daqueles que possuem um iPhone. O sistema operacional agora será multitarefas. Diversos programas poderão funcionar ao mesmo tempo. Sua nova tela, chamada de Retina Display, exibe imagens em resolução inédita entre os celulares. Os pontos de luz (pixels) são tão próximos entre si que é impossível notá-los isoladamente. Mas é pelo FaceTime que as filas vão se formar diante das lojas da Apple. Ele faz uso das duas câmeras de vídeo do iPhone 4, uma apontada para a frente e outra na parte de trás, com flash de LED. No esperto vídeo de propaganda da Apple, mamãe transmite imagens instantâneas do bebê para o papai que está viajando, enquanto ela própria vê na tela do seu iPhone o sorriso embevecido do marido. O preço? Nos Estados Unidos, o iPhone 4 custará 199 dólares (16 gigabytes de memória) e 299 dólares (32 GB). O iPhone 3GS (8 GB) continuará sendo vendido, mas seu preço caiu para 99 dólares.

AP
HTC EVO
O primeiro aparelho para internet 4G


Com essas evoluções, a Apple consegue manter-se na dianteira, mas a concorrência tem se acirrado. Seu maior competidor é o Google, que desenvolveu o sistema operacional Android. No fim de março, a fabricante HTC, de Taiwan, lançou o Evo 4G. Trata-se do primeiro celular com tecnologia de quarta geração do mercado, que permite conexão à internet até cinquenta vezes mais rápida que a atual rede 3G. O Google fornece o seu sistema para diversas fabricantes e pode ser usado por várias operadoras de telefonia, e por isso tem ganhado popularidade no mercado dos Estados Unidos. A crítica mais recorrente dos americanos que não compram o iPhone é justamente a obrigação de abrir conta com a AT&T. Mas nesse ponto o Google ainda segue distante da Apple. Segundo dados da Nielsen, a empresa de Jobs tem 28% do mercado americano, mais de três vezes a fatia do Android.

A disputa entre esses dois gigantes da tecnologia poderá descambar também para os tribunais. Isso porque o Google contesta o monopólio que a Apple tenta obter na divulgação de anúncios para os sites e aplicativos que sejam abertos nos iPhones e iPads. A questão deverá ser investigada pelas autoridades americanas. Outro problema para a empresa de Jobs foi a revelação, na semana passada, de que havia brechas de segurança nas conexões de cerca de 114.000 iPads 3G vendidos nos Estados Unidos – deixando vulneráveis os dados de usuários famosos como o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e até de altos funcionários da Casa Branca. O defeito não era propriamente dos iPads 3G, mas das conexões sem fio da sócia de Jobs, a AT&T. Diz o analista Luciano Crippa, da consultoria IDC: "A Apple, como qualquer empresa que cresce muito rápido, fica mais vulnerável e acaba tendo problemas de organização que precisam ser corrigidos". É o peso da liderança.

Com reportagem de Larissa Tsuboi

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