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Querido
consultor
O jornalista Mário Rosa ensina
como enfrentar crises de imagem
em um livro de auto-ajuda
Ana Araujo
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| Rosa:
"O ruim é sempre melhor do que o pior" |
O
jornalista Mário Rosa, ex-editor de VEJA, deixou o cotidiano das
redações para se transformar no mais requisitado consultor
de imagem em atividade no Brasil. Consultor de imagem está longe
de ser um "personal stylist" (perdão, deputado Aldo Rebelo). Ou
seja, Rosa não escolhe ternos, gravatas ou mesmo vestidos para
seus clientes. Faz melhor do que isso: orienta sobre o que deve ser dito
ou escondido pelas pessoas físicas e jurídicas
que assessora. No início, quem batia à sua porta eram basicamente
políticos envolvidos em escândalos. Depois, empresas às
voltas com esquemas nebulosos passaram a procurá-lo. Por último,
firmas acima de qualquer suspeita contrataram seus serviços. Esse
leque amplo faz com que Rosa circule com desenvoltura pelas mais diversas
áreas de luz e sombras da cena brasileira. Um extrato de sua experiência
pode ser encontrado em A Síndrome de Aquiles Como
Lidar com as Crises de Imagem (Gente; 247 páginas; 23 reais).
Sim,
é mais um livro a figurar no maravilhoso mundo da auto-ajuda. A
diferença, no entanto, é que Rosa ensina mais o que não
fazer do que o que fazer. Seus conselhos podem ser resumidos em três
premissas básicas: em momentos de crise, não tente subornar,
não hesite em acreditar que o ruim é melhor do que o pior
e não subestime a inteligência de seus algozes. Esse último
ponto é ilustrado por um diálogo entre o ex-secretário-geral
da Presidência da República Eduardo Jorge e um amigo que
o assistia quando foi acusado de usar seu cargo em benefício próprio:
"Você
sabe que eu nunca operei fundos de pensão...", disse Eduardo Jorge.
"Nenhum
jornalista vai acreditar que o senhor não operava os fundos de
pensão. Quando disser essa frase, o que eles ouvirão será:
'Você sabe que eu o acho um idiota e conseguirei enganá-lo
facilmente' ", alertou o interlocutor.
Um dos pontos fortes de A Síndrome de Aquiles é justamente
usar como referência personagens de mazelas nacionais. O que um
cidadão exemplar teria a aprender com semelhante literatura? Mário
Rosa acredita que todo mundo, do rico ao pobre, da gigante multinacional
ao armazém da esquina, está sujeito a sofrer alguma crise
de imagem. Você acha que não tem um calcanhar-de-aquiles?
Talvez esteja na hora de procurar um bom consultor.
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