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DISCOS
Wingspan:
Hits & History, Paul McCartney (EMI) Em How Do You
Sleep?, uma das melhores faixas do disco Imagine, John Lennon
cutucava o ex-amigo Paul dizendo que Yesterday era a única
coisa boa que ele tinha feito na vida. Esse CD duplo mostra que Lennon
estava redondamente enganado. Trilha de um documentário sobre a
história de amor de Paul e Linda McCartney eles se conheceram
em 1967, durante o lançamento de Sgt. Pepper's , o
disco traz os trabalhos mais significativos do cantor e compositor a partir
dos anos 70. É um retrato fiel das qualidades e defeitos do ex-beatle.
Paul é um grande melodista e transforma assuntos corriqueiros em
belas canções. A bucólica Bluebird e o sucesso
Silly Love Songs, que ironiza o seu lado baladeiro, pertencem a
essa categoria. Em compensação, ele também cometeu
sandices como Pipes of Piece. No final, prevalece o talento de
Paul, que pode ser apreciado nos hits Maybe I'm Amazed, Every
Night e Band on the Run.
Luizinho Coruja
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| Luiz
Melodia: fusão de gêneros |
Maravilhas
Contemporâneas, Luiz Melodia (Som Livre) Esse disco,
um dos melhores trabalhos de Luiz Melodia, encontrava-se havia um bom
tempo fora de catálogo. O cantor carioca foi descoberto pelo grande
público na década de 70, quando Gal Costa e Maria Bethânia
gravaram, respectivamente, suas canções Pérola
Negra e Estácio Holly Estácio. Maravilhas
Contemporâneas é o seu segundo disco. Acompanhado por
integrantes da Banda Black Rio e músicos tarimbados como o trompetista
Márcio Montarroyos, ele promove uma fusão original de gêneros,
do samba, funk e blues ao choro e à soul music. A música
mais conhecida é Juventude Transviada, que virou um dos
temas da novela Pecado Capital, de 1976. Mas o álbum ainda
tem outros bons momentos, como o samba Quando o Carnaval Chegou e
o rock Congênito.
LIVRO
Divulgação
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| Adriana:
introspecção |
Sinfonia
em Branco, de Adriana Lisboa (Rocco; 224 páginas; 25 reais)
A carioca de 30 anos é a principal voz da nova literatura
feminina brasileira. Em Os Fios da Memória, seu primeiro
livro, ela surpreendeu pelo vigor narrativo. Agora, no segundo romance,
Adriana Lisboa mantém a firmeza do texto e se filia a uma tradição
enraizada nas letras brasileiras: a da introspecção. Sinfonia
em Branco, título inspirado no quadro homônimo do pintor
americano James Whistler, conta a história de Clarice e Maria Inês,
irmãs que revivem o passado e são cúmplices em segredos
de família. A narradora se aprofunda na psicologia de cada uma
e se sai bem na tentativa de descrever estados de espírito sutis.
É aí que ela emprega seu ponto de vista "feminino" e carrega
nas doses de lirismo mas sem se derramar. A autora compensa esse
gosto pela subjetividade com referências perspicazes ao dia-a-dia
contemporâneo.
TELEVISÃO
Mila Maluhy
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| Bob
Burnquist: bastidores do mundo do skate |
California Skate Tour 2001 (Quintas-feiras, às 19h, no
Sportv) Programas sobre o mundo do skate costumam sucumbir a uma
tentação: eles trazem montes de imagens "radicais", mas
não estão nem aí para o conteúdo. Voltada
para o público adolescente, essa série em doze episódios
oferece algo mais. É claro que há toneladas de manobras
e gírias, mas o programa tem o mérito de documentar a intimidade
dos brasileiros que se mudaram para os Estados Unidos em busca de sucesso
no skate profissional. A história de maior impacto, focalizada
logo no episódio de abertura, é a de Bob Burnquist, que
ficou milionário graças às suas ousadias sobre quatro
rodinhas. A série também mostra as dificuldades daqueles
que se mudaram para lá sem nenhum tostão.
CINEMA
Divulgação
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| Tempo
de Embebedar...: comovente |
Tempo de Embebedar Cavalos (Zamani Baray'é Masti Asbha,
Irã/França, 2000. Estréia nesta sexta-feira em São
Paulo) O filme não pode ser considerado um iraniano "da
gema", já que sua maior preocupação é mostrar
as dificuldades enfrentadas pela minoria curda naquele país. Para
tanto, o diretor Bahman Ghobadi escolheu a história do órfão
Ayoub, adolescente responsável pelo destino de suas irmãs
e irmãos um deles vítima de uma grave deficiência
física e mental. O título é uma referência
aos terríveis sacrifícios a que Ayoub se submete para sustentar
a família: juntamente com os homens do seu vilarejo, ele atravessa
a fronteira até o Iraque todos os dias, levando uma mula carregada
de contrabando. Para que os animais suportem o frio intenso, eles têm
de ser embebedados. O filme é comovente e, ao mesmo tempo, tão
árduo quanto a vida de seus protagonistas.
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
Em
1994, a escritora chilena Isabel Allende sensibilizou uma legião
de leitores com o livro Paula, uma espécie de carta
à filha que morrera dois anos antes, aos 28 anos, de uma
doença rara e devastadora. O Brilho de Sua Luz
(tradução de Fabiana Colasanti; Record; 317 páginas;
28 reais), que ocupa o sexto lugar na lista de mais vendidos de
VEJA, é o "Paula" da americana Danielle Steel. Nesse livro,
Danielle fala de sua relação com o filho Nick Traina,
que sofria de psicose maníaco-depressiva e se suicidou em
1997, aos 19 anos. Responsável por alguns dos maiores best-sellers
românticos dos últimos tempos (como Um Longo Caminho
para Casa), a autora não prima pela concisão e
sempre foi piegas até dizer chega. Neste caso, entretanto,
o tema é tão impactante e pessoal que fica difícil
pensá-lo à luz de questões literárias.
Mesmo
assim, é preciso fazer ao menos um reparo ao livro. Desde
o início, a autora trata a doença do filho como se
ela fosse um mal inexorável ou, numa analogia, um
câncer terminal. Ela responsabiliza a disfunção
por todas as atitudes adversas do filho e faz generalizações
temerárias, do tipo "maníacos-depressivos não
dormem à noite". Danielle chega ao extremo de culpar o pai
de Traina, que foi viciado em drogas, pela transmissão dos
genes "ruins". Está certo que tudo é explicável
para uma mãe que acaba de perder o filho, e é sob
esse prisma, o do desabafo, que O Brilho de Sua Luz deve
ser encarado. Não é, contudo, a leitura mais indicada
para quem busca algum aconselhamento sobre como conviver com pacientes
de doenças mentais.
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