Edição 1858 . 16 de junho de 2004

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Televisão
Cartão vermelho

Colecionador de encrencas, o comentarista
Jorge Kajuru perde o emprego na Bandeirantes


Ricardo Valladares


Fotos divulgação
lgação
Kajuru (à dir.) e cena de sua discussão com um boxeador: ele quase apanhou

Um dos maiores colecionadores de polêmicas da televisão atual, o comentarista esportivo Jorge Kajuru teve seu contrato rescindido pela Rede Bandeirantes na quarta-feira passada. A causa imediata da demissão foi um episódio ocorrido em 2 de junho. Antes da transmissão do jogo entre Brasil e Argentina, à frente do estádio Mineirão, em Belo Horizonte, Kajuru criticou o governo estadual pela quantidade de ingressos que concedera a convidados vips. Veio então um intervalo e, quando a transmissão recomeçou, ele não estava mais no vídeo. A direção da emissora considerou impróprias as críticas e o tom em que haviam sido feitas. Suspendeu o apresentador naquele momento e depois decidiu excluí-lo de seu elenco. "Eu falo o que penso", diz Kajuru. No entender da Band, o apresentador passa dos limites. "Não foram poucas as vezes em que ele fez acusações sem provas e criticou decisões da empresa em pleno ar", diz um diretor da emissora.

Kajuru colecionou encrencas com os patrões, com colegas de profissão e com terceiros. Sua demissão foi a gota d'água numa relação já estressada. No ano passado ele reclamou ao vivo porque a Band cancelou a transmissão de um jogo de basquete. No mês passado, fora suspenso por ironizar o maior patrocinador da emissora. A apresentadora Astrid Fontenelle, da própria Band, e o apresentador Milton Neves, da Record, são seus desafetos. O comentarista já chamou a primeira de "baranga" e vive às turras com o segundo, que tem nove processos correndo contra ele. Kajuru já foi processado 109 vezes. Foi absolvido em 66, mas, em maio, sofreu um revés. O governador de Goiás, Marconi Pirillo, conseguiu que a Justiça o condenasse por difamação. Recentemente, Kajuru quase apanhou diante das câmeras, depois de chamar o boxeador Mario Soares de covarde durante uma entrevista. Nesse caso, a Band ficou do seu lado.

Quando sua demissão foi sacramentada, Kajuru foi para o flat onde mora em São Paulo e chorou. Entre os que o apoiaram estão o apresentador José Luís Datena e a diretora de programação Marlene Mattos, ambos da Band. O primeiro ameaçou demitir-se em desagravo ao amigo e a segunda fez o que pôde para impedir a demissão, mas foi voto vencido (segundo alguns, um sinal de que ela está perdendo poder na emissora). Kajuru, que recebia 100.000 reais por mês, diz que espera para logo algum convite da TV, mas também estuda uma proposta do cantor Ivan Lins, amigo que o convidou para ser seu empresário.

 
 
 
 
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