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Edição 2008

16 de maio de 2007
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Tecnologia
Da ficção científica
para dentro de casa

Surge a versão doméstica das impressoras
em 3D que fabricam objetos


Rafael Corrêa

Jaime Rector/Th New York Times
A Desktop Factory (acima) e produtos feitos por ela: em dez anos, o preço do aparelho caiu de 850 000 dólares para 5 000

Divulgação


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Quadro: Fábrica em miniatura

Falta pouco tempo para a seguinte cena se tornar corriqueira. A criança pede aos pais o brinquedo do momento, que acaba de ver na TV. Em vez de saírem de casa e irem até uma loja, eles compram via internet um arquivo com um desenho. Ao toque de um botão, o desenho é enviado a uma impressora instalada ao lado do computador e o brinquedo é fabricado na hora. A impressão em três dimensões, capaz de materializar objetos a partir de um desenho, já é utilizada há uma década nas indústrias de carros, de móveis e de foguetes, entre outros setores. Ela serve para os projetistas e designers criarem protótipos de novos produtos. A novidade é que essas impressoras estão prestes a se tornar eletrodomésticos. Várias empresas americanas estão em fase de ajustes finais em sua linha de produção para lançar aparelhos do gênero. Eles custarão entre 5.000 e 10.000 dólares – contra até 850.000 dólares das impressoras em 3D usadas pelas indústrias – e já há quem prometa para logo máquinas a 1.000 dólares. Em outubro deve chegar às lojas o primeiro desses produtos, a Desktop Factory, fabricada por uma empresa homônima da Califórnia. Pouco depois, será lançada a impressora da 3D Systems. "Muita gente acha que impressão em 3D é coisa de ficção científica. Já foi assim, mas não é mais, e queremos levá-la aos lares e escritórios", disse a VEJA Kathy Lewis, presidente da Desktop Factory.

As impressoras em 3D não chegam a reproduzir os "teletransportadores" do seriado Jornada nas Estrelas, mas prometem causar uma pequena revolução nos hábitos domésticos e no cotidiano de muitas profissões – a exemplo do que ocorreu com o advento de aparelhos como o fax, a copiadora e o scanner. Para isso, o próximo desafio é ampliar a gama de matérias-primas com que as máquinas trabalham para produzir os objetos. As impressoras usadas por indústrias criam produtos em metal e em várias ligas de materiais. A impressora doméstica da Desktop Factory utiliza apenas plástico em pó, derretido e depois esculpido na forma desejada pelo calor de uma lâmpada halógena (veja o quadro). Os objetos fabricados por ela ficam com uma cor acinzentada e uma textura que lembra areia. Para obter objetos coloridos ou com textura lisa, é preciso fazer o acabamento a mão. Quando os aparelhos que usam outros materiais além do plástico se tornarem mais acessíveis, será possível fabricar em casa ou no escritório praticamente qualquer objeto pequeno – de roupas e sapatos a robôs. Qualquer pessoa será capaz de transformar idéias em produtos. Cientistas da Universidade Cornell já avançaram nessa direção. A impressora Fab@Home, criada por eles, usa uma seringa que pode ser preenchida com qualquer material. Já há encomendas para o aparelho, que custa 3.000 dólares. Um segundo salto espetacular na impressão em 3D vai ocorrer quando outro tipo de aparelho de alta tecnologia, o scanner em 3D, se tornar mais barato. Usados na indústria cinematográfica para criar versões computadorizadas do rosto e do corpo de atores, esses aparelhos permitirão ao consumidor produzir cópias exatas de qualquer objeto que tenha em mãos, sem depender de desenhos feitos no computador. Hoje, um scanner em 3D custa 40 000 dólares, mas o preço deve cair, como já está acontecendo com o das impressoras em 3D.

Ao contrário das impressoras em 3D profissionais, que têm o tamanho de três geladeiras juntas, a Desktop Factory mede 63 centímetros de comprimento por 51 centímetros de largura – ou seja, pode ser acomodada sobre uma mesa de escritório. Por enquanto, poucas pessoas possuem o conhecimento técnico necessário para operar os programas usados na criação de desenhos em três dimensões, como o AutoCAD. Calcula-se que, num primeiro momento, o equipamento será mais usado por pequenas empresas. A Desktop Factory confirma que as primeiras encomendas de seu aparelho foram feitas por engenheiros, arquitetos e designers. De qualquer maneira, muitos desenhos de objetos em 3D já podem ser comprados ou baixados de graça na internet e o número de sites que oferecem esse serviço está aumentando. Logo será possível trazer a Barbie para casa apenas pressionando meia dúzia de botões.

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