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Edição 2008

16 de maio de 2007
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Darwin rende conversa boa

A repercussão da reportagem "A revolução sem fim de Darwin" (9 de maio) foi espetacular. Uma surpresa para nós, da redação de VEJA. Mesmo antes de a reportagem sair, uma menção a um famoso neodarwinista, Ernst Mayr, na matéria sobre a descoberta de um planeta irmão da Terra na constelação de Libra, rendeu uma produtiva conversa travada on-line. Sérgio Besserman, ex-presidente do IBGE, cuida de um espaço (oglobo.globo.com/rio/ancelmo/besserman) inteligente na seção de blogs da coluna digital do jornalista Ancelmo Gois.

Ele criticou uma frase de Mayr que lhe pareceu criacionista, algo impensável em se tratando de um dos maiores neodarwinistas. Eurípedes Alcântara, diretor de redação de VEJA, postou uma resposta no Blog do Besserman. Alcântara reconheceu o acerto da crítica de Besserman e adiantou uma explicação para o fato de Mayr usar expressões como "inusitado" e "misterioso" ao falar dos processos que produziram o crescimento do cérebro humano.

Escreveu Alcântara: "Que eventos não biológicos influenciaram o crescimento em cilindradas do cérebro e de complexidade do córtex e que são ainda 'misteriosos' (não sobrenaturais ou divinos) para a ciência? A matéria de VEJA faz menção a um deles: a cultura. Mayr disse-me que a sexualidade tardia e o nascimento precoce dos seres humanos abriram o envelope da evolução cultural e introduziram um componente irreproduzível em outros cenários terrestres ou não". Besserman publicou a resposta na íntegra sob o título "Eta conversa boa" e, entre muitos comentários interessantes, atraiu um feito pelo colega dele de blog, David Zylbersztajn: "Que VEJA, vez por outra, dê uma escorregadela proposital, para a gente ver um bate-bola que nem esse".

A reportagem de capa sobre Darwin atraiu, é claro, a fúria de criacionistas como Marcelo Costa Soares, de Uberlândia, em Minas Gerais: "Nem a matéria nem Darwin explicaram a falta de evidências que comprovariam a evolução. É como dizer que meu pai poderia transmitir um gene que me daria um par de chifres sem que na testa dele aparecesse ao menos um sinal da tal 'evolução'". A reportagem ressalta o fato de a evolução ser uma teoria científica, e não uma lei natural, podendo ser desacreditada com uma prova sequer de sua inaplicabilidade. Tal prova ainda não apareceu. A argumentação de Costa Soares não se qualifica como prova contra a evolução. Como se sabe, alguns genes podem ter seus efeitos ocultos em uma geração e se manifestar na seguinte.

O blog de Besserman: "Eta conversa boa"

Muitos leitores, como Isabela Ueda, de Londrina, no Paraná, chamaram atenção para o fato de a reportagem dar a impressão em certas passagens de que Darwin empregou a expressão "mutação genética". Darwin não viveu o suficiente para ver a comprovação da transmissão hereditária pela combinação dos genes e morreu sem uma explicação completa para as mutações que observou na natureza.

O leitor Caio de Almeida Camerino, de São Paulo, lembrou com propriedade que Darwin, sem as ferramentas da genética nem as contribuições posteriores dos neodarwinistas, colocou todo o peso da explicação na seleção natural. Escreveu Camerino:

"Darwin concluiu que, como todas as espécies têm grande potencial para crescer, o número de indivíduos produzidos a cada geração é sempre maior do que a disponibilidade dos recursos necessários a sua sobrevivência. Isso levaria à competição pelos recursos do ambiente, principalmente por alimento. Como os indivíduos não são idênticos – sempre há variação em qualquer espécie (ele apenas sabia que isso ocorria, mas não chegou a explicar o porquê) –, alguns estão mais bem equipados para a competição do que outros. Assim, os que sobrevivem e se reproduzem a cada geração são, preferencialmente, os que apresentam melhor adaptação às condições ambientais".

Como disse Besserman, "eta conversa boa". Veja mais opiniões dos leitores sobre a reportagem:

Darwin foi a luz que iluminou a humanidade contra a escuridão das crendices religiosas de que o homem era escravo desde o começo da humanidade.
Cássio Cotrim
Guanambi, BA  

Parabéns pela reportagem genial, que colocou Charles Darwin apenas três páginas depois de todo um culto ao catolicismo, na semana em que o papa chega ao Brasil. Ainda somos um país com liberdade de expressão.
Thaís Guedes
Bióloga e herpetóloga
Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Natal, RN  

Belíssima e completa a reportagem sobre Darwin. VEJA se supera mais uma vez. Pena, porém, que não acrescenta nada ao que já sabemos: que as teorias (fatos não comprovados) de Darwin não passam de teorias, pois não explicam nada! Expõem apenas as idéias do autor. Ele nunca, de fato, explicou a origem da vida e jamais conseguiria, pois ele, como todos nós, era limitado. Nós não conseguimos entender essa força maravilhosa e invisível que mantém a vida. Falar sobre evolução das espécies é fácil, provar é outra coisa. Darwin nunca provou nada, só especulou.
Pedro Cândido Parreiras Filho
São João Nepomuceno, MG

Como ateu convicto, penso que atitudes como essa de VEJA contribuem, e muito, para lançar um pouco de luz sobre o modo de pensar das pessoas. É absurdo que, em pleno século XXI, apesar da ampla gama de conhecimentos já existentes, ainda haja tantas pessoas que acreditam nessa grande mentira que é o criacionismo. Crer em tal absurdo é fechar os olhos para as evidências que a ciência nos mostra de forma inequívoca.
Marcelo Rubens Gonçalves Cardoso
Juiz de Fora, MG  

Sobre o evolucionismo darwinista, reconheço sua cientificidade, em parte. Não considero o modelo darwinista uma teoria e muito menos científica, pois não foi totalmente comprovado. Basta ler, dentre as inúmeras obras, por exemplo, A Caixa Preta de Darwin: o Desafio da Bioquímica à Teoria da Evolução, do cientista Michael J. Behe, publicado no Brasil pela Jorge Zahar, ou O Enigma das Origens – A Resposta, editado em inglês por Henry M. Morris e publicado no Brasil pela Editora Origens. Darwin não explicou com consistência científica a "evolução" da visão, dos insetos, o processo de coagulação do sangue, o desenvolvimento do cérebro etc. A utilização dos fósseis como referência não satisfaz. Aliás, no desespero, entre as muitas farsas e "equívocos", inventaram até o famoso "homem de Piltdown", o elo que faltava (estão procurando até hoje).
Milton Chicalé Correia

Doutorando da Unesp
Marília, SP  

Sou oncologista clínico, espírita e, em razão da fé raciocinada que tenho, acredito plenamente na teoria da evolução das espécies. Inclusive, cabe relatar que na mesma época em que Darwin causava estrondo na comunidade científica, publicando sua teoria, Allan Kardec publicava O Livro dos Espíritos, sobre a evolução espiritual através da doutrina da reencarnação, complementado no livro A Gênese. Cabe citar ainda que Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita, renomado estudioso e pesquisador francês, dizia: "Se a doutrina espírita divergisse em algum ponto da ciência, ela (a doutrina) deveria ser retificada naquele ponto", fato que até hoje não ocorreu.
Gustavo Colagiovanni Girotto

Guarapuava, PR

Diogo Mainardi

É preciso o protesto veemente contra todo ato ou apologia da intolerância, sobretudo a intolerância política. Muitos lutaram para que prevalecesse no Brasil a verdadeira prática democrática, que se afirma pela liberdade e pelo respeito às diferenças. Precisamos todos, que temos responsabilidade pública, repudiar a grave ameaça feita ao jornalista Diogo Mainardi ("Um perigo chamado MR-8", 9 de maio).
Aécio Neves
Governador de Minas Gerais
Belo Horizonte, MG

Fiquei chocado e extremamente preocupado ao ler a reportagem "Um perigo chamado MR-8". O assunto se reveste da maior gravidade e merece ser levado aos órgãos internacionais de defesa da imprensa. Se o MR-8 ameaça a liberdade de imprensa, incita contra a vida do jornalista Diogo Mainardi, o que é um crime, e se ainda por cima esse mesmo jornaleco de um grupo extremista retrógrado recebe patrocínio de órgãos do governo federal, não há outra conclusão senão dizer que o estado está patrocinando crimes contra a imprensa. Hoje é Mainardi; amanhã, quem será?
Humberto Viana Guimarães
Salvador, BA  

Eu me sinto chocada, atordoada com essa reportagem. Isso é uma vergonha, uma a mais no rol de tantas que têm ocorrido neste país. Eu não permito que o dinheiro que eu pago, que deveria ir para a saúde e a educação (entre outros), esteja alimentando esse tipo de imprensa! Aguardo providências dos governantes, inclusive do senhor Franklin Martins.
Cristina Jurkiv

São Paulo, SP  

Repudiamos o "modus operandis" do jornal Hora do Povo, que faz ameaças contra a vida do jornalista Diogo Mainardi, como se continuássemos em época de repressão e terrorismo. As autoridades ainda deveriam atentar para esse tipo de ação, bem como o governo federal deveria ser mais seletivo ao escolher os veículos nos quais faz propaganda. Fica claro que o tablóide não está acompanhando as mudanças do país.
Pedro Sergio Ronco
Diretor do Jornal Agosto
Presidente da Rádio BJ FM
Ribeirão Bonito, SP

Que ameaça bizarra essa feita contra Mainardi! Lembra a fatwa contra Salman Rushdie e só confirma que esses militantes da esquerda, os lulistas, são mesmo todos (ou quase) uns fundamentalistas malucos. Diogo Mainardi é meu herói ("A morte do garoto de programa", 9 de maio).
Cláudia C. Nogueira
Fortaleza, CE  

Esse episódio é uma punhalada na democracia e na liberdade de imprensa. Jamais na história deste país vi ato tão covarde de um presidente (que já foi perseguido) em omitir-se ante um assunto de tamanha gravidade.
Warren Cavalcante
Brasília, DF  

O Brasil carece de homens de valor e coragem como Mainardi! É importante que esses verdadeiros facínoras e meliantes saibam que existem muitas pessoas neste país que pensam exatamente como Mainardi.
Therezinha de Jesus Lima e Oliveira
São José dos Campos, SP  

Minha irrestrita e incondicional solidariedade a sua postura como jornalista. Nossos eventuais pontos de vista divergentes não impedem contudo que eu defenda o seu direito de manifestar-se denunciando o núcleo do poder petista que corrói a política brasileira. Para não generalizar, as exceções são os militantes que não estão se beneficiando com o poder, e estarrecidos vêem seus "líderes" afundando cada vez mais o partido e o país no arbítrio, na corrupção, na politicagem, em conchavos espúrios com aqueles que eram no passado seus opositores.
Armando Sampaio
Feira de Santana, BA

Presídio de segurança máxima

A respeito da nota publicada na coluna Desce da edição 2 005 (25 de abril) da revista VEJA, a assessoria de comunicação do Ministério da Justiça esclarece que todas as atividades da Penitenciária Federal de Catanduvas, bem como as de Campo Grande, são monitoradas por meio de câmeras de circuito interno, que funcionam 24 horas por dia. Além de captadas na própria unidade, as imagens são transmitidas em tempo real para uma central instalada na sede do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), em Brasília.
Ludmila Luz

Chefe da assessoria de comunicação social do Ministério da Justiça
Brasília, DF

Combustíveis

Com relação à reportagem "Golpe de 1 bilhão de reais", publicada na edição de 9 de maio, a Esso Brasileira de Petróleo esclarece que não se envolve em fraudes, não promove esquemas de sonegação nem participa de irregularidades. As suspeitas citadas na matéria são equivocadas e não fazem justiça à nossa reputação de ética e responsabilidade. Nos casos abordados pela revista, a Esso não "simulava a venda para postos de Minas Gerais". A Esso fez – e faz – vendas interestaduais, absolutamente dentro da lei, emitindo notas fiscais, com o apoio de toda a documentação aplicável. A Esso já encaminhou o material solicitado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em novembro de 2006 e janeiro de 2007 e está pronta para apresentar quaisquer outros esclarecimentos. Além disso, espera que eventual prática de sonegação relativa a esse tipo de operação seja identificada e eliminada, e que os envolvidos sejam devidamente responsabilizados.
Carlos Noack
Presidente Esso Brasileira de Petróleo Limitada
Rio de Janeiro, RJ

A AleSat Combustíveis S.A. elogia a iniciativa da ANP e da revista VEJA de lançar luz sobre os problemas que ainda atingem o setor no Brasil. A companhia reafirma seu compromisso de atuar em total conformidade fiscal e de qualidade de produtos. Nesse sentido, contribuiu com a ANP nessa fiscalização, fornecendo todos os documentos solicitados, que atestam a legalidade de suas operações no país. A venda de combustíveis do Rio de Janeiro para a Zona da Mata de MG ocorre devido à maior proximidade entre a base e os postos dessa região e é um procedimento legal, comumente adotado pelas distribuidoras. Toda comercialização de combustível feita na modalidade CIF (entrega de responsabilidade da AleSat) possui comprovação de destino e registro de passagem na fronteira entre estados. Já na modalidade FOB (transporte a cargo do comprador), o compromisso da AleSat se encerra no carregamento do combustível em suas bases, sendo o deslocamento e o destino final de responsabilidade da empresa compradora.
Sérgio Cavalieri
Presidente do conselho de administração
Belo Horizonte, MG

A censura de Roberto Carlos

Fui fã do rei por pouco mais de um mês – no exato período tanscorrido entre a leitura de sua biografia não autorizada e o recolhimento da obra. Mas, ao fazer a leitura do livro, confesso que mudei radicalmente meu posicionamento. Passei realmente a admirá-lo. E isso se deveu à excelente imagem que o autor fez de seu ídolo. No entanto, minha admiração durou muito pouco, pois desabonadores foram sua atitude e seu desrespeito com uma pessoa que só fez homenageá-lo ("A fogueira de Roberto Carlos", 9 de maio).
Ana Maria Tagliari
São Leopoldo, RS

Centrais sindicais dóceis

Havia muito tempo não se falava desse organismo em extinção, que é o movimento sindical brasileiro. VEJA resgatou sua realidade atual em "A triste face do neopeleguismo" (9 de maio). Quem fica mais triste com tal panorama é quem acreditou na famosa "visão cutista da sociedade", por meio da qual se reafirmava a importância de os trabalhadores participarem das lutas legítimas do povo brasileiro. Depois que os sindicalistas se aninharam no poder, esqueceram-se dos ideais anteriores. Bem certo está o ditado que diz que leão de barriga cheia fica mansinho.
José Elias Aiex Neto
Foz do Iguaçu, PR

Aviação

A Infraero esclarece que em 2005 elaborou processo licitatório na modalidade de concorrência pública, que foi publicada no Diário Oficial da União e no jornal Gazeta Mercantil. Três empresas retiraram o referido edital e somente duas apresentaram propostas. Uma das companhias participantes dessa concorrência foi inabilitada por ausência de documentação, exigida no edital. O Banco Safra foi habilitado. Não houve interposição de recurso. Em 23/8/2005 foi realizada a segunda reunião pública, na qual se apurou a proposta do habilitado de 18.000 reais. O preço mínimo estabelecido no edital era de 7.378. Em 8/11/2005 foi publicado no Diário Oficial da União o extrato do contrato firmado entre a Infraero e o Banco Safra para a construção de uma área de hangaragem e de serviços de manutenção de aeronaves próprias ("Com hangar", Radar, 25 de abril).
Edgard Brandão Jr.
Superintendente da Infraero Regional Sudeste
Guarulhos, SP

CORREÇÕES: Na reportagem "A revolução sem fim de Darwin" (9 de maio), o correto é dizer que Darwin chegou ao Brasil em 1832, e não em 1932. A reportagem "O interminável inferno de Yeda" (9 de maio) informou que a secretária do Meio Ambiente, Vera Callegaro, era da cota pessoal da governadora, estava prestes a ser demitida e não tinha vínculo partidário. De fato, Vera é da cota pessoal, foi demitida na sexta-feira 4, mas é filiada ao PSDB local. O documentário Murderball – Paixão e Glória tem como tema a rotina da seleção americana de rúgbi para paraplégicos, e não tetraplégicos, como informou a seção VEJA Recomenda (9 de maio). A tragédia no estádio de Heysel ocorreu em maio de 1985, portanto há 22 anos, e não há 27, como constou na nota "Futebol na Inglaterra" (Veja.com, 9 de maio).

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